A Margem de Incompetência
09/12/2011 6 Comentários
Recentemente, o jornalista Joel Silveira Leite publicou um artigo corajoso, mostrando que o alto preço que os brasileiros pagam por automóveis não tem origem somente nos impostos.
O que torna os carros vergonhosamente caros no Brasil é o lucro abusivo que é praticado pelo oligopólio da indústria automobilística brasileira.
Leite mostra que a margem de lucro no Brasil é muito superior à de outros países, e parafraseando o termo “Custo Brasil”, cunhou o “Lucro Brasil”.
Do “Lucro Brasil” à “Margem de Incompetência”.
Já que estamos falando de novos termos, introduzo aqui uma nova métrica: a “Margem de Incompetência”.
Esse indicador reflete o quanto a ineficiência, a politização, os favorecimentos pessoais e a falta de ética tornam nossos produtos mais caros. Não estou falando de impostos, custos de transporte numa infraestrutura precária ou riscos maiores. Estou sugerindo mensurar somente o impacto da incompetência.
Afinal, aquele gerente que fica o dia inteiro fazendo política e nada agrega ao time tem um custo (e alto), e alguém tem que pagar por isso. Sinto informar que é VOCÊ.
Se a margem de lucro for pequena, não existe espaço para ineficiência, para protegidos, para nepotismo nem para “jeitinhos”. Num ambiente profissional e competitivo, para manter a estrutura saudável a empresa precisa ter lucro baseado em competência e eficiência.
Podemos verificar isso em mercados de países desenvolvidos, onde a concorrência acontece de verdade. Na Europa, nos Estados Unidos, no Japão, no Canadá, a mão de obra é bem mais cara do que no Brasil.
Sim, mesmo com todo aquele #mimimi que aqui o imposto é alto, contratar um europeu, um americano ou um japonês é muito mais caro do que um brasileiro.
Então como eles conseguem ter preços mais baixos com custos mais altos?
Há dois fatores aqui:
- Margem de lucro menor
- Margem de incompetência menor
Margem de lucro menor
Analise o caso dos bancos. Compare as taxas cobradas por bancos brasileiros e por bancos em países desenvolvidos. Aqui acontece praticamente um estupro financeiro dos clientes.
Agora compare o custo de um minuto do celular no Brasil e no primeiro mundo. Mesma situação. Automóveis. Seguros. Planos de Saude. TV a cabo. Preciso continuar?
Margem de incompetência menor
Se a margem de lucro em países desenvolvidos é relativamente pequena, praticamente não cabe margem de incompetência. Eles TÊM que otimizar processos. Eles TÊM que trabalhar de forma eficiente. Eles TÊM que eliminar gerentóides caros e desnecessários!
E no Brasil?
Aqui, temos algumas estruturas onde a margem de lucro é tão grande que cabe confortavelmente uma boa Margem de Incompetência.
Isso proporciona, inclusive, segurança para quem está no poder, porque criando uma estrutura na base do favor e do “rabo preso”, a posição de comando fica mais estável. Praticamente inabalável, porque os vassalos sabem que, por serem incompetentes, não encontrarão outra “boquinha” assim tão fácil. O dono do poder, por sua vez, prefere manter uma camada de “cordeirinhos” passivos e obedientes, isolando-os da camada produtiva (que além de fazer todo trabalho, ainda têm que consertar os desmandos e a má-gestão da camada de gerentóides acima deles).
Ganham os incompetentes. Pagam o pato os competentes e os consumidores.
É claro que não podemos generalizar – temos empresas no Brasil que trabalham de forma eficiente.
Infelizmente, porém, há um contingente de empresas que ainda pode se permitir uma grande Margem de Incompetência.
O que você pensa disso? Concorda com esta visão? Conhece ambientes com alta e baixa Margem de Incompetência?
Por favor, compartilhe, discuta, comente!








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