Não é uma meritocracia, mas mantenha a calma! Ainda assim, você pode vencer! (ou “a metáfora do jogo de golfe”)

Não é uma meritocracia, mas mantenha a calma! Ainda assim, você pode vencer! (ou “a metáfora do jogo de golfe”)

Startups no Brasil

Tenho participado de algumas discussões sobre Startups no Brasil, e nota-se alguns “padrões” nesse ecossistema.
Existe o pessoal que realmente quer mudar o mundo e que tem capacidade e vontade para isso. Existe a turma que acha que startup é um caminho mais fácil para ficar rico, sem precisar “perder tempo” fazendo uma faculdade e adquirindo experiência. Existem os iludidos, que vão atrás de tudo o que reluz. Existem os cheios da grana que, turbinados por ela, criam uma imagem de sucesso para massagear o ego. Existem profissionais experientes e visionários, que vêem no modelo uma forma de criar coisas novas. E existem também os sem-noção. Tem de tudo um pouco.

Dentre todos esses padrões, é possível dividir aqueles que terão sucesso em dois grupos: os altamente capazes e que não têm muitos recursos financeiros disponíveis e aqueles que têm MUITA grana (e que nem sempre precisam ser altamente capazes).

Recursos financeiros

Com muito dinheiro, dá para fazer a coisa dar certo “na força bruta”. Tenta, quebra, tenta, quebra, tenta, quebra, tenta, quebra de novo… Uma hora funciona, e então aciona-se uma máquina de marketing e relações públicas para divulgar (somente) essa iniciativa que deu certo. Pronto: uma imagem de sucesso está formada! Até criança é capaz de fazer sucesso assim (e existem casos).

Fazer sucesso sem ter (muito) dinheiro da família à disposição, porém, é bem diferente…

meritocracia

Capacidade

Recentemente, estive com um grupo de 12 desenvolvedores em formação. Dava para ver a qualidade dos jovens pelas perguntas feitas na palestra anterior e pela vontade de aprender estampada nos olhos daqueles jovens. Claramente, eles não tinham caminhões de dinheiro da família na garagem.
Um deles levantou dúvidas sobre a questão de “tentar e quebrar”, e senti a obrigação de ser honesto com eles em relação à questão privilégio x meritocracia (bem ilustrada no metáfora de acertar a bolinha de papel no lixo).

Tentar != Quebrar

Em discursos sobre startups, é frequente ouvir que “quebrar faz parte”. Em casos extremos há quase uma “apologia à quebra”. Eu acredito que “tentar faz parte”, mas “tentar” e “quebrar” não são sinônimos.

Como em tudo na vida, é necessário equilíbrio. Alguém que sai tentando coisas de forma irresponsável e sem se preparar não deve ser visto como exemplo. Por outro lado, uma pessoa que acreditou em sua ideia, validou, se preparou, planejou e tentou, eventualmente pode quebrar. Tentar faz parte, e o risco de quebrar existe. Nem por isso se deve sair tentando irresponsavelmente em nome da “agilidade”. Ao menos não todos…

Não é uma meritocracia

As consequências de quebrar podem ser muito diferentes dependendo do patrimônio que a pessoa (ou a família da pessoa) tem à disposição. Para quem possui um patrimônio de dezenas ou centenas de milhões, perder 500 mil não é um absurdo. Para quem só tem um apartamento de 2 quartos em bairro menos privilegiado e 2 filhos para criar, isso pode ser bem mais trágico. Quem tem grana pode usar a técnica da tentativa e erro. Quem não tem esse respaldo precisa ter uma mira mais acurada.

A metáfora do jogo de golfe

Durante essa conversa me ocorreu a metáfora de um jogo de golfe entre duas pessoas, uma muito rica e outra sem esse privilégio. Perguntei ao grupo quem ganharia a partida se um deles jogasse contra, digamos, o Thor Batista. Os olhares foram estranhos… 🙂 🙂

A grande diferença entre um deles (vamos chamar de João) e o Batista é que enquanto João tem direito a uma só bolinha, o filho do bilionário chegaria ao jogo com 1.500 bolinhas.

Batista pode perder todas as bolinhas sem grandes consequências, então ele começa, rapidamente, a atirá-las cobrindo 360 graus (“agilidade”), sem nem se preocupar para que lado é o buraco. Uma delas, eventualmente, cairá nele. Iniciativa à base da tentativa e erro.

João, por ter uma só bolinha, opta por estudar e treinar antes do jogo. Avalia a situação, o vento, o taco certo a usar, a força que deve ser colocada na tacada, etc.

Com tantas bolinhas, talvez Batista ganhe a partida na primeira rodada. Se ele não tiver essa sorte, porém, João passa a ter bem mais chances! Como Batista nem sabe qual bolinha pode ter chegado perto do buraco, ele começa o processo do zero, com mais 1.500 bolinhas financiadas pelo pai. João, por sua vez, pode não ter acertado o buraco na primeira tacada, mas com certeza sua bolinha está muito mais perto do objetivo. Suas chances são bem maiores agora. Seu estudo, planejamento e esforço têm grandes chances de vencer a sorte!

Conclusão

Não gostaria de ser mal entendido. O exemplo desse texto não deve conduzir a falsas dicotomias (“quem é capaz não tem dinheiro, quem tem dinheiro não é capaz“). Nem estou dizendo que não se deva assumir riscos. O que acho importante é avaliar o cenário em que VOCÊ se encontra antes de entrar no jogo. Nem sempre as regras são iguais para todos, e o bom jogador – aquele que provavelmente obterá bons resultados – é aquele que sabe tomar atitudes pensadas e equilibradas, com base nos recursos com os quais pode contar. Não acredite cegamente nas palestras motivacionais dos eventos. Não acredite que porque alguém teve sucesso você também terá. Absorva as informações e aplique à SUA realidade, com pensamento crítico e com muito estudo e planejamento.

E sim, TENTE! Porque só ganha o jogo quem entra em campo.

Não sei carro ou se compro uma bicicleta…


Acabo de tomar uma decisão de compra. Criteriosa, e muitas vezes por isso meus amigos me chamam de “mão-de-vaca”, mas eu não ligo. Orgulho-me de valorizar meu dinheiro tanto quanto orgulho-me da forma que o obtenho.

Na realidade, acabo de fazer uma sucessão de decisões. A primeira, e que espero que seja saudável e gratificante, é a de começar a ir trabalhar de bicicleta. Fiz 2 “reconhecimentos de terreno” indo até a empresa de bike num domingo e num feriado. Foi muito tranquilo e resolvi testar num dia normal. Foi o suficiente para decidir deixar o carro em casa. Ok… talvez não abandone o fiel Polo com mais de 10 anos nos dias de chuva, afinal ele tem sido um bom companheiro! 😉

Tomada esta decisão, resolvi fazer um “upgrade” de bike. Minha Caloi Aspen, simples de tudo, também tem sido uma boa companheira por mais de 10 anos. No caso dela, o abandono tem sido culpa minha…

Ano 2014, então compras começam pela Internet. Pesquisei bicicletas novas e usadas, defini um orçamento e selecionei alguns produtos que se encaixavam nele. Só que faltavam alguns detalhes para sentir-me confortável para comprar uma bike. A primeira coisa: ver a bike fisicamente (o Facebook já provou que todo mundo pode sair bem em ao menos uma foto!). 🙂

Escolhi uma bike que me agradou no mundo virtual e fui até uma loja. Centauro. Chegando lá, olhei diversas bicicletas e, principalmente, examinei “tim-tim-por-tim-tim” o modelo que tinha pré-selecionado. Como sou humano, senti o impulso de levar.

Luciano: “Você faz o preço do site?” (na loja física a bike estava R$ 250,00 mais cara)
Vendedor: “Ah, não dá!”
L: “Ué… se no site dá, por que aqui não dá?”
V: “Ah, senhor, é que o site não tem o custo do aluguel, luz, água, o salário do vendedor, etc.”
L: “Deixa eu entender. Então você está dizendo que eu tenho que voltar pra casa e comprar no site? E que não tenho que pagar pelo seu serviço?”
V: “Olha, o que eu posso fazer é parcelar o pagamento.”
L: “O site também parcela!”
V: “Mas se comprar com a gente, o senhor já sai com a bike montada, regulada.”
L: “E isso vai custar R$ 250 para mim. Não vale! Não tem um gerente para eu conversar?”
O vendedor chama a gerente…
Gerente: “Olha, a gente sabe que muita gente reclama disso. Já discutimos isso em reuniões nossas, mas a direção definiu assim.”
L: “Desculpe a franqueza, mas é uma decisão burra da direção!”
G: “Eu sei, mas sabe… é que tinha gente que usava de má-fé.”
L: “Como assim, minha senhora? É só entrar no site e ver se o preço é aquele!!”
G: “É que tinha vendedor que, para dar desconto, falava que o cliente tinha visto no site.”
L: “Ah… e isso é má-fé… cobrar R$ 250 a mais do que poderia cobrar é uma super boa-fé, né?!”

Nem preciso dizer que saí de lá sem a bike, né? (E o vendedor sem a comissão, que seria a mais rápida do dia, uma vez que ele não teria precisado gastar tempo comigo). Mais ridículo ainda foi constatar que comprando pelo site, posso levar a bike para a loja física para que ela seja montada e regulada!!! Em outras palavras, por uma “decisão da direção”, eles têm que mandar a bicicleta para mim (e pagar o frete), e eu tenho que levá-la de volta para eles, sendo que a bicicleta já está lá…

O mais curioso é que a imagem que eles acabam passando é a seguinte: o vendedor é um “peso morto” que encarece o preço do produto, não agrega informação e não se importa com o cliente. A dica para comprar algo é: vá até a loja física, conheça, experimente, tome tempo do vendedor, tome até um café. Depois não pague por nada disso, volte para casa e compre na loja online (e insatisfeito com o atendimento da loja física).
Estranho, né?

Aí vem a última parte da cadeia de decisões…

Como é que eu, inexperiente em ciclismo, vou escolher a melhor bike? Qual a diferença entre um câmbio dianteiro Shimano FD-MTZ30 Top Route e um Shimano Altus M311 Down Swing – 8v??? E ainda tem o câmbio traseiro, os passadores, os cubos, as pedivelas, os freios V-Brake ou a disco, a suspensão, os aros, os pneus, o tamanho do quadro…

Fiz o que qualquer um faria: procurei quem entende. E onde você acha alguém que entende e que você possa confiar que vai pensar no teu interesse? (infelizmente, muitos vendedores pensam mais na comissão deles). O cara precisa ser seu amigo, então o lugar é: na sua rede social. E hoje, isso significa: nas mídias sociais.

Não demorou para que os amigos “bikers” começassem a dar dicas e levantar detalhes para os quais eu, sozinho, jamais atentaria. Para a cidade, pneus mais finos e lisos são melhores. Suspensão traseira só tira energia. Para-lamas e bagageiro são cruciais…

Uma boa rodada de perguntas e respostas (e o mais legal é que online, um complementa a opinião do outro) e em pouco tempo tomei minha decisão. Por um momento pensei em gastar bem mais, mas com a ajuda dos especialistas, encontrei o produto certo para a minha necessidade, gastando o mínimo daquele dinheiro que eu tanto “regulo”.

Resumo da ópera:

  1. O e-commerce no Brasil precisa evoluir muito. As informações nos sites não são, nem de longe, suficientes para a tomada de decisão;
  2. As empresas precisam entender melhor o e-commerce. Uma cadeia como a Centauro não pode ver sua própria loja online como concorrente. Foi, sim, burrice não ter feito a venda na loja pelo preço do site.
  3. A tomada de decisão passa SIM pela sua rede social. E sua rede social está SIM nas mídias sociais. Empresas que não derem importância para isso estarão, no mínimo, perdendo a oportunidade de aprender o que fazer para que nosso círculo de amizades recomende os seus produtos nas mídias sociais.
  4. Escolher pela bike foi uma decisão acertada. Mesmo antes de começar, já estreitei laços com ótimos amigos. Obrigado Fábio Takeuchi, Cláudio Kerber, Giovanni Bassi, Dani Pepe, Victor Zamora, Alã Costa, Carol Martinez e Adriano Machado pela ajuda.

Ah… a decisão final? A Oxer XR210 da Centauro mesmo, que vou comprar… pelo site!

PS: Sei que o título está errado, mas de vez em quando a gente tem que sair um pouco do convencional, né? 😉 😉

Da escravidão a Star Wars: não mudou nada


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Ultimamente, os versos de Caetano têm ecoado cada vez mais fortes: “porque Narciso acha feio o que não é espelho”…
Se já podíamos considerar Narciso medíocre por sua atitude, os atuais Neo-Narcisos conseguiram estabelecer novas dimensões de mediocridade autista.
Porque ao contrário do espelho de Narciso, que refletia seu rosto, o espelho dos Neo-Narcisos já vem de fábrica com uma imagem pré-definida.

Os Neo-Narcisos nunca olham para sua verdadeira imagem. Seus espelhos são suas máscaras. Convencem-se de ser a imagem que vêem no espelho, sem questionar se é aquela que gostariam de ser e de ver, mas pior ainda, sem nunca se questionar se aquela é realmente a imagem de si mesmo.
Neo-Narcisos não têm mais nomes, pois seus cargos dizem quem eles são. Não são procurados pelas pessoas pelo que são, mas pelos cargos que exercem.

No espelho, a imagem está feliz, então os Neo-Narcisos precisam também estampar um sorriso no rosto. E no Facebook, e no Twitter… porque precisam manter a coerência com a imagem do espelho.
Para não se deparar com suas imagens reais, utilizam o artifício de esgotar seu tempo. Ou então a “fuga alternativa”: usar o espelho reserva, com magníficas imagens do circo do Stromboli, que dos tempos do Pinóquio para cá andou mudando de nome…

Escravos
Escravos, obedecendo...
Stormtroopers
Stormtroopers, obedecendo...

Neo-Narcisos são zumbificados, como os Stormtroopers de Star Wars, programados para obedecer a uma hierarquia.

A programação é tão intrínseca que os poucos troopers que conseguem se destacar, ao invés de usufruir a opção de serem livres e de quebrarem seus espelhos… criam hierarquias mirins, à imagem e semelhança daquela  que lhes deu origem.

Não é raro que, assim como os escravos que recebiam sua alforria e passavam a comprar escravos, troopers que se libertam das garras do Império montem suas “startups” e imediatamente imprimam cartões com títulos que até então consideravam “opressores”.
O objetivo? “Crescer” e ter muitos troopers a lhes servir.

Os escravos eram negros; os troopers são brancos, mas o modelo é sempre o mesmo…

Socialmedia não é Broadcast!


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A discussão envolvendo Socialcast e Broadcast não é uma coisa exatamente nova.
Há quase 2 anos, o grande amigo Celso Pagotti apresentou este assunto em uma palestra no Web Expo Fórum.

Só para resumir as principais diferenças entre os dois modelos:

Broadcast:

Características:

  • Emissor único (anunciante);
  • Grande número de receptores;
  • Mensagem controlada pelo anunciante;
  • Mesma mensagem para todos os receptores;
  • Abrangência associada à mídia utilizada.

Fatores de sucesso:

  • Alcance da mensagem (volume);
  • Memorização.

Métricas mais comuns:

Associadas aos Eyeballs, ou seja, quantidade de pessoas que foram expostas à mensagem.
Para precificar este tipo de mídia, costuma-se utilizar o CPM (Custo Por Mil), que como o nome diz, indica quanto custa para atingir 1.000 pessoas (telespectadores/ouvintes/leitores).

Efeito:

Rápido, de curta duração.

Socialcast:

Características:

  • O emissor NÃO É único, e pode não ser o próprio anunciante;
  • A mensagem pode ser introduzida pelo anunciante, mas também pode ser modificada pelos difusores (ou seja, a mensagem se “molda” conforme flui nas redes [sociais]);
  • Não há controle central;
  • Abrangência associada à relevância e à aceitação da mensagem [ou ao repúdio].

Fatores de sucesso:

  • Engajamento de difusores;
  • Alcance da mensagem (volume);
  • Recomendações.

Métricas mais comuns:

Associadas à difusão espontânea da mensagem: Likes e Shares no Facebook, RT’s no Twitter, +1’s no Google+, avaliações positivas (ratings), re-postagens em blogs e plataformas de mídias sociais.
Além disso, métricas relacionadas a volume também são importantes (acessos a landing pages, vídeos no Youtube, CTR (Click-Through Rate), CPA (Cost Per Action), CR (Conversion Rate).

Efeito:

Lento, de longa duração.

Então não é tudo a mesma coisa…

A atuação das empresas deve se adequar a cada modelo.
Infelizmente, o mercado vem utilizando as plataformas de mídias sociais – que são totalmente compatíveis com o Socialcast – da mesma forma que estavam acostumadas a fazer com o Broadcast.
Uma oportunidade desperdiçada, sem dúvida.

Não é à toa que vemos tanta dificuldade em comprovar o ROI (Retorno do Investimento) de “ações em mídias sociais”.
Se a cabeça é de Broadcast, esperando retorno da mesma forma que se fazia com mídias tradicionais, não é raro ver gente “maquiando relatórios” para justificar o investimento, porque a ferramenta não é a mais adequada para obter o resultado esperado.

O erro mais comum é a expectativa de resultado rápido. A menos dos famigerados virais, Socialmedia não dá resultados de imediato. É um trabalho de médio e longo prazo, porque não estamos falando simplesmente de Eyeballs. Estamos falando de relacionamento, e bons relacionamentos não se constróem de uma hora para outra.

Virais

Ok, virais encaixam-se na categoria Socialcast e podem ter um poder de difusão alucinante, apresentando assim uma resposta extremamente rápida.
O controle sobre virais, no entanto, é praticamente nulo. Por mais que seja possível produzir um conteúdo com um bom “poder de viralização” – seja por ser polêmico, engraçado ou ousado – é muito difícil prever a reação das pessoas na rede.

Por que as pessoas saíram repetindo uma bobagem como a da Luiza no Canadá? Porque essa bobagem e não outra?
Além disso, virais são como fósforos: uma vez utilizados, não funcionam de novo. Perdem seu brilho. Vide a tentativa frustrada de quem soltou a Luiza [sem querer] e tentou, em vão, usar a mesma receita para “viralizar” de novo…
Não caia na ladainha dos “piratas das mídias sociais” que prometem “soltar um viralzinho”.

Por fim, virais podem ter efeitos extremamente negativos. Mais do que fósforo, pode virar nitroglicerina!

Relacionamentos

Se estamos falando de mídias SOCIAIS, é claro o assunto é relacionamento. E relacionamentos exigem tempo para serem construídos… ou não!

Alguns relacionamentos acontecem puramente por interesse. Estes podem ser estabelecidos de forma praticamente imediata.
Na verdade, são relacionamentos transacionais muito mais do que sociais. As partes concordam na troca que existirá e a troca é realizada.

O exemplo mais clássico é a troca de RT’s ou Likes por “pirulitos” (o preferido – e menos criativo – costuma ser o iPad).
Alguns profissionais vendem a participação em sorteios (ou quando não dá tempo, “concursos culturais”) como engajamento, e os Likes “comprados” dessa forma como índice de relacionamento. Vou deixar que você tire suas próprias conclusões…

Socialmedia sendo usada como ferramenta de Broadcast

Sorteios são ações muito comuns no mundo Broadcast. É uma forma eficiente de atrair Eyeballs.
Afinal, quem não quer levar alguma coisa de graça? Esse apelo permite que um número muito grande de pessoas seja exposta a uma mensagem, o que contribui para que se apresente um bom CPM.
No mundo Broadcast, o profissional que atinge mais gente com sua mensagem, com os menores custos, é o melhor.

O problema é quando plataformas de Socialmedia são usadas com essa mentalidade, ou seja, mais como “mídia” do que como “social”.
A receita, numericamente (e para efeitos de relatório), pode até acabar funcionando, uma vez que mistura dois ingredientes eficientes: algo sendo distribuído gratuitamente e uma plataforma onde as pessoas podem avisar os amigos sobre a barbada.

O efeito de difusão através dos laços sociais da rede até possui um componente associado a relacionamento. O ponto é que o relacionamento só existe na fase de difusão.
Não existe relacionamento entre empresa e potenciais consumidores, porque o acordo é meramente transacional: “você me dá um Like e eu te dou um pirulito”.
O “relacionamento” termina junto com a transação, no exato momento em que o vencedor do sorteio é anunciado: o vencedor fica feliz por ter ganhado seu pirulito (mas não se tornará, necessariamente, cliente da empresa) e a multidão dá as costas com aquela sensação de “Aaaahhhh”. E fim.

Como os Likes continuam na fanpage da empresa, o relatório indica um tremendo sucesso. A questão é: “E depois do Like?”.

Como combinar Broadcast e Socialcast?

Se você leu até aqui, deve estar achando que eu sou defensor do Socialcast e crítico do Broadcast. Acertou a primeira, mas errou a segunda parte.
Apesar de fascinado por Socialmedia, acredito que o Broadcast continuará tendo seu papel. O sucesso estará exatamente na dosagem primorosa dos dois modelos.
O fato de cada um ter características diferentes não quer dizer que um seja MELHOR do que o outro. O ideal é utilizá-los de forma complementar.

Já vimos que o Broadcast é eficiente para resultados imediatos, mas que podem não ser duradouros. É normal ver vendas voltarem aos padrões “normais” após o encerramento de campanhas Broadcast.

O Socialcast, por sua vez, possui uma ação mais duradoura, pois relacionamentos efetivos podem ser construídos (se as ferramentas forem usadas corretamente). Só que isso leva tempo…

Por que não chegar ao melhor dos dois mundos?

Se um modelo complementar o outro, a empresa pode colher os melhores frutos:

  1. Agilizar a difusão do Socialcast com auxílio do Broadcast
  2. Manter os efeitos do Broadcast com auxílio do Socialcast

Como engenheiro, não poderia deixar de publicar um gráfico para ilustrar a vantagem do uso conjunto BroadcastSocialcast:

Quando Socialmedia mostra que é Social de verdade


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Ontem o Brasil foi testemunha de uma tragédia incomum: o desabamento de 3 prédios no centro do Rio de Janeiro.
O fato foi noticiado de uma forma que infelizmente já virou praxe na imprensa nacional, com desinformação, pouca pesquisa e pouca checagem dos fatos e das fontes. Eu, pessoalmente, tenho lá minhas desconfianças, uma vez que a foto que consta do local no Google StreetView mostra placas de obras que nenhum repórter se deu o trabalho de pesquisar… mas vamos deixar as investigação com as autoridades, até porque não temos outra opção…

O que quero levantar aqui é outra questão. Um gesto bonito perante cenas tão horrorosas.

NUVA Agência

A agência onde trabalham @JoseTelmo@GugaAlves e @PabloAugusto ficava num dos edifícios que desmoronou. Felizmente, eles estão todos bem, e isso é o que mais importa.

Os profissionais que trabalham com mídias sociais, sensibilizados, tiveram uma atitude que dá sentido à escolha da área em que trabalham, especificamente à palavra “Social” em Socialmedia.

Vaquinha para NUVA

Quase que imediatamente, o “pessoal da Socialmedia” usou as próprias mídias sociais para tentar minimizar o impacto sofrido pelos amigos da NUVA. Ricardo Martins (@ricardopmartins) e mais 7 amigos (@edstorini, @reifison, @camilocoutinho, @rafaelsalgado, @helemoura, @ocarti e @pabloalmeida) decidiram criar uma “vaquinha” para ajudar na reconstrução da agência que ficou reduzida, literalmente, a pó.

Eles usaram este site para coletar doações, independentemente de valor, para ajudar os amigos. Nesta hora, quem trabalha em outras agências deixou de ver uma “concorrente” e passou a ver companheiros, num gesto leal, nobre e bonito de doação para a reconstrução da NUVA. Cada um doou o que poderia doar, e mais do que o dinheiro, tenho certeza que o gesto e as palavras ali deixadas trarão muita energia para que a NUVA retorne o mais breve possível ao mercado, revigorada e orgulhosa pelas amizades que construiu ao longo do tempo.

Até o momento (com somente 1 dia de vaquina) já foram arrecadados R$ 11.000,00. Pode não ser dinheiro suficiente para re-estabelecer a NUVA fisicamente, mas tenho certeza que será uma “pedra fundamental” muito sólida, que motivará cada um de seus integrantes a voltar à ativa com muito vigor. Porque nessa quantia, tem muito mais sentimento do que cifrões.

Parabéns aos “socialmedias”

Nem todo mundo que contribuiu era amigo pessoal da turma da NUVA. Muitos nem os conheciam pessoalmente. Porém, muita gente solidarizou, mostrou empatia e soube se colocar no lugar do outro. Achei isso um gesto bonito e contagiante. Tive orgulho da “categoria”, e fico muito feliz por saber que existem tantas pessoas assim.

Vaquinha para NUVA é um gesto totalmente SOCIAL, digno de quem se propõe a usar essa palavra no seu dia-a-dia de trabalho.

Parabéns, “socialmedias”. E muita força e muita energia para a reconstrução da NUVA.

PS: E você, já ajudou os amigos da NUVA? O link é esse.

Editado em 31/01/2012 (inclusão dos nomes dos criadores da vaquina. Obrigado pelas informações, Ricardo).

ReTweetspectiva 2011 – Parte 2 (Mídias Sociais)


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Ontem publiquei os Tweets da ReTweetspectiva 2011, na categoria Sociedade & Comportamento.

Confira hoje os Tweets mais interessantes de 2011 na categoria Mídias Sociais.

(Amanhã e depois de amanhã serão postados os Tweets das categorias Mundo Corporativo e Tecnologia & Comunidade Técnica).

  • Transparência em tempos de Mídias Sociais: “Minha vida é um facebook aberto” (2/1)
  • ROI é uma relação matemática, um número. Se você ainda não sabe qual é o retorno desejado, defina isto antes de perguntar sobre esse número. (17/1)
  • @Jana_Bernardes “Quem deve assumir as Redes Sociais de uma empresa?” Se alguém tem q “assumir”, é pq a empresa não está em Rede, concorda? (22/1)
  • Empresa fala: “Compre!” – você dá de ombros. Consumidor fala: “Não compre!” – você corre prá ver. #midias #sociais #socialcast (29/1)
  • Mídias Sociais dão trabalho porque as mensagens são efêmeras. E às vezes explosivas. (17/2)
  • Se estas manifestações derrubarem as ditaduras políticas, será que surgirão novas, para derrubar as “ditaduras econômicas”? #RedesSociais (19/2)
  • É normal falarmos muito bem ou muito mal das coisas aqui no Twitter. Não tem muito sentido dizer “o sabonete que usei hoje é razoável”, tem? (19/2)
  • Tiro sai pela culatra, a campanha vira fiasco e zombaria e a desculpa é q “pelo menos estão falando da marca”. Poupe-me… (4/3)
  • Uma imagem vale por 1000 palavras porque as pessoas associam 1000 palavras que vc escreve à sua imagem no Twitter (10/3)
  • Os consumidores estão aprendendo a usar mídias sociais muito mais rápido (e melhor) do que as empresas. Vide os casos Brastemp e Renault. (13/3)
  • Parabéns pelo seu novo emprego!!! Agora vc é socialmedia manager de vc mesmo! #personalbranding (15/3)
  • Mentalidade d pagar por tweet é totalmente Broadcast. Mídias Sociais são + eficientes pelo engajamento do q pelo Broadcast (31/3)
  • Comemore a perda de seguidores no Twitter. Isso indica aumento da relevância de sua “real audiência”. (7/4)
  • Para cada campanha “Siga no Twitter e concorra a…” morre um Panda. Se o prêmio for iPad, morrem dois. (18/4)
  • Qdo 2/3 ds empresas no BR dizem estar presentes nas mídias sociais,pergunto-me o q a maioria entende por “estar presente nas mídias sociais” (24/4)
  • Se escola/professor bloqueiam acesso à Internet na sala é pq não conseguem ser mais interessantes do q a Rede (nem trazer mais valor). (27/4)
  • Ser popular não significa ser influente. O broadcast te torna popular; o socialcast, influente. (9/5)
  • O Facebook já proibiu sorteios por “Like”. Bem que o Twitter podia proibir “Dê RT e concorra” né? Multa dupla se for iPad. (30/5)
  • Não tuite demais, para não cair no filtro de indiferença. #PKM #saraudeideias (30/5)
  • Empresas que não acompanharem (mídias sociais) parecerão idosos jogando futebol com adolescentes. (2/6)
  • Fico um pouco offline, ligo o rádio e o que ouço? Twitter,Orkut, Facebook… (7/6)
  • Broadcast é bom pela abrangência. Socialcast é bom pela influência. Rafinha é broadcast, @briansolis é socialcast. (10/6)
  • Viral? Viral é broadcast disfarçado de socialcast… (10/6)
  • Cada vez que alguém sorteia alguma coisa no Twitter morre um Panda. De tédio. (12/6)
  • Quando vejo pesquisas dizendo que 70% das empresas usam mídias sociais no BR, pergunto-me quem eram os 100%… #prontofalei (17/6)
  • Quer ver pararem c/ essa história de calcular ROI de Socialmedia? Peça p/ a empresa mostrar como foi calculado o ROI de qquer outra coisa… (25/6)
  • Quem quer se vender como guru em Redes ainda não entendeu as Redes. (28/6)
  • Campanha online boa é aquela que não precisa de sorteio para atrair. (5/7)
  • Se mídias sociais são bloqueadas, maus funcionários voltam a enrolar como antes, ou criam novos meios. O pior cego é o que não quer ver… (5/7)
  • Quer resultado no online/socialmedia? Peça um planejamento sem sorteio/concurso. Filtra mais do que Melitta – não, esse tweet ñ foi pago 🙂 (7/7)
  • Siga-nos no Twitter: uma nova maneira de dizer: “não entendemos nada, mas vamos fingir que está tudo OK” (11/7)
  • Curta a nossa fanpage é o novo “um trocado, por favor?” (13/7)
  • Nas mídias sociais, ao abordar assuntos relativos à empresa em que você trabalha, identifique-se como funcionário. É polido e transparente. (25/7)
  • As empresas precisam entender que responder mensagens no Twitter não é resolver o problema… (26/7)
  • Pelo contrário… mostrar que monitora redes sociais mas não tomar atitudes REAIS, só mostra modismo, descaso e desrespeito pelo consumidor. (26/7)
  • E esses virais hein? Beneficiam mais as agências que os fazem ou os clientes que pagam a conta? #prapensarE esses virais hein? Beneficiam mais as agências que os fazem ou os clientes que pagam a conta? #prapensar (2/8)
  • Se você não é social no off, não adianta tentar ser no on – @glebeduarte (12/8)
  • Esta é uma mensagem automática. Por favor, não responda. Parece piada, mas isso vem de um canal de “atendimento” de 1 empresa grande… (14/8)
  • Quando é que as empresas vão deixar de fazer broadcast em canais destinados ao socialcast? (14/8)
  • Tudo o que é demais incomoda. Personal Branding não é exceção. (20/8)
  • Não confundir “engajamento com a campanha” com “engajamento com a marca”. Se não tiver o segundo, não tem ROI. (22/8)
  • Nota mental: ROI é medido em DINHEIRO que entra no caixa, não em Pageviews, Retweets, Likes, Seguidores, bla, bla, bla… (22/8)
  • O Twitter é um Rádio por escrito. (30/8)
  • Auto-elogio: uma boa forma de perder a relevância. Vale para pessoas e para empresas. (9/9)
  • Laranja madura na beira da estrada / Tá bichada, Zé, ou tem marimbondo no pé Pense nisso antes d investir em socialmedia (24/9)
  • O “engajamento” por sorteio ou “concurso cultural” em mídias sociais acaba no instante em que o prêmio é entregue. (28/9)
  • Ah, se publicitários vendessem tão bem o produto de seus clientes quanto vendem as suas agências… (29/9)
  • E ainda tem empresa grande caindo na do “vamos soltar um viralzinho”… Até quando? (14/10)
  • Uma nova versão p/ “me dê um RT que eu te dou um pirulito” –> “bata minha métrica q eu te dou um pirulito” SM d 3o. mundo (20/10)
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O “Community Manager”


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Durante o Socialmedia Day 2011, a Scup distribuiu alguns adesivos que chamaram a atenção e divertiram os participantes.
Um deles, polêmico e bastante questionado, dizia “Socialmedia guru“, mas o que mais chamou atenção – e que foi muito procurado, foi o de “Community Manager“.

De fato, a função de Community Manager está sendo bastante discutida ultimamente. Eu mesmo proponho um “framework” para criar estratégias de mídias sociais baseado em 3 pilares, onde “Comunidade” é um deles.

Só para não deixar ninguém curioso, os 3 pilares são:

  • Comunicação Externa
  • Comunidades
  • Redes Sociais Internas

E o que é um “Community Manager”?

Há um grande buzz em torno deste cargo, mas afinal, o que é um Community Manager?

Assim como os termos “socialmedia” e “guru” soam muito contraditórios, “Community” e “Manager” também não parece a melhor combinação.
Community Lead” me parece mais adequado. No Brasil, onde se fala português, “Líder de Comunidade” é ainda mais apropriado.

E já que estamos falando em contradições, o líder de Comunidade obtém pleno sucesso quando seu cargo pode ser extinto.
Sim, é isso mesmo. O melhor líder de Comunidade é aquele que – pasmem – torna-se desnecessário!
Se uma comunidade atinge um grau de amadurecimento elevado, ela passa a atuar de forma tão integrada que já não faz mais sentido “seguir um líder”.
O interesse, o conhecimento, as decisões fluem de forma transparente na comunidade e a própria comunidade se auto-gerencia. O líder passa a atrapalhar, pois transforma-se num elemento burocrático que impede o livre fluxo de processos, ações e decisões.

Obviamente, pouquíssimas comunidades conseguem atingir este grau de maturidade, e alguns processos exigem referências. Vide o caso do Linux, por exemplo: a comunidade é extremamente madura e os fluxos ocorrem de forma bastante livre, mas é necessário que os mantenedores definam alguns pontos de referência para o código (para nomenclatura, versionamento, distribuição). É um ponto de equilíbrio que cada comunidade deve atingir de acordo com seu grau de maturidade.

O líder de Comunidade é, portanto, um catalisador. Um elemento que atrai pessoas com interesses comuns e começa a estabelecer vínculos entre elas. Um conector de pessoas, que identifica quem tem genuíno interesse por um determinado assunto e as estimula a cooperar mutuamente. Ele é o início de uma bola de neve construtiva.

Para este processo acontecer, o líder de Comunidade tem que ser apaixonado pelo tema em torno do qual a comunidade existe.
Você consegue imaginar um líder para um fã-clube dos Beatles que não gosta, ou que nem conheça os quatro garotos de Liverpool?
Imagine a cena:

– “Sou líder de um fã-clube dos Beatles, quer participar?
“Legal, um fã-clube dos Beatles! Tenho fotos do George Harrison, você quer?”
“Hmmm… não sei se vai ajudar… vou pedir prá secretária ver se esse cara está na nossa lista de fãs.”
Fuóóóón!

Movido a paixão

O líder só entenderá o entusiasmo da Comunidade que lidera se tiver a mesma paixão e o mesmo espírito de colaboração dos integrantes da Comunidade.

Imagine um líder com formação em marketing, sem conhecimento algum de tecnologia, à frente de uma comunidade técnica. Não haverá sintonia.
É como colocar alguém do financeiro como líder da cozinha. Ele irá reduzir os custos falando para o cozinheiro colocar menos daquele tempero caro. E apesar do “líder” atingir seus objetivos de redução de custos, os clientes migrarão, pouco a pouco, para outros restaurantes – porque o interesse daquela comunidade é o sabor da comida, e não o custo mais baixo possível.

Empresas que estão analisando ter um “Community Manager” precisam entender essa dinâmica. As comunidades precisam, sim, de um líder para serem formadas, estabelecidas e começarem a se auto-gerenciar. Porém este líder não é um “manager” qualquer. Muito pelo contrário! As competências que ele deve apresentar são muito mais subjetivas.
Considero algumas características muito importantes:

  • paixão pelo tema de interesse comum da comunidade
  • paixão por compartilhar e estar junto dos integrantes da Comunidade
  • conhecimento do tema de interesse da Comunidade
  • carisma para atrair pessoas com o mesmo interesse