DpH, uma métrica importante na Era IoT


Internet of ThingsAntes de mais nada, calma, calma… segurem suas pedras! Não, não virei um “abreviólogo” como muita gente pós-MBA faz… :)
O que continuo é provocativo, e esta é a razão dos 3LA (3 Letter Acronyms – rs rs) do título. Continuamos amigos? :) :)

Bem, o segundo acrônimo (IoT) já está virando famosinho: Internet of Things ou “Internet das Coisas“. Está na moda falar disso, mas o que realmente significa?
Significa que “o mundo está ficando inteligente”, e isso não tem nada a ver com a inteligência que costumava-se medir em QI ou com o conceito de “múltiplas inteligências” que surgiu depois.

Estamos falando de “equipamentos inteligentes”. O termo não poderia estar mais errado, porque equipamentos jamais serão inteligentes. O termo correto seria “equipamentos processados”, mas isso não venderia, nem os equipamentos nem a mídia que falaria deles, então o termo “inteligente” pegou. Não tem jeito, vivemos num mundo onde as coisas funcionam assim…

A que vieram os equipamentos ditos “inteligentes”?

Agora começamos uma discussão interessante! Depois do iPhone, as pessoas “comuns” começaram a se aproximar definitivamente da tecnologia. Enquanto na era PC os mais apaixonados por tecnologia a dominavam e mostravam a seus amigos e familiares, a adoção espontânea era relativamente dificil. As pessoas usavam PCs porque precisavam usá-los, mas os abandonavam assim que a necessidade cessasse. A capacidade de comunicação através da Internet ampliou algumas fronteiras. Mães com filhos no exterior passaram a se aproximar do PC para matar a saudade. Aí veio a tal “Era pós-PC” e colocou toda essa tecnologia na mão das pessoas (literalmente), em qualquer lugar (bem, ao menos que você esteja usando a <insira o nome de sua operadora brasileira aqui>). A barreira foi se quebrando. Smartphones são mais intuitivos que PCs, a interface é mais fácil (oras, é só usar o dedo), e uma geração inteira de “suporte técnico” nasceu. Não sabe? Chame o filho ou sobrinho que ele te ensina.

E daí? O que isso tem a ver com “equipamentos inteligentes”? Tem muito! Primeiro, porque para caber na mão e no bolso das pessoas, a tecnologia tem que “encolher” e baratear. Um desafio e tanto para engenheiros, que têm que fazer baterias pequenas durarem ao menos o dia todo, mas os caras são bons! (Rs rs – “puxada de sardinha” detected!) Além disso, a conectividade (leia-se Internet) virou commodity. Hoje é comum ver no metrô a maioria das pessoas conectadas através de seus smartphones. É muito mais chat e facebook do que telefonema (graças aos céus!!!).

Tecnologia minúscula, uso eficiente de energia e conectividade com a Internet compõem uma “sopa protéica” suficiente para dar “vida inteligente” aos equipamentos. Calma. É metáfora. Equipamentos não têm inteligência, que dirá vida, ok?
A questão é que dispositivos processados (agora sim) poderão ficar cada vez menores e mais baratos. Começou com relógios, pulseiras e óculos, mas essa onda vai tomar a maioria dos objetos que temos em casa e fora dela. Semáforos, câmeras de vigilância, carros, bolas de futebol, remédios, chaveiros… cada objeto é um candidato a carrecar um “SoC” (System on [a] Chip), ou seja, ter um processador e ser capaz de enviar dados para servidores na Internet (a famigerada “nuvem”).
Tenho certeza que se eu der um ou dois exemplos, você logo terá dezenas de ideias para contribuir para a tal Internet das Coisas (IoT). Em tempo de Copa (sic), as bolas podem receber chips minúsculos que indicariam se passaram pelo plano das traves (leia-se: se foi gol ou não), sua velocidade (informação bacana para as emissoras enriquecerem suas transmissões), quanto se deslocaram (para saber se o jogo está emocionante ou “parado”), tempo fora de campo (para calcular acreścimos), etc.
Outro exemplo: você nunca irá postar no facebook as fotos de seu cachorro perdido se na coleira dele um chip enviar a posição em que ele se encontra. Já se fala também em cápsulas que você pode ingerir para fazer exames ao passarem por dentro de seu corpo (nesse caso, aliás, a capacidade de transmissão dos dados por rádio evita um grande constrangimento, concorda?).

Que tal compartilhar as ideias que lhe vieram à mente nos comentários desse post? :)

DpH – “Devices per Head”

Essa “métrica” foi cunhada numa conversa com os amigos George Silva e Omar Toral. Nem sei se ela existe oficialmente, mas ela será de grande importância para a indústria de tecnologia.
Trabalho numa empresa que produz processadores (Intel), que até pouco tempo atrás, buscava o aumento do mercado através da adoção de sua tecnologia por mais pessoas. No Brasil, nos últimos anos, muita gente comprou o primeiro computador de sua vida (infelizmente, ainda temos muita gente que até hoje não teve condições de fazer isso). Só que como vimos, os equipamentos processados estão cada vez menores, e consequentemente mais baratos. Empresas não gostam de faturar menos, então quando o preço de algo cai, elas têm que vender mais. Uma alternativa seria estimular a reprodução humana para o aumento da população, mas Malthus já mostrou que essa não é uma boa ideia…

A alternativa? O aumento do DpH: “Devices per Head”, ou “Dispositivos por Pessoa”! Há cerca de 20 anos, a “missão” da Microsoft era colocar um PC em cada casa. Isso significa um DpH de mais ou menos 0,25 (1/4), considerando uma família com 4 pessoas. Com a mobilidade (notebooks), esse número subiu e começamos a ter mais do que um PC por residência. Os mais abastados logo chegaram no DpH de 1 (1 computador por membro da família). Logo esse número foi superado, porque temos um equipamento na empresa (ou da empresa) e outro em casa (ou pessoal), portanto o DpH pode chegar perto de 2, mas dificilmente seria maior do que isso na “Era PC”.

Eis que vem o iPhone e coloca um PC na sua mão. E depois dele, o iPad. Aliás, lembro até de muitos colegas zombando do iPad, dizendo que era “o iPhone de Itu”. Muitos deles hoje correm atrás do tempo dedicado a desmerecer o iPad, para migrarem suas aplicações para tablets. Sim, a Apple mudou o jogo. E na “Era pós-PC”, as pessoas começaram a ter um DpH maior do que 2 sim. iPhone, iPad, iPod, iMac, MacBook, Apple TV. Um cara que curte Apple tem tudo isso. Um cara só. Ou seja, só em casa, um DpH de 6! Um nirvana para uma empresa de tecnologia. Não é à toa que as ações da Apple subiram mais de 14.000% (140 vezes) da época do lançamento do iPod até seu auge, em 2013 (considerando o “split” de 2:1 em 2005).

Ações da Apple

Ações da Apple da época do lançamento do iPod a seu auge

Só que empresas não se satisfazem. E nem o mais fanático dos fãs iria comprar mais de 10 dispositivos da mesma marca (acho que o único caso em que isso é possível é no mundo mulheres x sapatos…).

A única forma de aumentar o DpH é através da IoT (a esse ponto já posso usar os 3LA ou ainda fica tosco?). Se cada dispositivo tiver um pequeno chip instalado, com capacidade de processamento e de comunicação, soluções impressionantes podem melhorar nossas vidas (ainda estou esperando a sua contribuição nos comentários aí embaixo), e as empresas de tecnologia continuarão faturando, ainda que bem menos em cada dispositivo, mas num número incrivelmente grande de dispositivos por pessoa.

Um dos fundadores da Intel ficou famoso e tem uma lei com seu nome (Lei de Moore), porque ele disse que a capacidade dos processadores (ou número de transístores) dobraria a cada 18 meses em média. Se eu fosse mais esperto, lançaria a “Lei de Palma”, dizendo que o DpH também dobrará a cada 5 anos em média. Fiz um gráfico com valores “muito estimados”, mas talvez leve a ideia adiante, levantando dados precisos e comentando mais sobre a evolução do DpH por aqui! :)Evolução do DpH (Lei de Palma)

O que vale lembrar é que, por mais que os dispositivos fiquem “inteligentes”, e por mais que o DpH torne-se enorme, o acrônimo da métrica também traz consigo uma grande verdade: “Devices per Head” indica que existem diversos dispositivos sendo utilizados por UMA “cabeça”.
Espero que você faça um ótimo uso de dezenas, centenas, milhares de dispositivos “inteligentes”, porque o único inteligente nessa história… É VOCÊ!

Computadores serão usados da mesma forma que louça?


Não gostaria de entrar no clichê das “resoluções de Ano Novo”, mas já estava passando da hora de reativar este blog… então vou aproveitar a deixa: lá vai o primeiro post de 2014!
(espero conseguir continuar compartilhando ideias por aqui durante o ano) :)

Computadores serão usados como louça?

Computadores serão usados como louça?

O título do post pode parecer estranho, mas as discussões sobre o futuro da computação continuam bastante frequentes. Além disso, o recente anúncio do Edison pela Intel no CES aumenta ainda mais a temperatura da conversa, impulsionando o conceito de “Internet das coisas” (disclaimer: atualmente trabalho para a Intel).

A onda dos tablets não é mais novidade, nem a constante queda nas vendas de PCs. Para “confundir” mais a cabeça do consumidor, novos “fatores de forma” (form factors) vêm surgindo: o “2 em 1″ (ultrabook que vira tablet), os phablets ou fonepads (que têm tamanho entre tablets e smartphones e realizam ligações telefônicas) e smartphones com poder de processamento dignos de um desktop de alguns anos atrás, potencializados por equipamentos para integrá-los a telas grandes: WiDi adapters, Apple TV, Google TV, Chromecast.

Nesses momentos é comum que surjam opiniões fatalistas no melhor estilo “isso vai matar aquilo”. Surgem também defensores ferrenhos de determinados form factors ou produtos, “provando” que o produto “X” é o melhor de todos.

Felizmente, não existe um “melhor de todos”. Digo felizmente porque isso acabaria com a diversidade do merado. Se existisse realmente um “melhor de todos”, todo mundo compraria somente aquele modelo, os outros encalhariam e sairiam de linha – e somente o líder absoluto de opiniões existiria no mercado. Ruim, não?!

O que eu acredito é que ao invés de existir um “melhor de todos”, existe um “melhor para o que eu estou fazendo agora”. Daí a comparação com a louça: se você vai tomar uma sopa, que louça você utiliza? A “melhor de todas”? Ou a mais adequada para tomar sopa? Provavelmente você optará (sem precisar pensar muito) por um prato fundo. Se tiver que servir um bolo, provavelmente pegará um prato de sobremesa. Para apoiar uma xícara, nada “melhor” do que um pires, e para comer uma salada, um prato raso…

Esta deve ser a forma que utilizaremos os nossos computadores (sejam lá qual for o tamanho). Está na rua e precisa verificar seus emails? O smartphone parece a melhor pedida. Quer dar uma olhada nas últimas notícias na sala? Um tablet parece ideal. Digitar um post? Um 2:1 no modo “com teclado” pode ser a melhor opção. E os gamers profissionais ainda gostam do desktop com muitos monitores enormes para seus momentos de delírio com os mais avançados jogos.

Escolheremos o melhor equipamento de acordo com a situação, até porque a tendência é que eles estejam facilmente disponíveis. Esta escolha será feita de forma quase automática, como acontece quando precisamos “escolher” a louça certa – praticamente sem pensar, pegaremos o dispositivo mais adequado e começaremos a usar. Sem configurações, sem programações, sem perda de tempo: será pegar, usar e largar.

Novos dispositivos “vestíveis” devem se popularizar (o óculos Google Glass, o relógio Peeble, a pulseira Lifeband Touch, etc) e outros ainda devem surgir com o tema “Internet das coisas” decolando de vez. Provavelmente teremos muitos deles em casa. Porque não dá para acreditar que um único form factor seja o melhor sempre. Se alguém acreditar nisso, por favor me diga: qual a “melhor louça de todas” para ter exclusivamente em casa? Prato raso? Prato fundo? Pires? :)

Fique à vontade para dar sua opinião nos comentários!

A Hipocrisia por trás da “Sustentabilidade”


As pessoas aparentemente acordaram para a necessidade de agir com responsabilidade em relação ao meio ambiente. E os departamentos de marketing já perceberam, há algum tempo, que o tema pode ser explorado comercialmente.

Infelizmente, o que tenho visto é muita exploração comercial do tema e pouca genuinidade nas ações. Muitas empresas estão criando máscaras de sustentabilidade para faturar de todos os lados: seja lucro para a imagem, seja lucro no bolso mesmo, às custas  advinhe de quem? Sim, em cima de você, consumidor!

Os casos clássicos são os das sacolinhas e o das faturas e extratos em papel.
Coincidência ou não, nos dois casos o principal beneficiado não é o planeta, como diz a propaganda enganosa – são as empresas que promovem suas campanhas de redução de custos pintando a própria cara de verde. E o bolso também, só que no bolso é outro verde que entra…

A atitude que desmascara os bancos é o fato que eles querem economizar o papel e o custo de postagem quando o conteúdo é uma necessidade sua, mas não economizam quando o interesse é deles: algum banco deixou de enviar propaganda impressa para você? E num papel que é muito mais poluente, impresso em 4 cores (quando não inclui o dourado). Ah, isso não polui, mas o seu extrato destrói as florestas. Sei, sei…

E o lobby para “proibir” as sacolinhas em supermercados? É um escândalo, e seria ridículo se não fosse uma agressão ao consumidor.
Sacolinhas “sufocam o planeta”? Ok, mas bem que os supermercados tentaram vendê-las, né? Aí elas não sufocavam mais!!! Fizeram furinhos nas sacolinhas, foi?! Poupe-me!!!
O pior é como fazem o consumidor de idiota. Posando de bonzinhos e coitadinhos, os supermercados farão o “FAVOR” de dar sacolinhas até abril. E depois disso? PROBLEMA SEU!

Se os supermercados estivessem REALMENTE preocupados com sustentabilidade, começariam não revendendo produtos com embalagens enganosas. Exemplo? Caixas de sabão em pó do tamanho da de 1 Kg, mas que só contém 900g.
Hoje notei um outro “golpe” interessante: a Colgate faz uma promoção e coloca 2 pastas de dente numa caixa que é do tamanho de 3 pastas. É “legal”, porque a embalagem cita que tem 2 pastas no espaço de 3 (sem dar destaque, é claro), mas é ilegítimo, porque fica clara a intenção de ludibriar o consumidor.

O que o supermercado tem com isso? Oras, supermercadistas entendem de varejo e portanto, de logística. Um caminhão que transporta essas embalagens enganosas anda com somente ⅔ da sua carga, porque ⅓ é espaço vazio para enganar o consumidor.
Isso significa um consumo de 50% a mais de combustível em prol da malandragem. Isso sim, “sufoca o planeta” muito mais do que as sacolinhas.
Se os supermercados estivessem MESMO preocupados com o planeta, recusariam este produto.

E você? Quer mesmo ser sustentável?

Então instale um bom filtro de água em sua casa.
São 2 vantagens imediatas:

1. Economia: 2 copos de água filtrada (cerca de 500 ml) custam R$ 0,0007 (pegue sua conta de água e faça as contas), enquanto uma garrafa de 500 ml água não costuma sair por menos de R$ 2,00. Em outras palavras, a água engarrafada é 2.500 vezes mais cara do que a água filtrada!

2. Sustentabilidade: 1 garrafa de 500 ml possui cerca de 13 gramas de plástico.
Uma sacolinha não pesa nem 2 gramas e costuma ser reutilizada ao menos uma vez.
Tomar uma garrafinha de água, portanto, “sufoca” o planeta 13 vezes mais do que usar uma sacolinha.

Essa hipocrisia no uso do tema causa o problema de sempre: os bons pagando pelos maus. Como as pessoas estão percebendo que muitas empresas só usam o assunto para ter benefício próprio, aquelas que têm preocupação real com o meio ambiente acabarão sendo “colocadas no mesmo saco”, e a questão da sustentabilidade pode cair no ostracismo por culpa dos malandros de sempre… o Planeta lamenta.

Da escravidão a Star Wars: não mudou nada


Ultimamente, os versos de Caetano têm ecoado cada vez mais fortes: “porque Narciso acha feio o que não é espelho”…
Se já podíamos considerar Narciso medíocre por sua atitude, os atuais Neo-Narcisos conseguiram estabelecer novas dimensões de mediocridade autista.
Porque ao contrário do espelho de Narciso, que refletia seu rosto, o espelho dos Neo-Narcisos já vem de fábrica com uma imagem pré-definida.

Os Neo-Narcisos nunca olham para sua verdadeira imagem. Seus espelhos são suas máscaras. Convencem-se de ser a imagem que vêem no espelho, sem questionar se é aquela que gostariam de ser e de ver, mas pior ainda, sem nunca se questionar se aquela é realmente a imagem de si mesmo.
Neo-Narcisos não têm mais nomes, pois seus cargos dizem quem eles são. Não são procurados pelas pessoas pelo que são, mas pelos cargos que exercem.

No espelho, a imagem está feliz, então os Neo-Narcisos precisam também estampar um sorriso no rosto. E no Facebook, e no Twitter… porque precisam manter a coerência com a imagem do espelho.
Para não se deparar com suas imagens reais, utilizam o artifício de esgotar seu tempo. Ou então a “fuga alternativa”: usar o espelho reserva, com magníficas imagens do circo do Stromboli, que dos tempos do Pinóquio para cá andou mudando de nome…

Escravos

Escravos, obedecendo...

Stormtroopers

Stormtroopers, obedecendo...

Neo-Narcisos são zumbificados, como os Stormtroopers de Star Wars, programados para obedecer a uma hierarquia.

A programação é tão intrínseca que os poucos troopers que conseguem se destacar, ao invés de usufruir a opção de serem livres e de quebrarem seus espelhos… criam hierarquias mirins, à imagem e semelhança daquela  que lhes deu origem.

Não é raro que, assim como os escravos que recebiam sua alforria e passavam a comprar escravos, troopers que se libertam das garras do Império montem suas “startups” e imediatamente imprimam cartões com títulos que até então consideravam “opressores”.
O objetivo? “Crescer” e ter muitos troopers a lhes servir.

Os escravos eram negros; os troopers são brancos, mas o modelo é sempre o mesmo…

E o Rei continua nu


Ilustração de Bertall para o conto A Roupa Nova do ReiSe você conhece a parábola d’A Roupa nova do Rei, já deve ter usado a expressão “o Rei está nu”.

Pois os nossos atuais “Reis” continuam elegantemente nus. O problema em afirmar isso é ser chamado de burro pelos atuais “inteligentes”.
Falando abertamente: sou um brasileiro privilegiado. Tive oportunidade de estudar e fazer uma faculdade (com muito empenho e orgulho). Fiz até um MBA (ok, este não exigiu empenho e dele não me orgulho… aliás, eu não recomendo).
Na atual sociedade brasileira, porém, sou considerado um grande burro. Porque só os “inteligentes” enxergam a roupa nova do Rei. E eu só vejo “Reis” totalmente nus.

Eu vejo uma sociedade doente, de escravos brancos fingindo serem felizes e se acabando em antidepressivos, bebidas, consumismo exacerbado e outros subterfúgios.
Vejo uma sociedade materialista, onde um lixeiro honesto não tem honra, mas jogadores de futebol que assassinam gente com seus caros brinquedos, consomem drogas e desobedecem as leis são idolatrados. Isso sem falar nas pessoas que atingem o “sucesso enlatado”, materializado em carros esportivos, iates e jóias, que ofuscam os métodos utilizados para obtê-los.

E os atuais “inteligentes” continuam se auto-enganando, fingindo viver uma vida saudável num ambiente insalubre. Alguns chegam até a se convencer disso, sendo assim considerados ainda mais “inteligentes”. São os “inteligentes” que acham normal pagar 100 mil Reais por um automóvel (que – diga-se de passagem – um americano paga um terço) simplesmente porque, com sua “inteligência”, conseguem obter tais recursos. Ou fingir que obtém, afundando-se em financiamentos plurianuais. E saem todos felizes às ruas, nus em suas “roupas de Reis”, uns fingindo ver os belos trajes dos outros. Todos nus.

E o “esperto alfaiate”, por onde anda?
Este está “no topo da cadeia alimentar”. É ele que inicia todo o processo de nudez, iludindo o primeiro “Rei”.
São os “novos alfaiates” que estipulam, em suas nababescas alfaiatarias, as taxas de juros que serão pagas pelos “inteligentes” peladões.
Eles que determinam os preços insanos nos supermercados da “Realeza in natura”. Eles que fixam valores surreais para ligações telefônicas, planos de saúde, automóveis que tão invisivelmente cobrem a nudez dos “Reis”.

“Reis” que repassam a farsa a seus súditos, pois não se importam em pagar montes de dinheiro por uma bela “Roupa nova” – basta repassar o preço para os plebeus que eles dominam.
Uma pizza custa 10% de um salário mínimo? Sem problemas: aumente o preço do vinho que você revende para 50% do salário mínimo e pague-a com seu enorme lucro. E o “Rei” que compra o vinho? Simples: basta aumentar o preço do terno que ele revende para 2 salários mínimos, com um lucro grande a ponto de manter a ciranda girando… mantendo o desfile de “belíssimas Roupas novas”.

É claro que os “Reis” estão simplesmente girando em falso na sua nudez e na sua ganância, repassando para os “plebeus” o abuso imposto a eles pelos “espertos alfaiates”.
Infelizmente, os “alfaiates” têm se mostrado “espertos” a ponto de realizar mutações que impedem a queda de suas máscaras. E continuam rindo dos “Reis”, que continuam nus, nuzinhos…

Reflita sobre isso e responda silenciosamente para você mesmo, diante do espelho mais nítido da vida que é sua consciência: que roupa você vai vestir hoje?

Socialmedia não é Broadcast!


A discussão envolvendo Socialcast e Broadcast não é uma coisa exatamente nova.
Há quase 2 anos, o grande amigo Celso Pagotti apresentou este assunto em uma palestra no Web Expo Fórum.

Só para resumir as principais diferenças entre os dois modelos:

Broadcast:

Características:

  • Emissor único (anunciante);
  • Grande número de receptores;
  • Mensagem controlada pelo anunciante;
  • Mesma mensagem para todos os receptores;
  • Abrangência associada à mídia utilizada.

Fatores de sucesso:

  • Alcance da mensagem (volume);
  • Memorização.

Métricas mais comuns:

Associadas aos Eyeballs, ou seja, quantidade de pessoas que foram expostas à mensagem.
Para precificar este tipo de mídia, costuma-se utilizar o CPM (Custo Por Mil), que como o nome diz, indica quanto custa para atingir 1.000 pessoas (telespectadores/ouvintes/leitores).

Efeito:

Rápido, de curta duração.

Socialcast:

Características:

  • O emissor NÃO É único, e pode não ser o próprio anunciante;
  • A mensagem pode ser introduzida pelo anunciante, mas também pode ser modificada pelos difusores (ou seja, a mensagem se “molda” conforme flui nas redes [sociais]);
  • Não há controle central;
  • Abrangência associada à relevância e à aceitação da mensagem [ou ao repúdio].

Fatores de sucesso:

  • Engajamento de difusores;
  • Alcance da mensagem (volume);
  • Recomendações.

Métricas mais comuns:

Associadas à difusão espontânea da mensagem: Likes e Shares no Facebook, RT’s no Twitter, +1’s no Google+, avaliações positivas (ratings), re-postagens em blogs e plataformas de mídias sociais.
Além disso, métricas relacionadas a volume também são importantes (acessos a landing pages, vídeos no Youtube, CTR (Click-Through Rate), CPA (Cost Per Action), CR (Conversion Rate).

Efeito:

Lento, de longa duração.

Então não é tudo a mesma coisa…

A atuação das empresas deve se adequar a cada modelo.
Infelizmente, o mercado vem utilizando as plataformas de mídias sociais – que são totalmente compatíveis com o Socialcast – da mesma forma que estavam acostumadas a fazer com o Broadcast.
Uma oportunidade desperdiçada, sem dúvida.

Não é à toa que vemos tanta dificuldade em comprovar o ROI (Retorno do Investimento) de “ações em mídias sociais”.
Se a cabeça é de Broadcast, esperando retorno da mesma forma que se fazia com mídias tradicionais, não é raro ver gente “maquiando relatórios” para justificar o investimento, porque a ferramenta não é a mais adequada para obter o resultado esperado.

O erro mais comum é a expectativa de resultado rápido. A menos dos famigerados virais, Socialmedia não dá resultados de imediato. É um trabalho de médio e longo prazo, porque não estamos falando simplesmente de Eyeballs. Estamos falando de relacionamento, e bons relacionamentos não se constróem de uma hora para outra.

Virais

Ok, virais encaixam-se na categoria Socialcast e podem ter um poder de difusão alucinante, apresentando assim uma resposta extremamente rápida.
O controle sobre virais, no entanto, é praticamente nulo. Por mais que seja possível produzir um conteúdo com um bom “poder de viralização” – seja por ser polêmico, engraçado ou ousado – é muito difícil prever a reação das pessoas na rede.

Por que as pessoas saíram repetindo uma bobagem como a da Luiza no Canadá? Porque essa bobagem e não outra?
Além disso, virais são como fósforos: uma vez utilizados, não funcionam de novo. Perdem seu brilho. Vide a tentativa frustrada de quem soltou a Luiza [sem querer] e tentou, em vão, usar a mesma receita para “viralizar” de novo…
Não caia na ladainha dos “piratas das mídias sociais” que prometem “soltar um viralzinho”.

Por fim, virais podem ter efeitos extremamente negativos. Mais do que fósforo, pode virar nitroglicerina!

Relacionamentos

Se estamos falando de mídias SOCIAIS, é claro o assunto é relacionamento. E relacionamentos exigem tempo para serem construídos… ou não!

Alguns relacionamentos acontecem puramente por interesse. Estes podem ser estabelecidos de forma praticamente imediata.
Na verdade, são relacionamentos transacionais muito mais do que sociais. As partes concordam na troca que existirá e a troca é realizada.

O exemplo mais clássico é a troca de RT’s ou Likes por “pirulitos” (o preferido – e menos criativo – costuma ser o iPad).
Alguns profissionais vendem a participação em sorteios (ou quando não dá tempo, “concursos culturais”) como engajamento, e os Likes “comprados” dessa forma como índice de relacionamento. Vou deixar que você tire suas próprias conclusões…

Socialmedia sendo usada como ferramenta de Broadcast

Sorteios são ações muito comuns no mundo Broadcast. É uma forma eficiente de atrair Eyeballs.
Afinal, quem não quer levar alguma coisa de graça? Esse apelo permite que um número muito grande de pessoas seja exposta a uma mensagem, o que contribui para que se apresente um bom CPM.
No mundo Broadcast, o profissional que atinge mais gente com sua mensagem, com os menores custos, é o melhor.

O problema é quando plataformas de Socialmedia são usadas com essa mentalidade, ou seja, mais como “mídia” do que como “social”.
A receita, numericamente (e para efeitos de relatório), pode até acabar funcionando, uma vez que mistura dois ingredientes eficientes: algo sendo distribuído gratuitamente e uma plataforma onde as pessoas podem avisar os amigos sobre a barbada.

O efeito de difusão através dos laços sociais da rede até possui um componente associado a relacionamento. O ponto é que o relacionamento só existe na fase de difusão.
Não existe relacionamento entre empresa e potenciais consumidores, porque o acordo é meramente transacional: “você me dá um Like e eu te dou um pirulito”.
O “relacionamento” termina junto com a transação, no exato momento em que o vencedor do sorteio é anunciado: o vencedor fica feliz por ter ganhado seu pirulito (mas não se tornará, necessariamente, cliente da empresa) e a multidão dá as costas com aquela sensação de “Aaaahhhh”. E fim.

Como os Likes continuam na fanpage da empresa, o relatório indica um tremendo sucesso. A questão é: “E depois do Like?”.

Como combinar Broadcast e Socialcast?

Se você leu até aqui, deve estar achando que eu sou defensor do Socialcast e crítico do Broadcast. Acertou a primeira, mas errou a segunda parte.
Apesar de fascinado por Socialmedia, acredito que o Broadcast continuará tendo seu papel. O sucesso estará exatamente na dosagem primorosa dos dois modelos.
O fato de cada um ter características diferentes não quer dizer que um seja MELHOR do que o outro. O ideal é utilizá-los de forma complementar.

Já vimos que o Broadcast é eficiente para resultados imediatos, mas que podem não ser duradouros. É normal ver vendas voltarem aos padrões “normais” após o encerramento de campanhas Broadcast.

O Socialcast, por sua vez, possui uma ação mais duradoura, pois relacionamentos efetivos podem ser construídos (se as ferramentas forem usadas corretamente). Só que isso leva tempo…

Por que não chegar ao melhor dos dois mundos?

Se um modelo complementar o outro, a empresa pode colher os melhores frutos:

  1. Agilizar a difusão do Socialcast com auxílio do Broadcast
  2. Manter os efeitos do Broadcast com auxílio do Socialcast

Como engenheiro, não poderia deixar de publicar um gráfico para ilustrar a vantagem do uso conjunto Broadcast-Socialcast:

Quando Socialmedia mostra que é Social de verdade


Ontem o Brasil foi testemunha de uma tragédia incomum: o desabamento de 3 prédios no centro do Rio de Janeiro.
O fato foi noticiado de uma forma que infelizmente já virou praxe na imprensa nacional, com desinformação, pouca pesquisa e pouca checagem dos fatos e das fontes. Eu, pessoalmente, tenho lá minhas desconfianças, uma vez que a foto que consta do local no Google StreetView mostra placas de obras que nenhum repórter se deu o trabalho de pesquisar… mas vamos deixar as investigação com as autoridades, até porque não temos outra opção…

O que quero levantar aqui é outra questão. Um gesto bonito perante cenas tão horrorosas.

NUVA Agência

A agência onde trabalham @JoseTelmo@GugaAlves e @PabloAugusto ficava num dos edifícios que desmoronou. Felizmente, eles estão todos bem, e isso é o que mais importa.

Os profissionais que trabalham com mídias sociais, sensibilizados, tiveram uma atitude que dá sentido à escolha da área em que trabalham, especificamente à palavra “Social” em Socialmedia.

Vaquinha para NUVA

Quase que imediatamente, o “pessoal da Socialmedia” usou as próprias mídias sociais para tentar minimizar o impacto sofrido pelos amigos da NUVA. Ricardo Martins (@ricardopmartins) e mais 7 amigos (@edstorini, @reifison, @camilocoutinho, @rafaelsalgado, @helemoura, @ocarti e @pabloalmeida) decidiram criar uma “vaquinha” para ajudar na reconstrução da agência que ficou reduzida, literalmente, a pó.

Eles usaram este site para coletar doações, independentemente de valor, para ajudar os amigos. Nesta hora, quem trabalha em outras agências deixou de ver uma “concorrente” e passou a ver companheiros, num gesto leal, nobre e bonito de doação para a reconstrução da NUVA. Cada um doou o que poderia doar, e mais do que o dinheiro, tenho certeza que o gesto e as palavras ali deixadas trarão muita energia para que a NUVA retorne o mais breve possível ao mercado, revigorada e orgulhosa pelas amizades que construiu ao longo do tempo.

Até o momento (com somente 1 dia de vaquina) já foram arrecadados R$ 11.000,00. Pode não ser dinheiro suficiente para re-estabelecer a NUVA fisicamente, mas tenho certeza que será uma “pedra fundamental” muito sólida, que motivará cada um de seus integrantes a voltar à ativa com muito vigor. Porque nessa quantia, tem muito mais sentimento do que cifrões.

Parabéns aos “socialmedias”

Nem todo mundo que contribuiu era amigo pessoal da turma da NUVA. Muitos nem os conheciam pessoalmente. Porém, muita gente solidarizou, mostrou empatia e soube se colocar no lugar do outro. Achei isso um gesto bonito e contagiante. Tive orgulho da “categoria”, e fico muito feliz por saber que existem tantas pessoas assim.

Vaquinha para NUVA é um gesto totalmente SOCIAL, digno de quem se propõe a usar essa palavra no seu dia-a-dia de trabalho.

Parabéns, “socialmedias”. E muita força e muita energia para a reconstrução da NUVA.

PS: E você, já ajudou os amigos da NUVA? O link é esse.

Editado em 31/01/2012 (inclusão dos nomes dos criadores da vaquina. Obrigado pelas informações, Ricardo).

%d blogueiros gostam disto: