Membro Embaixador do Campus São Paulo – a Google space

Membro Embaixador do Campus São Paulo – a Google space

Ontem, 20/10/2016, foi um dia especial para mim.

Após cerca de 4 meses de convívio com esse espaço incrível que é o Campus São Paulo, fui agraciado com uma surpresa que me deixou muito honrado: o título de “Membro Embaixador” do Campus São Paulo – a Google space.

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Este reconhecimento já me deixou muito feliz, mas minha satisfação foi muito além do título em si. Olhar para o lado e ver uma dezena de embaixadores também apaixonados pelo conceito do Campus, sentir o espírito colaborativo de cada um deles, o brilho nos olhos e a vontade de fazer do Campus um lugar cada vez melhor – com a mesma paixão com que arrumamos nossa casa para receber amigos – é algo que não tem preço!

Fazer parte disso é uma honra. Ser recebido pela fantástica equipe que compõe o Campus e receber o carinho de cada um deles é um presente muito generoso que essas pessoas especiais nos proporcionaram.

Estou mais motivado do que nunca para falar sobre o Campus, mas hoje quero celebrar algo ainda mais especial: o fato de ver, finalmente, uma gigante de tecnologia mostrar que entendeu o espírito de Comunidade. O Campus já é uma expressão dessa visão acertada e genuína, mas o projeto de Membros Embaixadores estabelece um novo padrão na relação entre empresas e Comunidade. O time do Campus foi brilhante no conteúdo e na forma:

  1. Reconhecimento “now that”
    De acordo com Daniel Pink, o ser humano só desenvolve soluções criativas quando motivado de forma intrínseca. Ao contrário dos processos clássicos de motivação extrínseca (adotado pela esmagadora maioria das tentativas de motivar pessoas), que utiliza o modelo “if-then”, ou seja, “se você fizer isso, eu te dou aquilo”, o modelo “now that” – que visa a motivação intrínseca – reconhece um resultado após ele ter sido realizado. Se alguém realiza algo sem uma “cenoura” na frente, com certeza essa pessoa já está motivada (de forma intrínseca), mas quando esse tipo de reconhecimento chega (sem aviso prévio e sem nenhum “cumprimento formal de promessa”), a motivação é extremamente potencializada.
    Adivinhem se os Membors Embaixadores não estão com o medidor de motivação em 100% e mais um pouco… rs rs rs
  2. Obrigado. Gostaríamos que vocês continuassem fazendo o que já fazem
    Isso foi emocionante. Ouvir isso do time do Campus mostra que eles realmente estão 100% sintonizados com a Comunidade. Participam dela, convivem com as pessoas no dia-a-dia, conhecem os membros ativos pelo nome e por suas qualidades (e defeitos – alguns costumam esquecer o crachá, por exemplo… rs rs rs).
    Mais do que a participação ativa e genuína – coisa que está no sangue dos Googlers que gerenciam o Campus – a empresa mostra um profundo conhecimento e respeito pela dinâmica da Comunidade: não pediu nada em troca. Não colocou metas, receitas de bolo ou diretrizes para honrar o título de Membro Embaixador. “Só gostaríamos que vocês continuassem fazendo o que já fazem“. O peso (positivo) dessa frase é incrível. Ela carrega não só reconhecimento, mas é uma demonstração de confiança excepcional (e bastante rara no mundo corporativo). É como dizer: “Nós acreditamos naquilo que vocês acreditam. Nós confiamos nas ideias de vocês, e temos tanta certeza que vocês fazem coisas pelo Campus por paixão e de forma genuína, que estamos deixando vocês livres para fazerem o que vocês acham que é certo. NÓS CONFIAMOS EM VOCÊS“.
    Cá entre nós… você que tem uma relação de funcionário com sua empresa, quando foi a última vez que você ouviu isso de forma verdadeira? E que outra empresa diz isso para alguém que não tem nenhuma relação formal com ela? Pois é… o Google sempre levando os padrões para níveis mais altos…

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  3. Sem benefícios materiais pomposos
    Sim, você leu certo. Achei FANTÁSTICO que não tenha havido benefícios materiais de grande calibre. Nada de gadgets caros ou qualquer outro presente invejável que pudesse desviar a motivação intrínseca para algo extrínseco. Sim, rolou um “pin” lindo para colocar no crachá, um caderno tipo Moleskine de muito bom gosto (e de papel reciclado), uma camiseta, uma caneta e adesivos. Mimos para agradar sem extravagância. E isso foi simplesmente PERFEITO! Porque ponho minha mão no fogo que nenhum Membro Embaixador fez nada do que fez, ou fará alguma coisa no futuro, visando algum benefício material. Simplesmente não é essa a “pegada” de quem atua em Comunidade. Quem estimula a Comunidade através de presentes caros não entendeu absolutamente NADA de Comunidade. Voltando a Dan Pink, Comunidade é “now that”. Presente caro é “if-then”.
  4. Mi casa, su casa
    Acredito que todo Membro Embaixador já considere o Campus São Paulo uma extensão da sua casa. Ontem o time do Campus foi além. Chamaram-nos para dentro da casa deles, ou seja, nos levaram para o seu escritório, aonde o pessoal coloca as fotos da família, para nos agraciar com o título. Fizeram com que nos sentíssemos ainda mais em casa. Fizeram-nos sentir – ainda mais – parte do Campus. E para quem não ainda não conhece o Campus, eu faço questão de apresentar. Afinal, “mi casa, su casa”.
  5. Escolhas com muito “feeling”
    Aqui vou falar dos outros Membros Embaixadores. Conhecia alguns, outros já tinha visto, outros nem conhecia. A prova cabal que eu estava envolto de gente com espírito de Comunidade veio quando a “Ká”, ao agradecer pelo reconhecimento, já começou a pensar nas pessoas da Comunidade que não receberam o título. Ela se preocupou em analisar como se comportar para que ninguém se sentisse excluído, para garantir que essas pessoas vejam nesse título muito mais uma motivação do que um não-reconhecimento por quem eventualmente não o obteve. Eu achei INCRÍVEL. Era o dia de celebração da pessoa, mas ela continua pensando nos outros. Tem como imprimir mais “Kás” em impressora 3D, por favor?!

Como vocês perceberam, o Campus São Paulo é um espaço com muitas surpresas. A magia do local é tão grande que não caberia num post, então prometo que vou retomar o assunto com frequência para compartilhar o máximo que eu puder sobre esse projeto maravilhoso que é o Campus.
Estou muito feliz e honrado.
À equipe do Campus, MUITO OBRIGADO!!!🙂🙂🙂

Volta, Lego!

Volta, Lego!

Achei maravilhosa essa mensagem da Lego dos anos 70.
Vou aproveitar o embalo para contar uma história rápida que aconteceu hoje.
Fui a um evento e perto de onde sentei havia um garoto com sua mãe. Uns 5 anos, imagino. Estava com muitos Legos para bricar durante o evento (e se comportou super bem).
Não resisti (não resisto a crianças, em especial as bem educadas) e fui brincar com ele. Achei o máximo o fato dele logo oferecer seus Legos para o “tiozinho” aqui. Perguntei o que ele iria fazer, e ele logo respondeu: Um robô! Lancei o desafio de quem faria o maior robô.
Claro que o dele ficou maior e muito mais bonito do que o meu.
A única parte da história que lamentei foi que enquanto eu procurava peças para fazer alguma coisa minimamente parecida com um robô humanóide, o garoto procurava as peças “certas”, peças “especializadas” (braço, perna, cabeça, etc), para montar o robô pré-estabelecido pelas peças que devem ter vindo numa caixa específica de um robô de Lego.
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Fiquei pensando se a Lego perdeu sua essência.
Como crianças vão criar algo se a “resposta certa” já está definida? Afinal, o mais bonito do (antigo) Lego é isso: as peças quadradas não são nada sozinhas e podem ser qualquer coisa juntas!
Por menos Legos com “peças prontas”. Por um mundo mais simples, com peças simples, e muito mais liberdade para criar, fantasiar, enfim, SER CRIANÇA!

Google I/O 2016

Google I/O 2016

Este ano consegui realizar algo que há tempos desejava muito: participar de um Google I/O.
As expectativas mal cabiam na mala. Lá vamos nós para a Califórnia, San Francisco Bay Area, Vale do Silício…

Prólogo

Eu ainda não conhecia o Vale. Fiquei impressionado com a região!
Só como exemplo, visitei a “California Academy of Science” e os monitores do local davam um show de conhecimento e didática. O que achei muito diferente, porém, estava do outro lado. Um público extremamente interessado no conhecimento, acompanhando as explicações (nada superficiais), entendendo tudo e fazendo perguntas inteligentes.

Isso me fez lembrar do que presencio no museu “Catavento” recorrentemente (e que me deixa muito triste). Pais que levam as crianças lá como se fosse um playground. Ao invés de ler e explicar as experiências para os filhos, os deixam rodar as manivelas de forma bem pouco cuidadosa, colocando em risco não só o próprio filho, mas também a instalação do museu. Conhecimento adquirido? O mesmo de rodar um registro de água na rua…

O material humano do Vale do Silício é realmente de primeira linha. Não dá vontade de voltar, ainda mais considerando o atual momento de irracionalidade do Brasil.

O evento

Gostei do keynote. O Google apresentou o “Google Assistant“, que se propõe a utilizar toda a inteligência que a empresa tem em seu motor de busca para ajudar as pessoas a realizar atividades do dia a dia. Onde ele se diferencia do Siri ou do Cortana? Ele tem o Google por trás. Aquilo que todo mundo faz, de sacar o celular e pesquisar no Google o termo ou a informação que surgiram na discussão, o Google Assistant faz para você, com velocidade e conforto.

O “Google Home” também vai além do “echo” da Amazon. Ele é a versão em hardware do Google Assistant, e sua proposta é a integração com toda a sua casa. Nos stands do evento, foram demonstradas muitas soluções de automação residencial que podem ser controladas, por voz, através do Google Home.

Allo” vem para incomodar o Whatsapp. Muita inteligência artificial por trás dele, para que você, além de conversar com seus amigos, tenha sempre o motor do Google Assistant para ajudar durante a conversa, como um “concierge” de informações. Boa proposta, mas que vai enfrentar um degrau bastante alto para conquistar o mercado de troca de mensagens. Por outro lado, o nome Google deve ajudar.

O Android “N” não chegou a trazer novidades radicais, mas arrancou de todos uma expressão de alívio com o anúncio do fim daquele momento “otimizando aplicativo 3/96” quando você precisa usar o telefone…
Meu prognóstico para o nome? Nutella, claro!!!

Outra coisa que gostei muito foi o anúncio das “Instant Apps“. Com esse recurso, você não precisa instalar a aplicação para utilizá-la. Somente os componentes necessários são automaticamente baixados, sem a necessidade do processo de instalação. Esse recurso me fez até pensar em migrar o DESQUEBRE, que é uma aplicação híbrida, para nativa, pois ela se encaixa perfeitamente nesse conceito.

As sessões? Falarei mais tarde sobre as sessões…

A mudança

A mudança mais radical do evento foi o local. Do tradicional Moscone Center em San Francisco para o Shoreline Amphitheatre em Mountain View. O evento passou a ser ao ar livre, num clima de festival. Houve shows e música à noite, em instalações que davam um ar de “rave” ao evento.

Apesar de muito bem-vinda no conceito, essa mudança trouxe alguns problemas. Após o keynote, formaram-se filas muito, mas muito grandes para assistir às sessões. E o sol estava castigando. Os bebedouros secaram. E muita gente ficava para fora porque as salas, subdimensionadas, lotavam rapidamente. Isso impossibilitou assistir mais do que 2 ou 3 sessões por dia, o que foi um ponto extremamente negativo do evento. Frustrante, eu diria.

As sessões

Pois então. Não pude entrar em muitas, por conta das filas. Estava super ansioso para me atualizar sobre o Design Sprint e saber como ele vem sendo aplicado, mas somente quem passou muito tempo ao sol quente, na fila, conseguiu essa proeza.

Das poucas sessões que consegui assistir, o que achei interessante foi o enfoque no Firebase como solução para criar aplicativos de forma simples e rápida. O modelo “real-time” do banco de dados do Firebase é realmente interessante, e para quem quer desenvolver uma solução de chat, por exemplo, é “killer”.

Também não consegui fazer “Code Labs” porque… tinha que ficar em alguma fila se quisesse assistir alguma sessão. O Google precisa rever completamente essa questão, pois esse fator prejudicou demais o evento e seus participantes.

O networking

Fantástico. Conversei com muita gente boa sobre uma proposta que pretendemos trazer através do Google Business Group São Paulo: o Startup Journey. Vale acompanhar o meetup do GBG São Paulo se você se interessa pelo tema.

Além disso, deu para conhecer algumas pessoas e rever muitas outras, porque a um certo ponto, a galera acabava desistindo de ficar nas filas e preferia investir o tempo em socialização e networking.

A cereja [faltando] no bolo

Uma tradição do Google I/O é a distribuição de gadgets para os participantes. Ao decidir se investia ou não na minha ida ao I/O (em fase de grana curta e estabelecimento de uma empresa), o argumento de um amigo me motivou: “você recupera a grana do ingresso só pelos gadgets que eles dão”.

Pois bem… este foi o primeiro ano de Google I/O sem brindes!

Como tuitei na hora que fiquei sabendo disso: o Google I/O virou Google “o-oh”. Nada de brindes. Ninguém foi para lá só por causa dos brindes, mas todo mundo tinha essa expectativa. Grande frustração.

Epílogo

O evento foi bom, mas bastante decepcionante para mim.
Esperava conseguir participar das sessões que tinha me planejado antecipadamente e esperava conseguir absorver mais informações e conhecimento.

O sol escaldante do primeiro dia e o frio congelante do último nos expuseram a um “desafio de sobrevivência” e trouxeram desconforto e dificuldades para tirar proveito do evento.

A menos que o Google demonstre de forma muito taxativa que os problemas de logística serão resolvidos nas próximas edições, não consigo me entusiasmar em realizar o investimento necessário para participar novamente de um evento desse (os custos no Vale são muito altos), nem recomendar para meus amigos que o façam.

 

Não se iluda com a Inovação

Não se iluda com a Inovação

Antes de começar meu raciocínio, gostaria de contextualizar o autor desse post.

Sou engenheiro convicto. Daquele que já sabia que seria engenheiro desde os 10 anos, ou até antes. Sempre quis entender como as coisas funcionavam, dos objetos da casa às invenções impossíveis dos desenhos animados (e sim, eu me desesperava em pensar quem iria arrumar a bagunca que o Jerry Lewis fazia em seus filmes…)

A Física, a Matemática e a Engenharia me entusiasmavam porque conseguiam modelar o mundo real através de suas fórmulas (eu odiava o “despreze os atritos” dos enunciados – aquilo não era real!).
Conviver com todas essas fórmulas me fez entender que os fenômenos da natureza são analógicos e seguem curvas contínuas. Nenhuma mudança é instantânea. Se parecer, é porque a amostragem foi lenta demais.

Para mim, uma das coisas mais excitantes e “mind blowing” foi descobrir as séries e entender a decomposição de sinais em suas harmônicas. É revolucionário descobrir que um pulso não existe como o imaginamos. Nada vai de 0 a 5 Volts imediatamente. A tensão passa por todos os valores (ainda que passe muito rapidamente pelos valores entre 0,01V e 4,99V) e mais: a tensão não consegue parar imediatamente em 5 Volts. Ou colocamos um capacitor para “suavizar” essa chegada aos 5 Volts, ou teremos um pico maior do que 5 Volts, depois voltaremos para um pouco menos do que 5, depois um pouquinho mais, até estabilizar em 5V…

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Um pulso em sua intimidade…

Toda essa teoria pode soar chata para muitos, mas é muito mais reveladora do que parece. Isso vale para a natureza, não só para circuitos eletrônicos!

E o que isso tem a ver com Inovação?

Na realidade, o comportamento da tensão em um pulso tem grande analogia com a curva de adoção de inovações tecnológicas!

Dê uma olhada no gráfico abaixo, que representa o “Gartner Hype Cycle“. Você não vê uma semelhança?
Essa curva é genérica (assim como a curva acima) e suas intensidades e valores absolutos podem variar de acordo com a tecnologia ou produto sendo introduzidos no mercado, com fatores econômicos externos ou com inúmeras outras variáveis.
É muito comum, porém que o padrão da curva seja observado.

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Gartner Hype Cycle

OK, e eu com isso?

Quem está buscando introduzir alguma inovação no mercado deve entender essa curva, porque ao planejar algo inovador, é necessário fazer previsões sobre a adoção de seu produto ou serviço. Quanto melhores suas previsões, maior será seu sucesso (se as coisas saírem melhores do que você previu, não será mérito seu: terá sido sorte!).

O problema é que muita gente se excita com a evolução da primeira parte da curva. Há quem acredite que esse crescimento será para sempre, ou que a curva se estabilizará num valor próximo ao seu pico. E é aí que muitos quebram a cara! Lembro, nos meados dos anos 90, de projeções para o crescimento da Internet. O pessoal simplesmente projetava uma parábola com base no começo da curva. De acordo com alguns “especialistas”, há uns 10 anos já deveríamos ter um número praticamente infinito de pessoas conectadas à Internet…

O bom empreendedor tem que ter um faro aguçado para antecipar ao máximo o que vai acontecer. Ele tem que ser capaz de “enxergar além do que os outros enxergam”. Claro que ele também terá que reagir às mudanças que ocorrerão, mas isso é simplesmente uma questão de fazer de novo algo que ele já aprendeu a fazer bem: analisar as variáveis e projetar bem as curvas – ainda que tenha que fazer isso recorrentemente!

E como uso essas curvas?

As curvas mostradas nesse post são conceituais, portanto não trazem valores absolutos. Só você será capaz de projetar a curva de adoção para seu negócio (ou talvez um concorrente direto seu, mas nesse caso, é bom que você seja melhor do que ele nisso…).

É importante ter consciência que existe um pico do “hype”. As vendas de iPhone estouram a cada lançamento, mas 3 ou 4 semanas depois, elas não mantém o mesmo ritmo. Já imaginou se os analistas da Apple não conhecessem este “fenômeno” e projetassem suas vendas com uma curva de crescimento simples? Imaginem quanto eles errariam nas projeções de investimento em produção, marketing, logística, etc, na hora que se deparassem com uma realidade assim?

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Vendas de iPhones por trimestre

Inovar é bom, mas como tudo na vida, o preparo é o melhor tempero para o sucesso. Estudar disciplinas como Física e Matemática é fundamental para ter sucesso no mundo da tecnologia. Porque para ter ideias inovadoras é necessário ter criatividade e motivação, mas para fazer as mudanças acontecerem, é preciso muito estudo, muito preparo, muita análise e, acima de tudo, muito trabalho. Como trabalhar cansa, utilize tudo aquilo que você aprendeu em seus estudos para que esse trabalho não seja em vão. Não se deixe iludir pelo brilho da curva inicial de adoção de seu produto. Lembre-se que você tem que colocar na conta os porcentuais de expectativas infladas, o porcentual de desilusão, o porcentual de persistência para buscar o esclarecimento (“enlightenment”) e o tempo para atingir o platô de produtividade. Prepare-se para cada um desses momentos. Reaja sempre da melhor forma, divulgando na hora de divulgar, ajustando as expectativas (inclusive as suas) quando necessário, comunicando muito bem para não perder clientes desiludidos, ajustando seu produto para não causar frustração.

E tenha sempre em mente que não é nada pessoal. Grandes empresas passam por esses ciclos. Os pessoal que hoje está no pedestal (Uber, Airbnb, Netflix, Nubank, Alibaba, etc) logo entrará na fase de ajustar expectativas infladas. Só para dar um exemplo: tem muita gente com a expectativa que o Uber vai continuar oferecendo serviços melhores, motoristas poliglotas, educados e cheirosos, brindes, mimos e um preço mais baixo para sempre. Quem calcula ROI com a amostra grátis inevitavelmente se frustrará ali adiante.

É claro que isso não significa que o Uber está fadado a “morrer”, como jornalistas adoram escrever. Só significa o que qualquer profissional preparado para o mercado tem que saber: que o platô de produtividade do Uber não é no pico de expectativa inflada, mas no fim da ladeira do esclarecimento. E a história se repetirá para você.

Minha conclusão? Estude muito bem suas curvas e boa viagem!😉

Carta aberta de um brasileiro a Mark Manson

Carta aberta de um brasileiro a Mark Manson

Caro Mark,

Obrigado por tomar seu tempo para nos escrever uma carta. É verdade que fico um pouco decepcionado ao ler, no final, que você teve que pagar para alguém traduzir sua carta mesmo tendo morado 4 anos aqui (muita gente que mora menos tempo em outro país consegue escrever uma carta na língua local, mas isso não vem ao caso…).

O que gostaria de dizer é que tudo o que você escreveu em sua carta já era discutido em minha roda de amigos há mais de 30 anos. Sua carta não traz nada que não estivesse presente, já àquela época (e muito provavelmente antes disso também) nas discussões de jovens brasileiros de 14 anos. Se você achou que descobriu algo novo, trago más notícias. As obviedades de sua carta não passam de obviedades. Obviedades bastante obsoletas, aliás, apesar de ainda presentes em nosso cotidiano.

Suponho que nesses 4 anos você deve ter conhecido e gostado do clima dos botequins, porque o tom de sua carta é o que chamamos, tipicamente, de “conversa de botequim”. Se você não conhece o termo, é como designamos aquelas conversas em que as pessoas abordam temas supostamente polêmicos de forma rasa e com um ar de que sabem tudo sobre o assunto, sem porém apresentar nenhum fato, técnica, solução ou proposta produtiva. É o “falar por falar”, só para dizer que falou e sair do botequim achando que participou de uma conversa. De botequim, claro.

De qualquer forma, agradeço a iniciativa. Espero que você retorne ao Brasil e passe aqui muitos anos, para conhecer o Brasil de verdade. Um Brasil com gente desonesta sim, mas também com gente que pensa. Com bandidos sim, mas também com professores apaixonados pela sua arte, como a Fabiana Roque e a Cacau Nicolau. Um Brasil com políticos desonestos e com eleitores tão desonestos quanto eles, mas com garis que devolvem dinheiro quando encontram e funcionários de multinacionais que abrem processos internos para combater a falta de ética na empresa, mesmo sabendo que empresas cujas matrizes ficam em seu país não tomam atitude alguma, para não comprometer os resultados.

Um Brasil aonde a vida é muito fácil para quem tem muito dinheiro (fica difícil não gostar daqui quando se é rico), mas que exige que milhões de brasileiros vivam de forma muito difícil para manter as privadas dos ricos limpas e cheirosas.
Você é bem-vindo de volta, Mark. Se puder, traga na mala, por favor, a objetividade dos “gringos”. Objetividade para propor soluções ao invés de somente ficar criticando (porque essa segunda atitude já abunda em nossas terras). Objetividade para fazer alguma coisa para melhorar a vida das pessoas ao invés de ficar somente falando (vale o comentário anterior). Objetividade para dar o exemplo ao invés de apontar o dedo (e mais uma vez o comentário é válido).

Espero que o Brasil esteja muito melhor quando você escrever sua próxima carta, e de coração, espero que você sinta o orgulho de ter feito alguma coisa para que essa melhora tenha ocorrido.

Com o afeto típico dos brasileiros,
Luciano Palma, um brasileiro.

Sobre empreendedorismo & palestras…

Sobre empreendedorismo & palestras…

As palestras sobre empreendedorismo têm sido alvo de muitas discussões recentemente.

A análise que faço é baseada numa reflexão do Prof. Leandro Karnal: o empreendedorismo está sendo tratado como religião. Quem o prega (nem sempre praticando-o, seguindo à risca o exemplo de algumas religiões) coloca o empreendedorismo como o caminho único para a salvação. Não é.

Empreendedorismo é bom para empreendedores. Nem todo mundo quer (e muito menos precisa) ser um empreendedor. Se a pessoa está em paz prestando um concurso público, fazendo carreira numa empresa, trabalhando a vida inteira num mesmo cargo, pedindo esmola na rua ou trabalhando de graça para uma instituição de caridade… quem é o empreendedor para julgá-la? A coisa mais errada seria tirar alguém de uma atividade que está fazendo em paz, possivelmente com prazer e paixão e colocá-la numa atividade “porque alguém diz que isso é o que todos têm que fazer”.

A apologia a largar o emprego e empreender é muita falta de empatia com o próximo. Quem prega isso, na realidade, pode não estar tão bem resolvido assim, e talvez esteja tentando se autoafirmar pela normalização do outro (e se possível, do todo) de acordo com seus parâmetros. É uma atitude, mais do que egoísta, de alguém inseguro que está com medo de não ter suas escolhas aprovadas pelo grupo, portanto precisa convencer o grupo a gostar de suas escolhas. Infelizmente, às vezes alguns conseguem, para azar dele mesmo e do grupo.

Adoro dar palestras, e obviamente sou a favor de palestras. Só que palestras têm que ter conteúdo relevante para seu público alvo. Não consigo entender tantas palestras recheadas de “cagação de regras” para empreendedores. A característica maior do empreendedor é conhecer como o mundo funciona, e criar, ele mesmo, seu modelo para participar do jogo.

O empreendedor precisa ser criativo a ponto de não precisar seguir cartilhas (apesar de conhecê-las). Se alguém precisa de tantas regras e orientações para “empreender”, será que não está no lugar errado? Será que essa pessoa não tem um perfil mais adequado para buscar um emprego, com um chefe que lhe diga o que fazer?

De novo, não sou contra o compartilhamento de técnicas e de conhecimento através de palestras, mas acredito que palestras para empreendedores precisam ter menos “VOCÊ precisa fazer isso” e mais “EU FIZ isso, agora tire suas conclusões a aprenda, você, com minha experiência“. Porque empreendedores são capazes disso.

Empreendedores não precisam de autoajuda. Palestra de autoajuda para empreendedores é charlatanismo dos dois lados. Um empreendedor de verdade se recusaria a subir ao palco para fazer isso, e um empreendedor de verdade se recusaria a permanecer na platéia. Empreendedores já têm motivação de sobra. Quando vejo palestras de “empreendedorismo” na base da “autoajuda e motivação”, a imagem que me vem à mente é de crianças brincando de ser empreendedor. No palco e na platéia.

Espero que o ecossistema amadureça e que passemos a ter palestras sobre empreendedorismo de verdade. Com empreendedores de verdade, que não deixem margem que sua palestra tem valor. Torço para que a coisa não descambe para o lado de virar um “Entrepreneurs Fashion Week“, com direito a área VIP e camarote… isso é tudo que o Brasil não precisa.

“Hey, entrepreneurs, leave them kids alone”

“Hey, entrepreneurs, leave them kids alone”

É sempre bom conversar com a Wanessa Rengel. O assunto de hoje foram os “empreendedores-prodígio”.

Prodígios existem. Um deles é o Pedro Carrijo, com sua história tão impressionante quanto emocionante. Admiro a família do Pedro. Isaura e Edilson Carrijo (os pais) apoiam os filhos com um amor contagiante (Pedro programa e Natália canta).
Conheci Pedro no The Developer’s Conference e ele palestrou num evento do GBG na Intel com 14 anos.

Conversando com o Edison, tive uma “lição de ser pai”. Pedro é muito assediado, e todos o orientam a “empreender”. O pai, com tanta sabedoria quanto simplicidade, me explicou que orienta o filho de uma forma diferente. “Ele primeiro precisa aprender o que é trabalhar. Como ele vai ter funcionários e respeitá-los se nunca tiver trabalhado como funcionário?” (Pedro trabalha para uma empresa de Americana, como jovem aprendiz, mas os estudos têm prioridade máxima).
Essa enorme inteligência e lucidez é capaz de controlar a ansiedade e a ganância, proporcionando ao Pedro as oportunidades para trilhar o caminho certo: o do crescimento passo a passo, sem “queimar etapas”.

Por outro lado, é comum ver filhos de empresários endinheirados autorrotulando-se como “empresários-prodígio”. Citamos um caso bem popular, que precisou inclusive ser explicado depois, uma vez que a história “marqueteada” não era muito condizente com a verdade.
Com dinheiro, qualquer criança vira “empresário-prodígio”. É só o pai bancar uma estrutura por trás e o fato de ser uma criança vende a notícia. Porém… qual o custo disso?

Uma coisa que a Wanessa trouxe foi: se essa criança atingir o auge muito rápido, o que virá depois? Como ela continuará crescendo? O que a motivará? As portas para a ganância, mas pior ainda, para as drogas e até para o suicídio podem estar sendo escancaradas para esse adulto que vai levar consigo o buraco que lhe fizeram na infância ou na adolescência, muito provavelmente movido simplesmente pelo ego e pela vaidade dos pais.

O ser humano precisa viver suas etapas. O adolescente tem o corpo cheio de hormônios, que estão definindo muita coisa em sua vida. Afogar esses hormônios com o cortisol que um “empreendedor-prodígio” produz pelo stress de “ter que ter sucesso num mundo competitivo” pode deixar sequelas graves e permanentes.

Por que essa neura de “bater recordes” e de querer adiantar tanto as coisas? Tire um feto da barriga da mãe aos 3 meses e ele morre. Não façamos isso com nossas crianças!

Deixem nossas crianças em paz. Deixem nossos adolescentes em paz. Não sou contra educá-los para se tornarem empreendedores (muito pelo contrário), mas não coloquem essa carga neles antes da primeira menstruação (no caso de meninas, óbvio). Deixem-os serem humanos, não os tranformem em robôs. Ou pior… em marionetes!