Volta, Lego!

Volta, Lego!

Achei maravilhosa essa mensagem da Lego dos anos 70.
Vou aproveitar o embalo para contar uma história rápida que aconteceu hoje.
Fui a um evento e perto de onde sentei havia um garoto com sua mãe. Uns 5 anos, imagino. Estava com muitos Legos para bricar durante o evento (e se comportou super bem).
Não resisti (não resisto a crianças, em especial as bem educadas) e fui brincar com ele. Achei o máximo o fato dele logo oferecer seus Legos para o “tiozinho” aqui. Perguntei o que ele iria fazer, e ele logo respondeu: Um robô! Lancei o desafio de quem faria o maior robô.
Claro que o dele ficou maior e muito mais bonito do que o meu.
A única parte da história que lamentei foi que enquanto eu procurava peças para fazer alguma coisa minimamente parecida com um robô humanóide, o garoto procurava as peças “certas”, peças “especializadas” (braço, perna, cabeça, etc), para montar o robô pré-estabelecido pelas peças que devem ter vindo numa caixa específica de um robô de Lego.
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Fiquei pensando se a Lego perdeu sua essência.
Como crianças vão criar algo se a “resposta certa” já está definida? Afinal, o mais bonito do (antigo) Lego é isso: as peças quadradas não são nada sozinhas e podem ser qualquer coisa juntas!
Por menos Legos com “peças prontas”. Por um mundo mais simples, com peças simples, e muito mais liberdade para criar, fantasiar, enfim, SER CRIANÇA!

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A questão de lógica que está desafiando o mundo


Nos últimos dias, uma escola de Cingapura realizou uma Olimpíada de Matemática para seus alunos e virou manchete mundo afora.

A questão que intrigou tanta gente é destinada a jovens de 15 anos e envolve Lógica.

A importância da Lógica

A educação do brasileiro é muito falha nesse aspecto, e os reflexos disso são evidentes (e trágicos) na vida adulta. Hoje, no Brasil, é muito comum presenciar discussões cheias de falácias lógicas. Líderes mal-intencionados conduzem legiões de analfabetos lógicos através de falácias manipuladoras. Vendedores vendem produtos desnecessários ou de baixa qualidade usando falácias.

É interessante ver que Cingapura está trabalhando esse ponto de forma muito mais eficiente, pois a maior parte dos brasileiros adultos não é capaz de resolver o desafio que eles fazem para seus jovens.

Questão de Lógica

O desafio

Dois jovens, Albert e Bernard querem descobrir a idade de Cheryl.

Cheryl dá aos dois uma lista de 10 datas e diz o mês do seu aniversário para Albert e o dia para Bernard.

Albert diz: “Não sei quando é o aniversário de Cheryl, mas sei que Bernard também não sabe.”.

Bernard diz: “A princípio não sabia quando era o aniversário de Cheryl, mas agora já sei.”.

Com isso, Albert também descobre a data.

As datas fornecidas por Cheryl são:

  • 15 de maio, 16 de maio, 19 de maio
  • 17 de junho, 18 de junho
  • 14 julho 16 de julho
  • 14 de agosto, 15 de agosto, 17 de agosto

A solução

Para resolver problemas de Lógica, um recurso interessante é uma “tabela verdade”. No problema proposto, podemos montar a seguinte tabela para representar os 10 dias fornecidos por Cheryl:

Tabela Verdade Albert

  • Bernard só tem a informação relativa ao dia do aniversário de Cheryl. Para deduzir algo, a coluna relativa ao número que ele ouviu teria que ter uma única opção.
    Em outras palavras, se Cheryl tivesse dito a ele “18”, ele poderia concluir que o mês é “junho”; se ela tivesse dito “19”, ele poderia concluir que é “maio”. Para todos os outros dias, Bernard tem mais do que uma opção de mês, portanto não pode concluir nada.
  • Albert sabe disso tudo, mas para poder afirmar que Bernard não pode tirar conclusões, ele não pode ter ouvido “maio” ou “junho”, pois “maio” deixaria aberta a possibilidade de Bernard ouvir “19” e “junho” deixaria aberta a possibilidade de Bernard ouvir “18”. Albert ouviu, portanto, “julho” ou “agosto”.

Eliminadas as possibilidades segundo o raciocínio acima, temos uma tabela menor:

Tabela 2

  • Bernard, a esse ponto, afirma que já sabe a data do aniversário de Cheryl. O que podemos concluir aqui é que ele não ouviu “14”, pois nesse caso ele não teria como concluir o mês.

A tabela fica reduzida a:

Tabela 3

  • Albert só sabe o mês, e afirma que a esse ponto também já sabe a data. O mês só pode ser “julho”, porque se fosse “agosto”, Albert não poderia tirar conclusões.
  • O aniversário de Cheryl é, portanto, dia 16 de julho.

Conclusão

Lógica é muito mais importante do que concluir a data do aniversário de uma nova amiga. Lógica é usada em raciocínios em discursos sobre política, em decisões de investimento, em escolha de soluções para problemas. Lógica é o que nos permite errar menos e depender menos da sorte.

Ensine Lógica para seu filho, porque nossas escolas não estão fazendo isso.

É sempre bom lembrar que um adulto medíocre é, normalmente, a consequência de um jovem analfabeto lógico.

Nota do blogueiro:

O problema é realmente bastante capcioso. Eu mesmo cometi um erro ao tentar resolver. Li o enunciado com pressa e fiz um raciocínio considerando que Albert sabia o dia e Bernard sabia o mês. O problema ficaria muito mais simples (e talvez mais adequado para jovens de 15 anos), o que, por outro lado, não geraria tanta polêmica. Cheguei a dizer aqui que o UOL Educação tinha publicado uma solução errada, mas me retrato. A solução do UOL está correta (a lógica deste post é a mesma utilizada por eles. Aliás, não sei se é possível utilizar outra – rs rs rs).

Twitter: minha segunda faculdade


[tweetmeme source=”lucianopalma” only_single=false]

Em 1990 formei-me Engenheiro pela E. E. Mauá. Com muito orgulho e muito, muito suor.

Tive o privilégio de poder estudar até os 22 anos, em período integral – alguns dias das 7:30 às 19:30.
O que vivi nos 5 anos de faculdade foi muito intenso: professores altamente qualificados, a maioria com uma tremenda paixão em transmitir tudo aquilo que sabiam.
Muita leitura, muito estudo em grupo, muitos trabalhos, muita prática em laboratório.

No ano passado, comecei a cursar um MBA. Estava preparado para reviver aqueles momentos de muita dedicação e enorme aprendizado.

#FAIL

O que presencio é um cenário totalmente diferente. O processo é mecânico e o que está sendo vendido é um papel, não o aprendizado.
Por conta da desilusão, minha dedicação passou a ser pífia e meu aprendizado quase nulo. Ainda assim, as notas são muito superiores às da faculdade! :O

Ok, 20 anos se passaram e eu posso ter mudado. Mesmo assim, tenho certeza que o problema não são meus olhos, mas sim o modelo. Professores estão lá pelo preço pago por hora e os alunos pelas 3 letrinhas.

Recomendaram-me não criticar o modelo para não desvalorizar o título que estou “comprando”. Só que não consigo deixar de ser franco… prefiro dizer eu mesmo que um MBA no Brasil hoje é um título fictício do que gabar-me por obtê-lo e depois descobrirem que aquilo não passava de uma maquiagem.

Peço desculpas aos portadores de MBA que fizeram cursos sérios, mas com a atual venda de títulos, este diploma deve perder seu valor em menos de 5 anos.

Minha segunda faculdade é o Twitter

Felizmente, obter uma boa formação ficou muito mais fácil e acessível.

Mesmo que você não seja um auto-didata, através de ferramentas como o Twitter você pode participar de conversações com referências na sua área de interesse. A quantidade de links para material de altíssimo nível é impressionante quando você segue as pessoas certas.

O mais interessante é que você não precisa pagar uma mensalidade salgada para seguir referências como @dtapscott, @briansolis @simonsinek ou @danielpink.
“Mestres” como ele estão sempre oferecendo pequenas lições em 140 caracteres, muitas vezes com links para material que vale uma aula.

Tenho consumido muita informação desta forma, com a vantagem de poder até mesmo interagir com estes “feras”. Acredite: se você fizer uma observação ou crítica acertada, eles respondem!

Desta interação, tanto com “gurus” quanto com pessoas com quem você acaba se conectando por conta dos interesses comuns, surge uma troca de informação, ideias e experiências fantásticas. Sugestões de livros, artigos, monografias…

Voltei a ler tanto quanto nos tempos de faculdade. Ou melhor: muito mais, porque as barreiras de custo ou indisponibilidade em biblioteca praticamente não existem mais. Posso afirmar que venho absorvendo conhecimento num ritmo que nunca tinha experimentado antes.

Para mim, este processo é uma Faculdade. Não tem vestibular, não tem provas, não tem data de graduação, mas tem o valor de uma Faculdade. Muito mais que o papel que receberei em abril, escrito “MBA”.

E nossos filhos?

Vejo muita gente preocupada com a educação dos filhos e seu preparo para o futuro. Mas não se prepara alguém para o futuro olhando prá trás. O que funcionou para nós pode ser um grande fracasso para nossos filhos.

Claro que uma boa educação formal continuará tendo valor, ainda mais se for realizada em instituições com paixão pelo que fazem, como a Mauá que vivi no final dos anos 80. Mas será suficiente?

Nossos filhos disputarão o mercado com muita gente formada na “Faculdade Twitter”, “Universidade Facebook” ou outras “instituições de ensino” mais eficientes do que empresas que hoje vendem diplomas.

Para refletir, assista esses dois vídeos que o Professor @dtapscott, da Faculdade Twitter, recomendou: