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	<title>gestão de pessoas &#8211; LPalma.com</title>
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		<title>Parem com o &#034;GO, GO, GO&#034;!</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Dec 2015 17:29:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[O ritmo de nossas vidas nunca foi tão insano. Queremos resultados imediatos, e quando os conseguimos, queremos mais resultados e ainda mais rápidos. Cada lemming que consegue chegar mais rápido ao abismo faz com que o próximo da fila acelere ainda mais seu passo… Junte-se a isso o fato de vivermos em estruturas hierarquizadas, com &#8230;<p class="read-more"> <a class="" href="https://lpalma.com/2015/12/23/parem-com-o-go-go-go/"> <span class="screen-reader-text">Parem com o &#34;GO, GO, GO&#34;!</span> Leia mais &#187;</a></p>]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="graf--h3">O ritmo de nossas vidas nunca foi tão insano. Queremos resultados imediatos, e quando os conseguimos, queremos mais resultados e ainda mais rápidos. Cada <a class="markup--anchor markup--p-anchor" href="http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-lemingues-se-atiram-no-mar"><em class="markup--em markup--p-em">lemming</em></a> que consegue chegar mais rápido ao abismo faz com que o próximo da fila acelere ainda mais seu passo…</p>
<p class="graf--p">Junte-se a isso o fato de vivermos em estruturas hierarquizadas, com uma linha de comando e controle digna dos séculos passados. Quem está em cima manda, quem está embaixo “que crie juízo”.</p>
<p class="graf--p">Ao contrário do que propôs Newton, porém, nessas estruturas os benefícios “caem para cima”. E os beneficiados querem sempre mais e mais, e sempre mais rápido. Surge então a teoria da motivação: é necessário um mecanismo que mantena a fila de <em class="markup--em markup--p-em">lemmings</em> andando cada vez mais rápido.</p>
<p class="graf--p">Chicotes fizeram seu papel por algum tempo, com uma eficiência razoável, porém a humanidade começou a achar um pouco demais. Os chicotes foram trocados por espelhos e depois por cenouras, elegantemente batizadas com um termo importado: “bônus”.</p>
<p class="graf--p">Os treinamentos e eventos rotulados como “motivacionais”, se olhados a 10.000 pés de altura, beiram o ridículo. Nenhum funcionário quer participar, mas “pega mal” faltar. O diretor vai abrir o evento (e voltar para sua luxuosa rotina depois de falar 10 minutos, porque ele é importante demais para passar o dia todo com pessoas “normais”). O chefe vai fazer chamada — não de forma idêntica à que era feita na escola, mas uma “chamada psicológica”. É melhor não comprometer o plano de carreira. É melhor ir.</p>
<p class="graf--p">O consultor que coordena o adestramento não tem ideia do que é o dia a dia de quem está lá, porque o “briefing” foi feito no ar-condicionado do gerente, que mostrou o lado reluzente da equipe (aquele que normalmente não existe fora dos relatórios) e passou a lição de casa para o consultor, ou seja: o plano infalível para atingir os números que dão direito à sua grande cenoura, sejam esses números reais, relevantes, factíveis ou não. Eles precisam constar do relatório final. Bingo!</p>
<p class="graf--p">Aí entram os “gritos de guerra” motivacionais. Um dos mais conhecidos é o “Go, go, go”. Ele é tão tribal e tão intimidador que alguns funcionários acabam repetindo-o, provavelmente movidos pelas regiões primatas do cérebro.</p>
<p class="graf--p">O problema do “Go, go, go” é que ele está no imperativo. Não se motiva no imperativo. Se alguém está motivado para fazer alguma coisa, ele não precisa receber uma ordem para fazê-lo. Muito pelo contrário, um funcionário muito motivado tem que ter o apoio do chefe para PARAR de fazer o que está motivadamente fazendo: “<em class="markup--em markup--p-em">Fulano, você está trabalhando demais. Seu trabalho é excelente e é inspirador ver você tão motivado, mas você também precisa cuidar se sua saúde física e mental. Pare por hoje e divirta-se um pouco. E parabéns pelo que você já fez! Estou impressionado com seu desempenho!</em>”. Se você nunca ouviu nada parecido de um chefe, me desculpe, mas você nunca teve um bom chefe.</p>
<p class="graf--p">Outro problema do “Go, go, go” é que ele é um tanto covarde. Quem ordena “Go, go, go” manda O OUTRO para o front. Ele mesmo, não vai. “<em class="markup--em markup--p-em">Go, but YOU go</em>!”. Além da motivação de verdade não precisar de ordens, o líder de verdade sempre “vai” junto com o time. E o time QUER ir, ninguém precisa mandar. O mais aceitável seria um “Let’s go!” (o que indica que o líder também vai), ou melhor ainda, um “Let’s keep going!”. O líder já está envolvido, e quer continuar envolvido. Todo mundo quer ir, não é o chefe que manda que OS OUTROS vão.</p>
<p class="graf--p">Da próxima vez que lhe vier à mente dizer “Go, go, go”, pare e pense. Você pode estar sendo um <em class="markup--em markup--p-em">lemming</em> que está se auto-empurrando para o abismo, ou você pode estar sendo um chefe explorador e injusto, que manda seus funcionários para o abismo, mas que não quer saber de se expor e nem de suar a camisa. Aquela camisa, aliás, que você mesmo disse no começo do treinamento que todo mundo tem que vestir…</p>
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