Google I/O 2016

Google I/O 2016

Este ano consegui realizar algo que há tempos desejava muito: participar de um Google I/O.
As expectativas mal cabiam na mala. Lá vamos nós para a Califórnia, San Francisco Bay Area, Vale do Silício…

Prólogo

Eu ainda não conhecia o Vale. Fiquei impressionado com a região!
Só como exemplo, visitei a “California Academy of Science” e os monitores do local davam um show de conhecimento e didática. O que achei muito diferente, porém, estava do outro lado. Um público extremamente interessado no conhecimento, acompanhando as explicações (nada superficiais), entendendo tudo e fazendo perguntas inteligentes.

Isso me fez lembrar do que presencio no museu “Catavento” recorrentemente (e que me deixa muito triste). Pais que levam as crianças lá como se fosse um playground. Ao invés de ler e explicar as experiências para os filhos, os deixam rodar as manivelas de forma bem pouco cuidadosa, colocando em risco não só o próprio filho, mas também a instalação do museu. Conhecimento adquirido? O mesmo de rodar um registro de água na rua…

O material humano do Vale do Silício é realmente de primeira linha. Não dá vontade de voltar, ainda mais considerando o atual momento de irracionalidade do Brasil.

O evento

Gostei do keynote. O Google apresentou o “Google Assistant“, que se propõe a utilizar toda a inteligência que a empresa tem em seu motor de busca para ajudar as pessoas a realizar atividades do dia a dia. Onde ele se diferencia do Siri ou do Cortana? Ele tem o Google por trás. Aquilo que todo mundo faz, de sacar o celular e pesquisar no Google o termo ou a informação que surgiram na discussão, o Google Assistant faz para você, com velocidade e conforto.

O “Google Home” também vai além do “echo” da Amazon. Ele é a versão em hardware do Google Assistant, e sua proposta é a integração com toda a sua casa. Nos stands do evento, foram demonstradas muitas soluções de automação residencial que podem ser controladas, por voz, através do Google Home.

Allo” vem para incomodar o Whatsapp. Muita inteligência artificial por trás dele, para que você, além de conversar com seus amigos, tenha sempre o motor do Google Assistant para ajudar durante a conversa, como um “concierge” de informações. Boa proposta, mas que vai enfrentar um degrau bastante alto para conquistar o mercado de troca de mensagens. Por outro lado, o nome Google deve ajudar.

O Android “N” não chegou a trazer novidades radicais, mas arrancou de todos uma expressão de alívio com o anúncio do fim daquele momento “otimizando aplicativo 3/96” quando você precisa usar o telefone…
Meu prognóstico para o nome? Nutella, claro!!!

Outra coisa que gostei muito foi o anúncio das “Instant Apps“. Com esse recurso, você não precisa instalar a aplicação para utilizá-la. Somente os componentes necessários são automaticamente baixados, sem a necessidade do processo de instalação. Esse recurso me fez até pensar em migrar o DESQUEBRE, que é uma aplicação híbrida, para nativa, pois ela se encaixa perfeitamente nesse conceito.

As sessões? Falarei mais tarde sobre as sessões…

A mudança

A mudança mais radical do evento foi o local. Do tradicional Moscone Center em San Francisco para o Shoreline Amphitheatre em Mountain View. O evento passou a ser ao ar livre, num clima de festival. Houve shows e música à noite, em instalações que davam um ar de “rave” ao evento.

Apesar de muito bem-vinda no conceito, essa mudança trouxe alguns problemas. Após o keynote, formaram-se filas muito, mas muito grandes para assistir às sessões. E o sol estava castigando. Os bebedouros secaram. E muita gente ficava para fora porque as salas, subdimensionadas, lotavam rapidamente. Isso impossibilitou assistir mais do que 2 ou 3 sessões por dia, o que foi um ponto extremamente negativo do evento. Frustrante, eu diria.

As sessões

Pois então. Não pude entrar em muitas, por conta das filas. Estava super ansioso para me atualizar sobre o Design Sprint e saber como ele vem sendo aplicado, mas somente quem passou muito tempo ao sol quente, na fila, conseguiu essa proeza.

Das poucas sessões que consegui assistir, o que achei interessante foi o enfoque no Firebase como solução para criar aplicativos de forma simples e rápida. O modelo “real-time” do banco de dados do Firebase é realmente interessante, e para quem quer desenvolver uma solução de chat, por exemplo, é “killer”.

Também não consegui fazer “Code Labs” porque… tinha que ficar em alguma fila se quisesse assistir alguma sessão. O Google precisa rever completamente essa questão, pois esse fator prejudicou demais o evento e seus participantes.

O networking

Fantástico. Conversei com muita gente boa sobre uma proposta que pretendemos trazer através do Google Business Group São Paulo: o Startup Journey. Vale acompanhar o meetup do GBG São Paulo se você se interessa pelo tema.

Além disso, deu para conhecer algumas pessoas e rever muitas outras, porque a um certo ponto, a galera acabava desistindo de ficar nas filas e preferia investir o tempo em socialização e networking.

A cereja [faltando] no bolo

Uma tradição do Google I/O é a distribuição de gadgets para os participantes. Ao decidir se investia ou não na minha ida ao I/O (em fase de grana curta e estabelecimento de uma empresa), o argumento de um amigo me motivou: “você recupera a grana do ingresso só pelos gadgets que eles dão”.

Pois bem… este foi o primeiro ano de Google I/O sem brindes!

Como tuitei na hora que fiquei sabendo disso: o Google I/O virou Google “o-oh”. Nada de brindes. Ninguém foi para lá só por causa dos brindes, mas todo mundo tinha essa expectativa. Grande frustração.

Epílogo

O evento foi bom, mas bastante decepcionante para mim.
Esperava conseguir participar das sessões que tinha me planejado antecipadamente e esperava conseguir absorver mais informações e conhecimento.

O sol escaldante do primeiro dia e o frio congelante do último nos expuseram a um “desafio de sobrevivência” e trouxeram desconforto e dificuldades para tirar proveito do evento.

A menos que o Google demonstre de forma muito taxativa que os problemas de logística serão resolvidos nas próximas edições, não consigo me entusiasmar em realizar o investimento necessário para participar novamente de um evento desse (os custos no Vale são muito altos), nem recomendar para meus amigos que o façam.

 

Não se iluda com a Inovação

Não se iluda com a Inovação

Antes de começar meu raciocínio, gostaria de contextualizar o autor desse post.

Sou engenheiro convicto. Daquele que já sabia que seria engenheiro desde os 10 anos, ou até antes. Sempre quis entender como as coisas funcionavam, dos objetos da casa às invenções impossíveis dos desenhos animados (e sim, eu me desesperava em pensar quem iria arrumar a bagunca que o Jerry Lewis fazia em seus filmes…)

A Física, a Matemática e a Engenharia me entusiasmavam porque conseguiam modelar o mundo real através de suas fórmulas (eu odiava o “despreze os atritos” dos enunciados – aquilo não era real!).
Conviver com todas essas fórmulas me fez entender que os fenômenos da natureza são analógicos e seguem curvas contínuas. Nenhuma mudança é instantânea. Se parecer, é porque a amostragem foi lenta demais.

Para mim, uma das coisas mais excitantes e “mind blowing” foi descobrir as séries e entender a decomposição de sinais em suas harmônicas. É revolucionário descobrir que um pulso não existe como o imaginamos. Nada vai de 0 a 5 Volts imediatamente. A tensão passa por todos os valores (ainda que passe muito rapidamente pelos valores entre 0,01V e 4,99V) e mais: a tensão não consegue parar imediatamente em 5 Volts. Ou colocamos um capacitor para “suavizar” essa chegada aos 5 Volts, ou teremos um pico maior do que 5 Volts, depois voltaremos para um pouco menos do que 5, depois um pouquinho mais, até estabilizar em 5V…

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Um pulso em sua intimidade…

Toda essa teoria pode soar chata para muitos, mas é muito mais reveladora do que parece. Isso vale para a natureza, não só para circuitos eletrônicos!

E o que isso tem a ver com Inovação?

Na realidade, o comportamento da tensão em um pulso tem grande analogia com a curva de adoção de inovações tecnológicas!

Dê uma olhada no gráfico abaixo, que representa o “Gartner Hype Cycle“. Você não vê uma semelhança?
Essa curva é genérica (assim como a curva acima) e suas intensidades e valores absolutos podem variar de acordo com a tecnologia ou produto sendo introduzidos no mercado, com fatores econômicos externos ou com inúmeras outras variáveis.
É muito comum, porém que o padrão da curva seja observado.

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Gartner Hype Cycle

OK, e eu com isso?

Quem está buscando introduzir alguma inovação no mercado deve entender essa curva, porque ao planejar algo inovador, é necessário fazer previsões sobre a adoção de seu produto ou serviço. Quanto melhores suas previsões, maior será seu sucesso (se as coisas saírem melhores do que você previu, não será mérito seu: terá sido sorte!).

O problema é que muita gente se excita com a evolução da primeira parte da curva. Há quem acredite que esse crescimento será para sempre, ou que a curva se estabilizará num valor próximo ao seu pico. E é aí que muitos quebram a cara! Lembro, nos meados dos anos 90, de projeções para o crescimento da Internet. O pessoal simplesmente projetava uma parábola com base no começo da curva. De acordo com alguns “especialistas”, há uns 10 anos já deveríamos ter um número praticamente infinito de pessoas conectadas à Internet…

O bom empreendedor tem que ter um faro aguçado para antecipar ao máximo o que vai acontecer. Ele tem que ser capaz de “enxergar além do que os outros enxergam”. Claro que ele também terá que reagir às mudanças que ocorrerão, mas isso é simplesmente uma questão de fazer de novo algo que ele já aprendeu a fazer bem: analisar as variáveis e projetar bem as curvas – ainda que tenha que fazer isso recorrentemente!

E como uso essas curvas?

As curvas mostradas nesse post são conceituais, portanto não trazem valores absolutos. Só você será capaz de projetar a curva de adoção para seu negócio (ou talvez um concorrente direto seu, mas nesse caso, é bom que você seja melhor do que ele nisso…).

É importante ter consciência que existe um pico do “hype”. As vendas de iPhone estouram a cada lançamento, mas 3 ou 4 semanas depois, elas não mantém o mesmo ritmo. Já imaginou se os analistas da Apple não conhecessem este “fenômeno” e projetassem suas vendas com uma curva de crescimento simples? Imaginem quanto eles errariam nas projeções de investimento em produção, marketing, logística, etc, na hora que se deparassem com uma realidade assim?

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Vendas de iPhones por trimestre

Inovar é bom, mas como tudo na vida, o preparo é o melhor tempero para o sucesso. Estudar disciplinas como Física e Matemática é fundamental para ter sucesso no mundo da tecnologia. Porque para ter ideias inovadoras é necessário ter criatividade e motivação, mas para fazer as mudanças acontecerem, é preciso muito estudo, muito preparo, muita análise e, acima de tudo, muito trabalho. Como trabalhar cansa, utilize tudo aquilo que você aprendeu em seus estudos para que esse trabalho não seja em vão. Não se deixe iludir pelo brilho da curva inicial de adoção de seu produto. Lembre-se que você tem que colocar na conta os porcentuais de expectativas infladas, o porcentual de desilusão, o porcentual de persistência para buscar o esclarecimento (“enlightenment”) e o tempo para atingir o platô de produtividade. Prepare-se para cada um desses momentos. Reaja sempre da melhor forma, divulgando na hora de divulgar, ajustando as expectativas (inclusive as suas) quando necessário, comunicando muito bem para não perder clientes desiludidos, ajustando seu produto para não causar frustração.

E tenha sempre em mente que não é nada pessoal. Grandes empresas passam por esses ciclos. Os pessoal que hoje está no pedestal (Uber, Airbnb, Netflix, Nubank, Alibaba, etc) logo entrará na fase de ajustar expectativas infladas. Só para dar um exemplo: tem muita gente com a expectativa que o Uber vai continuar oferecendo serviços melhores, motoristas poliglotas, educados e cheirosos, brindes, mimos e um preço mais baixo para sempre. Quem calcula ROI com a amostra grátis inevitavelmente se frustrará ali adiante.

É claro que isso não significa que o Uber está fadado a “morrer”, como jornalistas adoram escrever. Só significa o que qualquer profissional preparado para o mercado tem que saber: que o platô de produtividade do Uber não é no pico de expectativa inflada, mas no fim da ladeira do esclarecimento. E a história se repetirá para você.

Minha conclusão? Estude muito bem suas curvas e boa viagem! 😉

O gadget do ano (2014)


2014 foi um ano marcante, com coisas boas e coisas ruins. A pior delas – de longe – foi a polarização e o extremismo que marcaram as eleições. Foi o pleito mais feio e de baixo nível que já presenciei. Assunto fechado, porque é bem melhor focar nas coisas boas.

365 dias em 60 segundos

O ano passado foi particularmente interessante para mim. Assumi riscos e vi o quanto vale a pena fazer o que você acha certo e acredita. 2014 mostrou que a coisa mais errada que podemos fazer é nos acomodar naquilo que nos dá segurança, mesmo que o custo dessa segurança seja não ter prazer em sair da cama, sentir sua criatividade e potencial tolhidos e passar o dia fingindo que não vê um mar de coisas erradas, ostentando um sorriso amarelo que somatiza doenças. Já tive minha dose disso na vida e, pelo visto, aprendi a sair ileso dessa armadilha! 🙂

GBG
Uma parte das pessoas fantásticas com quem trabalhei em 2014.

Tive o prazer de conhecer por dentro uma das melhores empresas em que já trabalhei (talvez a melhor). E tive o prazer de trabalhar com gente fantástica e apaixonada. Quem conhece os GBGs sabe do que estou falando!

E o prazer não parou por aí! Estive em contato com novas tecnologias, fazendo o que mais gosto: aprendendo e compartilhando. A vedete de 2014 foi a tecnologia “wearable”, e por isso o título desse post. O que eu considero o “gadget de 2014” é uma expressão dessa tecnologia: o smartwatch Moto 360. Já já explico porque elegi particularmente este modelo.

Moto 360 e LG G Watch R
Moto 360 e LG G Watch R

OK, Google.
Para que serve o smartwatch?

Não compre um smartwatch se não tiver essa resposta muito clara em sua mente. E se você tiver, as chances de querer comprar um são enormes!

Os conceitos mais importantes são:

  1. O smartwatch NÃO É um smartphone de pulso
  2. O smartwatch é um COMPLEMENTO do smartphone
  3. O smartwatch faz você economizar o que um relógio mede: tempo!

1. O smartwatch NÃO É um smartphone de pulso

Há duas razões básicas para um smartwatch não ser um substituto do seu smartphone: o tamanho da tela e o tamanho da bateria*.

Tamanho da tela

Não dá para fazer tudo o que se faz no smartphone na tela do seu relógio. Se muita gente ainda precisa abrir uma tela de notebook para algumas responder um email mais complexo, imagine a aflição de querer fazer isso usando só o relógio. Simplesmente não rola.

Tamanho da bateria

Um smartwatch precisa – ao menos minimamente – lembrar um relógio de pulso. Apesar de existirem alguns relógios “cebolões” no mercado, a maioria das pessoas ainda prefere relógios que não causem cãimbras. Para serem leves e atraentes, não dá para exagerar na bateria. E nem precisa, porque ninguém quer passar a maior parte do dia operando um relógio (exceção feita aos dois primeiros dias de deslumbre).

* Daria até para ir além e dizer que o processador não pode ser tão potente (ao menos não atual-mente), caso contrário ele fritaria o seu pulso e deixaria você sem bateria antes da hora do almoço.

2. O smartwatch é um COMPLEMENTO do smartphone

Se a ideia não é fazer com o smartwatch tudo que se pode fazer no smartphone, então o que deve ser feito usando um relógio inteligente? A primeira resposta que me vem a mente é: NADA.

O que não significa que ELE não possa fazer algo por nós!!

E aí que entra a mágica do smartphone: o conceito de “microinteração”.

Interações x microinterações

Você INTERAGE com seu smartphone. Quando ele treme ou apita, você o tira do bolso, destrava a tela**, abre a aplicação que gerou a notificação e “consome o conteúdo” – seja uma mensagem, um email do chefe, um comentário num post seu, um selfie daquela tia que pediu ajuda para você “instalar” o pau-de-selfie que ela comprou no Promocenter…

E aí entra em ação o efeito “Jacke”. “Já que” você está com o smartphone na mão, você “bizolha” o Facebook, dá uma conferida se responderam aquele email, confere se vai chover, etc, etc, etc, até ouvir o “hum-hum”. Da pessoa que estava falando com você. Embaraçad@, você pede desculpas e el@ faz cara de quem te perdoou (não acredite nisso).

O mais impressionante não é o fato de você lembrar que já fez isso ao ler esse texto. É o fato dos usuários fazerem isso 150 vezes por dia, em média!!!

Aí que entra o smartwatch. Será que você precisa MESMO tirar o smartphone do bolso toda vez que ele vibra? E se for só [mais] uma foto da tia do pau-de-selfie? Vale a interrupção?

O smartwatch vibra bem discretamente e coloca um resumo muito sucinto do que está acontecendo em sua telinha. O suficiente para você dar aquela “olhadinha”, como se estivesse vendo as horas, sem ficar com aquela sensação de desrespeito ao seu interlocutor. Acontece uma “microinteração” que não interrompe o fluxo. Se for urgente mesmo, você pode explicar educadamente e pedir licença para interagir, mas se for algo que pode esperar, você não perde o momento. Parece um detalhe, mas faz uma diferença MUITO grande nas suas interações com seres humanos. O smartphone pode esperar.

** Sim, você PRECISA configurar seu smartphone para que ele se bloqueie. Smartphones são “perdíveis”, “roubáveis”, “esquecíveis” e “espiáveis”. E eles contém boa parte da sua vida!!! Lembre-se que um telefone destravado oferece aos curiosos acesso a todos os seus emails. E ao Facebook. E às conversas privadas do Facebook e do Whatsapp. Não está convencid@ ainda? OK… Então lembre-se do Tinder! 😛

3. O smartwatch faz você economizar o que um relógio mede: tempo!

Com essa substituição de interações por microinterações, e com o seu filtro de bom-senso ativado, você pode economizar importantes segundos, ou até minutos a cada interação. Parece bobagem, mas lembre-se que isso acontece 150 vezes por dia! Se a interação média for de 20 segundos e metade das iterações puderem esperar, é quase meia hora por dia que você ganha! Conta rápida: se alguém “custa” R$ 30/hora, um smartwatch de R$ 750 se paga em menos de 2 meses!!!

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E o Moto 360 levou essa!

Fiz esse discurso diversas vezes nos Design Sprints. Sem um smartwatch no pulso. Percebi que tinha que testar isso na prática para ter mais credibilidade, então chegou a hora de escolher um modelo. A decisão não foi difícil. Eu sou um cara “compacto” (rs rs) e não curto “cebolões”. Os relógios quadrados, além de parecerem maiores, não se parecem com relógios. São “smartwatches” demais na aparência. Achei os redondos definitivamente mais elegantes (além de não enroscar na manga comprida), e isso facilitou as coisas: sobraram o LG G Watch R e o Moto 360. Em termos de especificações técnicas, eles se equivalem. O LG tem um sensor de pressão que o Moto 360 não tem. Ambos têm pedômetro e medidor de frequência cardíaca***. Ambos são bonitos. O charme do LG está no seu aro externo, que permite que a tela seja totalmente redonda. O charme do Motorola está em não ter esse aro, o que lhe custa um corte na parte inferior da tela (ela é “quase” redonda).

Disputa equilibradíssima, levei em conta o fato de ter passado dos 40 e com isso, precisar de óculos “para perto”. Apesar de ter os mesmos pixels do LG, a tela do Moto 360 é fisicamente maior (não tem aquele aro, lembra?), e isso ajuda o velhinho aqui a ler o relógio, afinal número de ppp (pontos por polegada) maior só é bom para quem está com a vista zerada 😉

O post já está grande demais para contar o ótimo atendimento pós-venda que recebi da Motorola (que soube reverter uma pisada na bola da loja online), mas retomamos esse papo num momento oportuno!

*** O medidor de frequência cardíaca é bom para ter uma referência, mas não recomendo para quem quer fazer um acompanhamento mais sério. Eu uso nos deslocamentos de bike (20 minutos em média) e o smartwatch faz umas 5 ou 6 amostragens nesse período (imagino que ficar medindo toda hora consumiria muita bateria). É legal para ter uma ideia se você está se condicionando, mas o relógio não avisa se na subida da Hélio Pelegrino seu coração passar de 160 bpm.

Bem-vindo à era pós-PC


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Era uma vez…

Há um quarto de século, o PC iniciou uma era que transformou a maneira de trabalhar e de agir, abrindo possibilidades incríveis para empresas e indivíduos.
Surgiram termos como Desktop Publishing, CAD/CAE, planilha de cálculo, editor de textos. Tudo isso “na ponta dos seus dedos”, como dizia um slogan dos anos 90.
O PC trouxe ao indivíduo a capacidade de criar conteúdo de forma que antes era restrita às empresas.

All together now

Quando os PC’s foram conectados em rede – primeiro em redes locais, depois na Internet – eles mudaram também a forma de se comunicar. Agora, indivíduos passaram não só a produzir, mas também a compartilhar conteúdo de uma forma antes restrita aos “responsáveis” pela comunicação: jornais, revistas, rádios, TVs. Hoje cada um tem sue próprio jornal, revista, rádio ou TV na Internet. “A mídia somos nós”.

Chegamos até este ponto usando PC’s.

Acostumamos com isso…

Se fizemos tanto com esses velhos companheiros, porque abandoná-los?
Acontece que estamos tão conectados a nossos PC’s [ou seria dependentes?] que queremos tê-los sempre conosco. Queremos que eles “façam parte de nós”, que sejam wearable computers, como previu Negroponte há quase 20 anos.

Só que o PC, acostumado com si mesmo, não deu este último salto. Notebooks e a febre passageira dos netbooks (esa sim, foi passageira, Mr. Mundie) não foram capazes de “estarem sempre conosco”.
Somente um “nerd” levaria seu note/netbook para a piscina. Seria muito mais “normal” levar uma revista ou um livro. Talvez um celular, que englobou muitas das vantagens do PC: Internet, e-mail, browser, etc.

Os smartphones passaram a tomar espaço dos PC’s em atividades simples, realizáveis em telas sub-4″. E SIM, eles estão SEMPRE conosco… (até na piscina!).

But there’s one more thing“…

Eis que surge do negro palco Mr. Jobs, e enxerga o que ninguém viu: a obesidade não afeta somente os americanos – ela atinge também os PC’s!!!
Os PC’s se tornaram pesados e volumosos, ainda que incrivelmente potentes. So que talvez desnecessariamente potentes para a maioria da pessoas.
Processador de 3GHz, quad-core, hyper-threaded… Jesus! Isso é um supercomputador de 10 anos atrás! Ele vem com um cientista na caixa???

E tudo [re]começa

Jobs deu então início à era pós-PC criando o iPad.
Leve em todos os sentidos, ele não é tão potente quanto um PC. E nem precisa, pois na maioria daz vezes, você não precisa que ele seja.
Você está há cerca de 2 minutos lendo este texto e seu processador está usando 2% ou menos de sua capacidade. E assim ficará enquanto você gerencia seu email, escreve seus textos ou interage nas mídias sociais. Talvez você use 10% para assistir a um vídeo no Youtube…

Jobs colocou à sua disposição – de forma a estar sempre com você – a potência suficiente para a maioria das tarefas, uma tela que viabiliza o trabalho, estudo ou lazer e a interface da nova era (MPG), baseada em toques, gestos e física.

E criador e criatura foram aclamados.
Sua empresa foi coroada como #1, desbancando a poderosa Microsoft – primeiro em valor de mercado, depois em lucro.
E como diz o anúncio dessa que foi a sacada da década: isto está apenas começando.

Bem-vindo à era pós-PC!

O risco das previsões no mercado de Tecnologia


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Há poucos dias, o estrategista-chefe da Microsoft, Craig Mundie, declarou que os tablets devem ser somente uma febre passageira.
Previsões deste tipo no mercado de Tecnologia da Informação são sempre muito arriscadas, porque em TI tudo muda muito rápido. Basta considerar, por exemplo, que o iPhone não existia até a metade de 2007. Hoje, desde crianças até idosos desejam e usam o aparelho. Passaram-se menos de 4 anos do dia em que muitos analistas consideraram loucura uma empresa de computadores atuar no mercado de celulares.

O iPad foi lançado há pouco mais de um ano. Lembro claramente a quantidade de “nerds” criticando o novo aparelho, chamando-o de “iPhone de Itu” e criticando suas características técnicas inferiores às de um PC. Talvez o iPad não seja mesmo para nerds que buscam cada quinhão de desempenho de seus superprocessadores. Talvez o iPad seja para seres humanos comuns, que simplesmente querem um equipamento para ajudá-los em suas atividades. Sem se preocupar com tecnologia. Afinal, tecnologia boa é aquela que você nem percebe que está usando.

Neste cenário, a declaração de Craig Mundie acaba sendo infeliz independente de como a novela terminar. Vamos analisar as 2 hipóteses:

1. Tablets são só uma febre passageira

Isto é ruim para a Microsoft por 2 razões:

  • A Microsoft não demonstrou agilidade para tirar proveito dessa febre, pois se ela é passageira, a Apple já faturou tudo (ou quase tudo: 83%).
  • Para não ficar (muito) para trás, a Microsoft está trabalhando com alguns fabricantes (HP, Asus, Dell) para lançar soluções para faturar com a febre (Slates). Está também soltando informações sobre o Windows 8, dando a entender que ele suportará tablets. Porém, se é só uma febre, todo esse esforço será em vão e os usuários do Windows terão que pagar por um custo de desenvolvimento que será enterrado com o passar da febre.

2. Tablets não são uma febre passageira

Neste caso, a técnica de Mundie pode ter sido de “desqualificar a concorrência”, tentando jogar areia no discurso “tablet” e tentando frear o avanço da Apple (e Google), enquanto sua empresa não apresenta uma resposta à altura.
Isso é ruim para a Microsoft por outras 2 razões:

  • Quando a Microsoft tiver sua solução para tablets, será que Mundie aceitará voltar atrás, assumindo uma visão míope? Ficará no mínimo estranho dizer: “quando meu concorrente fez algo antes de mim, era febre passageira, agora que eu estou fazendo, é o futuro”. Não que isso seja um problema para a Microsoft (às vezes ela faz isso com seus próprios produtos), mas com certeza, bom não é.
  • O mercado já estará tomado quando a Microsoft mudar de visão. Empresas já estão comprando iPads e tablets com Android e aplicações já estão sendo desenvolvidas para estas plataformas. A Microsoft já conseguiu reverter cenários assim 10 anos atrás (Explorer x Netscape), mas será que ela ainda tem todo esse poder? O jogo não é exatamente o mesmo, porque estamos falando em “era pós-PC”.

Conclusão:

De novo: em TI, previsões para o futuro são muito arriscadas. E quanto maior é o “vidente”, maior o risco. Um detalhe e o jogo muda. Quem diria, 5 anos atrás, que a Nokia se encontraria na situação de hoje, declarada como “uma plataforma em chamas” pelo seu próprio presidente? Outra: enquanto todos esperavam um sistema operacional da Google e olhavam para o Google OS, poucos perceberam que o sistema não era esse, mas sim o Android!
Estas mudanças estão sendo muito rápidas, e as empresas que têm mostrado agilidade estão se mostrando vencedoras. Tão vencedoras, que estão até mudando as regras do jogo na Nasdaq, de tanto que as ações da Apple subiram. Porque Jobs não fez previsões. Ele deu vida às suas visões.

As Eras da Tecnologia da Informação


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Podemos dividir a linha do tempo da Tecnologia da Informação Digital levando em conta alguns parâmetros. Um deles é a centralização/descentralização do processamento da informação: no início, o processamento era centralizado no mainframes, depois foi distribuído com os PCs e servidores derivados da arquitetura PC, e hoje está sendo novamente centralizada na nuvem.

No entanto existe um parâmetro menos cíclico e que mostra bem melhor a evolução da TI: a interface.
A maneira que interagimos com os computadores mudou MUITO, a ponto das gerações nascidas em uma era terem dificuldade para entender as interfaces das eras anteriores.

1. A era TTY

Nos anos 60 e 70 a IBM revolucionou a maneira como a informação era manipulada através de suas “Business Machines“. Armazenamento em fita magnética, leitura de cartões perfurados… interfaces nada intuitivas, até que apareceu o Terminal 2260, precursor do famoso 3270, com uma interface muito mais humana: através de letras e números. Uma tela com 24 linhas de 80 caracteres e um teclado igual ao das máquinas de escrever tornou a interação com estas máquinas muito mais confortável. TTY está para “teletype“, e até hoje os terminais que utilizam esta interface são conhecidos por esta sigla.

2. A era WIMP

Em 1984, a Apple trouxe a segunda onda de inovação. A bem da verdade, quem concebeu os conceitos dessa nova era foi a Xerox, em seus laboratórios de pesquisa em Palo Alto, mas a Apple leva o mérito de ter trazido a novidade do mouse e dos gráficos em computadores pessoais para o mercado através do Macintosh.
A ideia foi seguida pela Microsoft, que dominou o mercado com seu sistema operacional de 20 anos, o popular Windows. Estes sistemas baseiam-se em interfaces do tipo WIMP: Windows (janelas), Ícones, Menus e Pointing Devices (mouse ou canetas/pads). A interação é dividida entre o físico e o virtual. O pessoal da geração X se acostumou a mexer em uma coisa (o mouse) e ver outra (um ponteiro na tela) se movimentar de forma equivalente. E isso passou a ser intuitivo.

3. A era MPG

Em 2007, de novo a Apple… só que agora apostando em outro mercado. Uma empresa de computadores decidiu vender telefones. Nem todo mundo acreditou logo de cara, mas a Apple está colhendo até hoje os frutos deste ousado movimento. E não dá indícios de perder a lavoura tão cedo!
O grande diferencial do iPhone era a interface do tipo MPG: Multitouch, Physics & Gestures. Multitouch porque você toca naquilo com o que quer interagir (o cérebro não precisa mais sincronizar o movimento da mão com o dos olhos), e este toque não está restrito a um único ponto. Isso permite a utilização de gestos muito mais intuitivos, e que se tornaram marca registrada no iPhone: o abrir e fechar dos dedos para ativar o “zoom” e o “folhear” da tela para selecionar as imagens e ícones disponíveis. Há também a parte física envolvida, que engloba GPS, acelerômetro e bússola, permitindo soluções impressionantes e incluindo conceitos de Realidade Aumentada. Pegue um Android e experimente o Google Street View apontando o aparelho para o local que você está explorando. É surreal!

Gerações e Eras

Peque qualquer aparelho que possua uma tela e deixe uma criança com 4 anos ou menos interagir com ele. Imediatamente, a criança tocará a tela. Eles nasceram neste ambiente. A @elismonteiro contou a história de seu filho, que não entendia a necessidade de utilizar um mouse. Da mesma forma que poucas pessoas com 20 anos digitam “firefox” para abir um browser (você já viu alguém fazer isso?). Elas vão direto no ícone da raposa envolvendo o mundo. Assim como quem tem menos de 40 não tem a menor ideia do que pode estar escrito em uma pilha de cartões perfurados.
O mundo está mudando e novas interfaces estão surgindo. Não me pergunte qual será a próxima. Para isso existem caras visionários: Stanley Kubrick, que em 1968 idealizou a interface do HAL-9000 (e que pode ditar a próxima era) e Nicholas Negroponte, que nos anos 90 já previu tudo que está acontecendo em termos de serviços na Internet.
Infelizmente, Kubrick nos deixou em 99, mas o Negroponte está na ativa. E o mundo continua procurando visionários para dar continuidade à evolução das interfaces!

A TI está virando commodity?


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Commodities

Você consome, diariamente, produtos que são denominados commodity. Seu consumo acontece sem que você perceba – aliás, você só lembra que essa categoria existe durante ou após um período de privação desses produtos. Em situações normais, você provavelmente não costuma dizer coisas como:

– “Maravilha! Um toque no interruptor e a luz acendeu!”
– “Que bom! Está saindo água da torneira!”
– “Oba, hoje tem arroz!”
– “Hoje estou contente porque vou abastecer o meu carro!”

TI – a Tecnologia da Informação

Na última década do ano passado e na primeira deste século, a Tecnologia da Informação entrou de forma definitiva em nossas vidas. Entrou pela porta da frente, e tudo que era tocado pela magia da informática passava a ter um brilho especial. A TI trazia valor para os ambientes onde era adotada.

O manuscrito passou a ser digital, e as informações impressas de forma eletrônica eram, via de regra, consideradas muito mais precisas e completas do que aquelas escritas à mão.

Os profissionais de TI foram alçados a uma nova categoria de heróis, e termos como nerd e geek surgiram para definir este seleto grupo de iluminados capazes de domar as complexidades da tecnologia.

Hoje a tecnologia evoluiu tanto que crianças de 2 anos operam os últimos lançamentos do mercado de TI  enquanto seus pais procuram o manual (veja este vídeo).

Novos sistemas operacionais como o Jolicloud são instalados por leigos em poucos minutos, e a até então tarefa de instalar aplicações resume-se a alguns cliques, que crianças e idosos são capazes de realizar sem dificuldade e sem treinamento algum.
Além disso, a experiência do usuário passa a ser sempre a mesma, não importando qual aparelho esteja sendo usado pelo usuário, pois tudo (configurações e dados) está armazenado na nuvem.

As pessoas se conectam através de novas ferramentas sociais, pelo computador, pelo celular, pela TV, pelo videogame, pelo sistema computadorizado do carro…

TI = Commodity?

Da mesma forma que você não pergunta se o aço da carroceria do seu carro vem da China ou é nacional, ou que você não deixa de frequentar um restaurante pela marca do açúcar que ele compra, a experiência de TI pode começar a se tornar independente de alguns elementos básicos, como o hardware, os serviços de telecomunicações e rede, e até o próprio sistema operacional dos equipamentos.

Um consumidor moderno vai perguntar se o novo celular permite acessar o Facebook, o Twitter e o eMail. Se a resposta for afirmativa, a marca do aparelho ou o sistema operacional que ele roda… importam?

Tudo que está “embaixo” da verdadeira experiência do usuário passa a ser intercambiável e transparente (apesar de necessário), assim como a eletricidade, a água encanada e os bens de consumo mais básicos.
A qualidade destes commodities será praticamente uniforme, e o fator de decisão de compra será o mesmo de outras commodities: o preço.

E agora?

Se você trabalha com TI e ficou preocupado com essa constatação, acalme-se. O valor do século XXI está mais próximo das pessoas do que das máquinas, então se você quiser continuar trazendo valor para seus clientes, basta fazer esse mesmo movimento: aproxime-se das PESSOAS!