E-book no Brasil: Sonho ou Realidade?


Tecnicamente, o e-book no Brasil já é uma realidade. Além do Kindle Internacional, que funciona maravilhosamente bem, existe também uma solução totalmente nacional, o COOL-ER da Gato Sabido.

Apesar da possibilidade de substituir o papel pelo e-Ink (uma tecnologia que permite a leitura confortável, sem os inconvenientes da tela do computador), ainda existem algumas barreiras para a adoção do novo estilo de adquirir conhecimento:

Preço

Normalmente, o preço é uma das primeiras coisas que impacta no brasileiro. A solução nacional, mais “em conta”, custa R$ 750,00 + frete. Já o Kindle Internacional pode ser comodamente recebido no Brasil, porém a um ainda salgado custo de US$ 546,30 – cerca de R$ 1.000,00 (a Amazon já recolhe o valor equivalente aos impostos na venda). Apesar de um advogado ter conseguido uma liminar para isentar o Kindle dos impostos, por enquanto ela só vale para o pedido específico. Isto faz com que o e-book ainda esteja longe de ser considerado um produto popular.

Hábito de Ler

Mesmo assim você achou interessante? Ok, mas lembre-se que o produto só “se paga” para leitores vorazes.
Cálculo rápido de Retorno de Investimento: considerando-se um valor médio de R$ 40,00 por livro (papel) e R$ 20,00 por livro (e-book) somente após a leitura de 38 livros o aparelhinho empata em termos de despesas. Significa ler um livro por mês durante 3 anos! Isto é mais do que a média dos Estados Unidos, uma das maiores do mundo: 11 livros por ano. Os franceses lêem 7, e os brasileiros, 1,3 livro/ano (este valor sobe para 4,7 se incluirmos obras didáticas e pedagógicas, porém estas dificilmente serão utilizadas em e-books nos próximos anos). Os dados são da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel).

[In]disponibilidade de títulos em Português

Na loja KindleStore brasileira, constam apenas 39 títulos em Português (final de janeiro de 2010). Os títulos para o COOL-ER não são muito mais numerosos – a loja divide os livros em 18 categorias, e à exceção dos livros de Direito (86 exemplares), nas demais categorias a oferta é muito limitada, normalmente com meia dúzia de livros ou menos.

Segurança

Um dos prazeres da leitura é realizá-la em lugares agradáveis. Muita gente considera seu lar agradável, mas também é gostoso ler em um parque, no trem, no fretado, enfim, em ambientes com uma iluminação adequada e um bom clima…
Será que é prudente andar por aí desfilando um aparelho de R$ 1.000,00? Ao menos em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, isso pode ser mais uma preocupação que pode diminuir um pouco o prazer de ler (e a atenção dedicada ao texto).

Conclusão

Como muitas coisas no Brasil, o e-book ainda é uma realidade para poucos. O perfil de seu consumidor é alguém com um razoável poder aquisitivo, ávido por leitura e que domina um segundo idioma (inglês ou espanhol). Não é exatamente um retrato do brasileiro típico, mas quem sabe o gosto pela novidade faça com que mais pessoas almejem este perfil e o atinjam em breve! Eu estou na torcida, e você?!

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O Livro do Ano 2009


2009 foi um ano cheio de obstáculos, mas também foi o ano em que retomei um hábito que vinha neglicenciando há muito tempo: a leitura, principalmente de livros não técnicos.
Tomara que em 2010 aconteça um “click” parecido e eu volte a fazer exercícios físicos… mas isso já é outra história….

Um recurso que descobri tardiamente (“shame on me”) foram os audiobooks. Como pude viver tanto tempo em São Paulo sem utilizá-los? De setembro para cá já foram 6 livros, e isso não tirou sequer um minuto do meu tempo: todos foram ouvidos durante o deslocamento de casa para o trabalho (e vice-versa). Acreditem, encarar congestionamento ouvindo um livro é muito mais fácil!
Se mais pessoas aderirem à moda, não duvido que o trânsito de São Paulo ficará menos agressivo!

O eleito (ao menos por mim)

Desculpem se o título do post ficou um tanto presunçoso, mas gostaria de compartilhar com vocês aquele que eu achei o melhor livro de 2009. Foi um livro que me chamou a atenção como pai, pois ao ler a sinopse me caiu a ficha que – contrariando o Legião Urbana –se meu filho já nasceu, eu já não sou mais o filho”.
Como posso educar meus filhos usando como critério o que eu vivi na infância?
Sem querer entregar que tenho 41, eu andei de rolimã (para os mais jovens, é um carrinho feito com tábuas de madeira e rolamentos, utilizado em ladeiras e normalmente sem freio), joguei “taco”, queimada e futebol na rua (o último, não muito bem), estourei “bombinhas” em datas comemorativas, lavei carro na rua…

Hoje, meus filhos não podem fazer nada disso; ou porque é proibido, ou porque é inseguro, ou porque é politicamente incorreto. Obviamente eles estão se desenvolvendo de forma muito diferente, fazendo coisas muito diferentes. Por exemplo: minha experiência com videogames (privilégio de quem tinha algum amigo cujo pai viajava para os EUA) foi jogar “Asteroids” e “Pac-Man” num Atari 2600 com frente de madeira e em preto e branco, porque a “transcodificação” para o semi-sistema PAL-M-N’ era cara… Hoje o realismo dos jogos é tão grande que se um pai desavisado entra na sala enquanto o filho joga videogame ele senta e começa a torcer achando que é jogo ao vivo! Só depois ele percebe que o filho está sozinho… -“Ô moleque, porque não vai brincar com os amigos? Vive enfurnado em casa!” –“Pô pai, tô jogando com a galera. Tá rolando um campeonato da classe, tá todo mundo online!” –“Ah, tá… Internet, né?” 😕

Como ficar a par de tudo o que acontece se você ainda tem que trabalhar de 8 a 12 horas por dia?!

Livro do Ano (por LPalma) - Grown Up DigitalO livro “Grown Up Digital”, de Don Tapscott, pode ajudar nessa missão.

E o mais interessante é que o livro vai bem além disso! Não bastasse o autor retratar a “Net Generation” de uma forma tão precisa a ponto de eu ver o que ele escreveu acontecer logo à minha frente, com o meu filho de 10 anos, ele ainda mostra os pontos positivos, os pontos de atenção… e abre uma enorme janela de oportunidade do ponto de vista profissional.

Hoje existem muitos mitos em relação aos jovens. “Eles são desinteressados, seu conhecimento é supérfluo, eles não sabem mais se comunicar e são viciados em videogame e Internet…”
É muito comum ver leigos afirmando isso, mas Don Tapscott fala com fundamentos. Sua empresa, a nGenera, investiu 4,5 milhões de dólares em uma pesquisa com 11.000 jovens da “Net Generation” para entender como esta geração está mudando o mundo. E o livro faz jus a essa grana toda.

Se você tem filhos, a recomendação já está feita. Se você não tem, só deixe de ler se você vai se aposentar nos próximos 3 ou 4 anos (e tem emprego estável). Porque logo, logo, a “galera” que o Don estudou estará no escritório, junto com você, fazendo e acontecendo. Quem souber falar a língua deles terá excelentes oportunidades para criar parcerias fantásticas, oferencendo sua experiência e maturidade e recebendo em troca a agilidade e o dinamismo dessa geração. Além de muito produtivo, vai ser muito divertido, pode ter certeza!

E vocês, NetGenners… SEJAM BEM-VINDOS! 🙂 🙂 🙂

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