Hackathon ou Hackatition?


Hackathons nasceram no final do século passado, como uma proposta de esforços colaborativos para criar software (ou hardware). O foco principal era o aprendizado em equipe, e dos primeiros hackathons surgiram até mesmo alguns softwares de sucesso, como o PhoneGap.

Essas atividades vêm se difundindo no Brasil, mas o espírito colaborativo – infelizmente – vem sendo deixado de lado.

Com prêmios reluzentes e muitos holofotes para promover hackathons, equipes se inscrevem com um o objetivo de vencer. Vale mais a vitória no hackathon em si do que a colaboração para a efetiva produção de algo em grupo.

Não há nada de errado nisso, mas talvez seja interessante termos uma nomenclatura mais adequada, para diferenciar os hackathons com o espírito original, colaborativo, dos “hackathons” mais competitivos, movidos a prêmios e promoção em grande escala.

Acho justo deixar o nome original com o pessoal “raiz”: a galera que se encontra para “hackear” algo de forma genuína.

Já para os “hackathons” competitivos, porque não chamá-los de “HACKATITIONS*”?

Muito preciosismo? Gostaria de saber sua opinião! 🙂

* Hackatition = Hack + competition

As fronteiras voláteis


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Estou falando das fronteiras das empresas. Os novos modelos de colaboração têm tornado estes limites cada vez mais voláteis.image description

Como definir com precisão onde termina o “mundo interno” e onde começa o “mundo externo” de uma organização?

Quando você está em casa e um colega te liga pedindo ajuda para resolver um problema do trabalho, você está na empresa ou fora dela?
Quando você está no escritório e liga para encomendar um bolo para o aniversário de seu filho, está dentro ou fora da empresa?
E aquela reunião de corpo presente, que te mandaram “só para ouvir”… dentro ou fora?

Se analisarmos o comportamento de uso da Internet, notaremos que “estar na empresa” deixou de ser uma questão de localização física, mas passou a ser um estado no qual sua mente se encontra em dado momento. Num minuto posso receber um email de um colega de curso pedindo informações sobre a aula passada; segundos depois posso responder um email com uma proposta de prestação de serviços. Isso sem sair do lugar – mexendo somente os dedos.

Dando mais um passo: quando você participa de Redes Sociais, está dentro ou fora da empresa?
Se nos exemplos anteriores as respostas eram claras, agora as linhas demarcatórias ficaram definitivamente borradas… muitas vezes a resposta será: “os dois!”.

Atualizar um perfil no Facebook ou no Linkedin pode ser interessante do ponto de vista pessoal, mas é inegável que o estabelecimento de conexões de rede podem se traduzir em novos negócios. E veja só: para sua empresa!!
Poderia citar inúmeros casos de interações profissionais que nasceram em contatos via Redes (alguns com pessoas que não conheceria de outra forma), mas tenho certeza que enquanto lia esta frase, você já lembrou de dois ou três que aconteceram com você!

Nunca aconteceu? Então fica um alerta, pois para o leitor ao seu lado aconteceu. E podia ser uma oportunidade “do seu número”…

Apesar de muita gente ainda ter uma visão de Redes Sociais como algo “de moda”, ou “para jovens”, as interações nas Redes já estão amadurecendo e gerando negócios.
O mais irônico é que muitos que olham com ar de superioridade para as Redes Sociais invariavelmente se orgulham em citar o seu “Networking”! Como se fosse algo diferente!

Está na hora das empresas olharem de outra forma para seus colaboradores. Ao invés do relógio, um medidor de comprometimento seria muito mais adequado. Trocar o “corpo presente” pela efetiva interação com a empresa é o que permitirá o crescimento de uma empresa – além da tão badalada inovação.

Claro que isso requer um novo modelo de gerenciamento, incluindo liberdade de atuação e maturidade para receber críticas e novas idéias.
Não dá para fazer isso com “chefes” que não aceitam que boas ideias possam vir “de baixo” (eles usam este termo), que se baseiam em poder e controle, que precisam de relatórios de horas para demonstrar “serviço” e que acham que o mundo acontece dentro da empresa.
A transparência das redes está deixando cada dia mais claro que essa visão está simplesmente… do avesso!!!

O Poder dos Wikis: o Dobro do Conteúdo?


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Quando se fala em Wikis, a primeira coisa que vem à mente é a Wikipedia. E não é para menos: quem diria que em apenas 4 anos uma enciclopédia criada de forma colaborativa pudesse se tornar tão confiável quanto a Encyclopedia Brittanica?

Só que os Wikis vão muito além disso. Por exemplo: o que você acha da idéia de dobrar o conteúdo disponível na Internet através da disseminação de Wikis?
Antes de mostrar como isso é possível, segue uma repassada no conceito.

O que é um Wiki? Qual o segredo?

Apesar do poder gigantesco, o conceito de Wiki é simples: cada um contribui com o que sabe. Assim como nas campanhas de ajuda humanitária, onde cada um contribui com o que pode, resultando na arrecadação de quantias impressionantes de doações, os Wikis são capazes de agregar volumes inacreditáveis de informação por conta das pequenas contribuições de cidadãos comuns.

A “mágica” se baseia em 2 fatos:

  1. Todo mundo se interessa por algo e sabe alguma coisa relevante sobre aquilo
  2. Tem muita gente no mundo
  3. A pergunta é: “Porque esse conteúdo não flui?” Quais as barreiras para uma maior criação coletiva?

Existem inúmeros fatores inerentes a cada indivíduo: timidez, insegurança, medo de ser indevidamente compreendido (ou julgado), temor à não-aceitação, aversão à exposição a erros e muitos outros.

No entanto, um fator muito relevante é a falta de um canal de participação. É impressionante ver como pessoas que se mantém quietas passam a contribuir com informações de alto valor quando lhes é oferecido um canal de comunicação para participar em um tema de seu interesse. Isso é ainda mais forte quando essa pessoas podem contar com o apoio dos demais, complementando, melhorando e até corrigindo suas contrbuições.

É isso que os Wikis proporcionam. Num Wiki, qualquer um pode discorrer sobre qualquer assunto que lhe interesse. A pessoa não precisa saber criar um blog ou assumir o compromisso de colaborar regularmente. Ela simplesmente colabora com o que sabe, quando quiser, na quantidade que preferir, da forma que achar melhor.

E como dobrar o conteúdo da Internet?

Vamos começar com o Princípio do 90-9-1 que se verifica em comunidades online (e offline também):

– 90% dos usuários são “Audiência”. Lêem e observam, mas não contribuem.

– 10% são “Editores”. Avaliam e às vezes modificam ou complementam as informações, mas raramente criam contúdo do zero.

– 1% são os “Criadores”. Criam conteúdo e alavancam a maior parte da atividade na Rede.

Com a facilidade dos Wikis, parte dos Editores pode ficar mais à vontade para se arriscarem na criação de conteúdo, e até mesmo alguns participantes da Audiência podem vir a criar algo na sua zona de conforto, ou seja, naquele assunto em que se sentem um pouco mais confiantes.

Vamos analisar o que aconteceria, considerando as seguintes hipóteses:

  1. 1 em cada 15 Editores passe a gerar conteúdo por conta de Wikis
  2. 1 em cada 15 participantes da Audiência passe a avaliar/modificar conteúdo
  3. 1 em cada 150 participantes da Audiência passe a gerar conteúdo
    Os resultados seriam os seguintes:

Wikis Redes Sociais Internet Conteúdo

Ou seja, um aumento de praticamente 100% na geração de conteúdo!!!

E você? Acredita que este enorme passo possa ser dado?
Começe por sair do grupo “Audiência” e tornando-se um “Editor”, deixando aqui o seu comentário! 😉

[]s, Luciano