Google I/O 2016

Google I/O 2016

Este ano consegui realizar algo que há tempos desejava muito: participar de um Google I/O.
As expectativas mal cabiam na mala. Lá vamos nós para a Califórnia, San Francisco Bay Area, Vale do Silício…

Prólogo

Eu ainda não conhecia o Vale. Fiquei impressionado com a região!
Só como exemplo, visitei a “California Academy of Science” e os monitores do local davam um show de conhecimento e didática. O que achei muito diferente, porém, estava do outro lado. Um público extremamente interessado no conhecimento, acompanhando as explicações (nada superficiais), entendendo tudo e fazendo perguntas inteligentes.

Isso me fez lembrar do que presencio no museu “Catavento” recorrentemente (e que me deixa muito triste). Pais que levam as crianças lá como se fosse um playground. Ao invés de ler e explicar as experiências para os filhos, os deixam rodar as manivelas de forma bem pouco cuidadosa, colocando em risco não só o próprio filho, mas também a instalação do museu. Conhecimento adquirido? O mesmo de rodar um registro de água na rua…

O material humano do Vale do Silício é realmente de primeira linha. Não dá vontade de voltar, ainda mais considerando o atual momento de irracionalidade do Brasil.

O evento

Gostei do keynote. O Google apresentou o “Google Assistant“, que se propõe a utilizar toda a inteligência que a empresa tem em seu motor de busca para ajudar as pessoas a realizar atividades do dia a dia. Onde ele se diferencia do Siri ou do Cortana? Ele tem o Google por trás. Aquilo que todo mundo faz, de sacar o celular e pesquisar no Google o termo ou a informação que surgiram na discussão, o Google Assistant faz para você, com velocidade e conforto.

O “Google Home” também vai além do “echo” da Amazon. Ele é a versão em hardware do Google Assistant, e sua proposta é a integração com toda a sua casa. Nos stands do evento, foram demonstradas muitas soluções de automação residencial que podem ser controladas, por voz, através do Google Home.

Allo” vem para incomodar o Whatsapp. Muita inteligência artificial por trás dele, para que você, além de conversar com seus amigos, tenha sempre o motor do Google Assistant para ajudar durante a conversa, como um “concierge” de informações. Boa proposta, mas que vai enfrentar um degrau bastante alto para conquistar o mercado de troca de mensagens. Por outro lado, o nome Google deve ajudar.

O Android “N” não chegou a trazer novidades radicais, mas arrancou de todos uma expressão de alívio com o anúncio do fim daquele momento “otimizando aplicativo 3/96” quando você precisa usar o telefone…
Meu prognóstico para o nome? Nutella, claro!!!

Outra coisa que gostei muito foi o anúncio das “Instant Apps“. Com esse recurso, você não precisa instalar a aplicação para utilizá-la. Somente os componentes necessários são automaticamente baixados, sem a necessidade do processo de instalação. Esse recurso me fez até pensar em migrar o DESQUEBRE, que é uma aplicação híbrida, para nativa, pois ela se encaixa perfeitamente nesse conceito.

As sessões? Falarei mais tarde sobre as sessões…

A mudança

A mudança mais radical do evento foi o local. Do tradicional Moscone Center em San Francisco para o Shoreline Amphitheatre em Mountain View. O evento passou a ser ao ar livre, num clima de festival. Houve shows e música à noite, em instalações que davam um ar de “rave” ao evento.

Apesar de muito bem-vinda no conceito, essa mudança trouxe alguns problemas. Após o keynote, formaram-se filas muito, mas muito grandes para assistir às sessões. E o sol estava castigando. Os bebedouros secaram. E muita gente ficava para fora porque as salas, subdimensionadas, lotavam rapidamente. Isso impossibilitou assistir mais do que 2 ou 3 sessões por dia, o que foi um ponto extremamente negativo do evento. Frustrante, eu diria.

As sessões

Pois então. Não pude entrar em muitas, por conta das filas. Estava super ansioso para me atualizar sobre o Design Sprint e saber como ele vem sendo aplicado, mas somente quem passou muito tempo ao sol quente, na fila, conseguiu essa proeza.

Das poucas sessões que consegui assistir, o que achei interessante foi o enfoque no Firebase como solução para criar aplicativos de forma simples e rápida. O modelo “real-time” do banco de dados do Firebase é realmente interessante, e para quem quer desenvolver uma solução de chat, por exemplo, é “killer”.

Também não consegui fazer “Code Labs” porque… tinha que ficar em alguma fila se quisesse assistir alguma sessão. O Google precisa rever completamente essa questão, pois esse fator prejudicou demais o evento e seus participantes.

O networking

Fantástico. Conversei com muita gente boa sobre uma proposta que pretendemos trazer através do Google Business Group São Paulo: o Startup Journey. Vale acompanhar o meetup do GBG São Paulo se você se interessa pelo tema.

Além disso, deu para conhecer algumas pessoas e rever muitas outras, porque a um certo ponto, a galera acabava desistindo de ficar nas filas e preferia investir o tempo em socialização e networking.

A cereja [faltando] no bolo

Uma tradição do Google I/O é a distribuição de gadgets para os participantes. Ao decidir se investia ou não na minha ida ao I/O (em fase de grana curta e estabelecimento de uma empresa), o argumento de um amigo me motivou: “você recupera a grana do ingresso só pelos gadgets que eles dão”.

Pois bem… este foi o primeiro ano de Google I/O sem brindes!

Como tuitei na hora que fiquei sabendo disso: o Google I/O virou Google “o-oh”. Nada de brindes. Ninguém foi para lá só por causa dos brindes, mas todo mundo tinha essa expectativa. Grande frustração.

Epílogo

O evento foi bom, mas bastante decepcionante para mim.
Esperava conseguir participar das sessões que tinha me planejado antecipadamente e esperava conseguir absorver mais informações e conhecimento.

O sol escaldante do primeiro dia e o frio congelante do último nos expuseram a um “desafio de sobrevivência” e trouxeram desconforto e dificuldades para tirar proveito do evento.

A menos que o Google demonstre de forma muito taxativa que os problemas de logística serão resolvidos nas próximas edições, não consigo me entusiasmar em realizar o investimento necessário para participar novamente de um evento desse (os custos no Vale são muito altos), nem recomendar para meus amigos que o façam.

 

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Não se iluda com a Inovação

Não se iluda com a Inovação

Antes de começar meu raciocínio, gostaria de contextualizar o autor desse post.

Sou engenheiro convicto. Daquele que já sabia que seria engenheiro desde os 10 anos, ou até antes. Sempre quis entender como as coisas funcionavam, dos objetos da casa às invenções impossíveis dos desenhos animados (e sim, eu me desesperava em pensar quem iria arrumar a bagunca que o Jerry Lewis fazia em seus filmes…)

A Física, a Matemática e a Engenharia me entusiasmavam porque conseguiam modelar o mundo real através de suas fórmulas (eu odiava o “despreze os atritos” dos enunciados – aquilo não era real!).
Conviver com todas essas fórmulas me fez entender que os fenômenos da natureza são analógicos e seguem curvas contínuas. Nenhuma mudança é instantânea. Se parecer, é porque a amostragem foi lenta demais.

Para mim, uma das coisas mais excitantes e “mind blowing” foi descobrir as séries e entender a decomposição de sinais em suas harmônicas. É revolucionário descobrir que um pulso não existe como o imaginamos. Nada vai de 0 a 5 Volts imediatamente. A tensão passa por todos os valores (ainda que passe muito rapidamente pelos valores entre 0,01V e 4,99V) e mais: a tensão não consegue parar imediatamente em 5 Volts. Ou colocamos um capacitor para “suavizar” essa chegada aos 5 Volts, ou teremos um pico maior do que 5 Volts, depois voltaremos para um pouco menos do que 5, depois um pouquinho mais, até estabilizar em 5V…

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Um pulso em sua intimidade…

Toda essa teoria pode soar chata para muitos, mas é muito mais reveladora do que parece. Isso vale para a natureza, não só para circuitos eletrônicos!

E o que isso tem a ver com Inovação?

Na realidade, o comportamento da tensão em um pulso tem grande analogia com a curva de adoção de inovações tecnológicas!

Dê uma olhada no gráfico abaixo, que representa o “Gartner Hype Cycle“. Você não vê uma semelhança?
Essa curva é genérica (assim como a curva acima) e suas intensidades e valores absolutos podem variar de acordo com a tecnologia ou produto sendo introduzidos no mercado, com fatores econômicos externos ou com inúmeras outras variáveis.
É muito comum, porém que o padrão da curva seja observado.

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Gartner Hype Cycle

OK, e eu com isso?

Quem está buscando introduzir alguma inovação no mercado deve entender essa curva, porque ao planejar algo inovador, é necessário fazer previsões sobre a adoção de seu produto ou serviço. Quanto melhores suas previsões, maior será seu sucesso (se as coisas saírem melhores do que você previu, não será mérito seu: terá sido sorte!).

O problema é que muita gente se excita com a evolução da primeira parte da curva. Há quem acredite que esse crescimento será para sempre, ou que a curva se estabilizará num valor próximo ao seu pico. E é aí que muitos quebram a cara! Lembro, nos meados dos anos 90, de projeções para o crescimento da Internet. O pessoal simplesmente projetava uma parábola com base no começo da curva. De acordo com alguns “especialistas”, há uns 10 anos já deveríamos ter um número praticamente infinito de pessoas conectadas à Internet…

O bom empreendedor tem que ter um faro aguçado para antecipar ao máximo o que vai acontecer. Ele tem que ser capaz de “enxergar além do que os outros enxergam”. Claro que ele também terá que reagir às mudanças que ocorrerão, mas isso é simplesmente uma questão de fazer de novo algo que ele já aprendeu a fazer bem: analisar as variáveis e projetar bem as curvas – ainda que tenha que fazer isso recorrentemente!

E como uso essas curvas?

As curvas mostradas nesse post são conceituais, portanto não trazem valores absolutos. Só você será capaz de projetar a curva de adoção para seu negócio (ou talvez um concorrente direto seu, mas nesse caso, é bom que você seja melhor do que ele nisso…).

É importante ter consciência que existe um pico do “hype”. As vendas de iPhone estouram a cada lançamento, mas 3 ou 4 semanas depois, elas não mantém o mesmo ritmo. Já imaginou se os analistas da Apple não conhecessem este “fenômeno” e projetassem suas vendas com uma curva de crescimento simples? Imaginem quanto eles errariam nas projeções de investimento em produção, marketing, logística, etc, na hora que se deparassem com uma realidade assim?

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Vendas de iPhones por trimestre

Inovar é bom, mas como tudo na vida, o preparo é o melhor tempero para o sucesso. Estudar disciplinas como Física e Matemática é fundamental para ter sucesso no mundo da tecnologia. Porque para ter ideias inovadoras é necessário ter criatividade e motivação, mas para fazer as mudanças acontecerem, é preciso muito estudo, muito preparo, muita análise e, acima de tudo, muito trabalho. Como trabalhar cansa, utilize tudo aquilo que você aprendeu em seus estudos para que esse trabalho não seja em vão. Não se deixe iludir pelo brilho da curva inicial de adoção de seu produto. Lembre-se que você tem que colocar na conta os porcentuais de expectativas infladas, o porcentual de desilusão, o porcentual de persistência para buscar o esclarecimento (“enlightenment”) e o tempo para atingir o platô de produtividade. Prepare-se para cada um desses momentos. Reaja sempre da melhor forma, divulgando na hora de divulgar, ajustando as expectativas (inclusive as suas) quando necessário, comunicando muito bem para não perder clientes desiludidos, ajustando seu produto para não causar frustração.

E tenha sempre em mente que não é nada pessoal. Grandes empresas passam por esses ciclos. Os pessoal que hoje está no pedestal (Uber, Airbnb, Netflix, Nubank, Alibaba, etc) logo entrará na fase de ajustar expectativas infladas. Só para dar um exemplo: tem muita gente com a expectativa que o Uber vai continuar oferecendo serviços melhores, motoristas poliglotas, educados e cheirosos, brindes, mimos e um preço mais baixo para sempre. Quem calcula ROI com a amostra grátis inevitavelmente se frustrará ali adiante.

É claro que isso não significa que o Uber está fadado a “morrer”, como jornalistas adoram escrever. Só significa o que qualquer profissional preparado para o mercado tem que saber: que o platô de produtividade do Uber não é no pico de expectativa inflada, mas no fim da ladeira do esclarecimento. E a história se repetirá para você.

Minha conclusão? Estude muito bem suas curvas e boa viagem! 😉

E se o Google produzisse café?!

E se o Google produzisse café?!

Google é uma empresa incrível. Aos poucos, ela se aproxima da Apple em termos de Market Capital e acredito que em breve, a fantástica fábrica de anúncios assuma o posto de maior empresa de tecnologia do mundo.

O que faz o Google ser tão diferente? Talvez uma única palavra: informação.

Google é uma empresa totalmente data-driven, uma das poucas do mundo que pode ser definida ao ler sua missão: “organizar as informações do mundo e torná-las acessíveis”*.

Isso significa que as decisões no Google são tomadas com base em dados. E a empresa é obsessiva em coletar e analisar dados. E por mais que existam as infindáveis discussões em torno do tema privacidade, isso pode ser melhor para você do que você imagina (continue lendo e entenderá).

De onde vem essa obsessão?

Com certeza, de seus fundadores. O Google é um tremendo exemplo de como deve nascer uma startup. Larry Page e Sergey Brin começaram seu negócio acreditando serem capazes de criar algo formidável, e o primeiro passo para isso foi… ESTUDAR!

Sergey tem 2 faculdades, um MBA, fez mestrado em Stanford e conheceu Larry no doutorado, também em Stanford. Ao contrário do que rezam alguns “startupeiros de ocasião” – com muito comodismo e auto-indulgência – estudar é algo fundamental para ter sucesso. Não acredite na falácia que Jobs e Gates abandonaram a faculdade (até porque antes disso, eles estudaram muito mais do que muita gente com diploma e MBA). Quem acredita que só talento, motivação e vontade são suficientes para o sucesso pode voltar para seus livros de auto-ajuda, porque sucesso de verdade demanda muito estudo, muita dedicação e muito SUOR. Esse, aliás, é outro ponto importante. Larry e Sergey arregaçaram as mangas e começaram a trabalhar, ELES MESMOS! Nada de “eu tenho uma ideia”, nada de “vamos procurar um investidor”, nada de “a gente contrata um dev”. Fundador que é fundador vai lá e faz!

E o que isso tem a ver com café?

Absolutamente nada. Foi um devaneio meu enquanto moía café. Sim, eu compro café em grãos e moo. É divertido controlar o tempo de moagem e ver o resultado. Se moer pouco, o pó fica grosso e o café sai muito rápido. Fica bem mais fraco e não forma aquela espuminha charmosa do espresso. Se moer demais, o pó fica fino e dá dó de ver a máquina “fazer força” para gotejar o café, que também perde a espuma e fica com um gosto meio “queimado”. O tempo ideal costuma ser entre 30 e 40 segundos (no meu moedorzinho velho) e varia com a marca do café. Para cada marca, tenho que fazer uns “testes” para ver se aumento ou diminuo um pouco o tempo. Como disse, é divertido.

Voltando ao link com o Google, enquanto fazia isso (esperei 37 segundos), fiquei pensando como as empresas tomam esse tipo de decisão. Quanto tempo elas moem seus cafés?

Foi quando me perguntei: como seria se o Google produzisse café?

Produzindo café

Imagino que uma empresa normal controle algumas variáveis do processo de produção de café: tempo de secagem, torra, moagem, etc. Provavelmente, estas empresas fazem uma dezena de testes com parâmetros diferentes para cada processo e optam pelo melhor resultado.

E o Google?

Talvez Sergey e Larry não se satisfaçam com somente 10 variações em meia dúzia de parâmetros. No processo de pesquisa do “Google Coffee”, tudo seria monitorado – da germinação da semente ao escorrer do café para a xícara. Seriam instalados sensores na plantação, nas máquinas de colheita, nas máquinas de secagem e moagem…

O Google também utilizaria técnicas empíricas para começar a pesquisa e desenvolvimento do “Google Coffee”, mas somente para gerar os dados iniciais para alimentar os algoritmos que analisariam as variações de cada uma das milhares variáveis analisadas. Esses algoritmos gerariam os melhores parâmetros, que seriam re-introduzidos no ambiente físico de pesquisa, dando origem a diversas iterações de evolução do produto.

Então o Google Coffee seria facilmente copiável?

Uma vez definidos esses parâmetros, bastaria o acesso a eles por um concorrente e o produto perderia seu diferencial, certo?

Erradíssimo!!!

Outro valor fortíssimo no Google é a diversidade. A empresa respeita DEMAIS as diferenças entre os indivíduos, tanto que pessoas que não tenham essa característica dificilmente se mantém por muito tempo na empresa. Juntando essas obsessões (dados + diferenças), a próxima etapa seria a de CUSTOMIZAÇÃO do Google Coffee a você.

Sim, com todo co controle da produção, e conhecendo o seu gosto com a mesma precisão aplicada às técnicas de produção, o Google seria capaz de produzir um café exclusivo para você. Um café que você (e somente você) consideraria O MELHOR DO MUNDO. E bastaria você dizer: “OK, Google! Está acabando o café!” e este café “com a sua cara” seria entregue em sua casa. Pode ser até que você nem precise avisar o Google…

E você nunca imaginou que um “cookie” poderia te proporcionar o melhor café do mundo, imaginou? 🙂 🙂

* Durante uma palestra há algum tempo, com o intuito de mostrar que as declarações de missão das empresas são meros clichês corporativos, apresentei a “missão” de uma grande corporação como sendo a missão de um prostíbulo. Todos os participantes concordaram que o texto estava adequado ao negócio.

O gadget do ano (2014)


2014 foi um ano marcante, com coisas boas e coisas ruins. A pior delas – de longe – foi a polarização e o extremismo que marcaram as eleições. Foi o pleito mais feio e de baixo nível que já presenciei. Assunto fechado, porque é bem melhor focar nas coisas boas.

365 dias em 60 segundos

O ano passado foi particularmente interessante para mim. Assumi riscos e vi o quanto vale a pena fazer o que você acha certo e acredita. 2014 mostrou que a coisa mais errada que podemos fazer é nos acomodar naquilo que nos dá segurança, mesmo que o custo dessa segurança seja não ter prazer em sair da cama, sentir sua criatividade e potencial tolhidos e passar o dia fingindo que não vê um mar de coisas erradas, ostentando um sorriso amarelo que somatiza doenças. Já tive minha dose disso na vida e, pelo visto, aprendi a sair ileso dessa armadilha! 🙂

GBG
Uma parte das pessoas fantásticas com quem trabalhei em 2014.

Tive o prazer de conhecer por dentro uma das melhores empresas em que já trabalhei (talvez a melhor). E tive o prazer de trabalhar com gente fantástica e apaixonada. Quem conhece os GBGs sabe do que estou falando!

E o prazer não parou por aí! Estive em contato com novas tecnologias, fazendo o que mais gosto: aprendendo e compartilhando. A vedete de 2014 foi a tecnologia “wearable”, e por isso o título desse post. O que eu considero o “gadget de 2014” é uma expressão dessa tecnologia: o smartwatch Moto 360. Já já explico porque elegi particularmente este modelo.

Moto 360 e LG G Watch R
Moto 360 e LG G Watch R

OK, Google.
Para que serve o smartwatch?

Não compre um smartwatch se não tiver essa resposta muito clara em sua mente. E se você tiver, as chances de querer comprar um são enormes!

Os conceitos mais importantes são:

  1. O smartwatch NÃO É um smartphone de pulso
  2. O smartwatch é um COMPLEMENTO do smartphone
  3. O smartwatch faz você economizar o que um relógio mede: tempo!

1. O smartwatch NÃO É um smartphone de pulso

Há duas razões básicas para um smartwatch não ser um substituto do seu smartphone: o tamanho da tela e o tamanho da bateria*.

Tamanho da tela

Não dá para fazer tudo o que se faz no smartphone na tela do seu relógio. Se muita gente ainda precisa abrir uma tela de notebook para algumas responder um email mais complexo, imagine a aflição de querer fazer isso usando só o relógio. Simplesmente não rola.

Tamanho da bateria

Um smartwatch precisa – ao menos minimamente – lembrar um relógio de pulso. Apesar de existirem alguns relógios “cebolões” no mercado, a maioria das pessoas ainda prefere relógios que não causem cãimbras. Para serem leves e atraentes, não dá para exagerar na bateria. E nem precisa, porque ninguém quer passar a maior parte do dia operando um relógio (exceção feita aos dois primeiros dias de deslumbre).

* Daria até para ir além e dizer que o processador não pode ser tão potente (ao menos não atual-mente), caso contrário ele fritaria o seu pulso e deixaria você sem bateria antes da hora do almoço.

2. O smartwatch é um COMPLEMENTO do smartphone

Se a ideia não é fazer com o smartwatch tudo que se pode fazer no smartphone, então o que deve ser feito usando um relógio inteligente? A primeira resposta que me vem a mente é: NADA.

O que não significa que ELE não possa fazer algo por nós!!

E aí que entra a mágica do smartphone: o conceito de “microinteração”.

Interações x microinterações

Você INTERAGE com seu smartphone. Quando ele treme ou apita, você o tira do bolso, destrava a tela**, abre a aplicação que gerou a notificação e “consome o conteúdo” – seja uma mensagem, um email do chefe, um comentário num post seu, um selfie daquela tia que pediu ajuda para você “instalar” o pau-de-selfie que ela comprou no Promocenter…

E aí entra em ação o efeito “Jacke”. “Já que” você está com o smartphone na mão, você “bizolha” o Facebook, dá uma conferida se responderam aquele email, confere se vai chover, etc, etc, etc, até ouvir o “hum-hum”. Da pessoa que estava falando com você. Embaraçad@, você pede desculpas e el@ faz cara de quem te perdoou (não acredite nisso).

O mais impressionante não é o fato de você lembrar que já fez isso ao ler esse texto. É o fato dos usuários fazerem isso 150 vezes por dia, em média!!!

Aí que entra o smartwatch. Será que você precisa MESMO tirar o smartphone do bolso toda vez que ele vibra? E se for só [mais] uma foto da tia do pau-de-selfie? Vale a interrupção?

O smartwatch vibra bem discretamente e coloca um resumo muito sucinto do que está acontecendo em sua telinha. O suficiente para você dar aquela “olhadinha”, como se estivesse vendo as horas, sem ficar com aquela sensação de desrespeito ao seu interlocutor. Acontece uma “microinteração” que não interrompe o fluxo. Se for urgente mesmo, você pode explicar educadamente e pedir licença para interagir, mas se for algo que pode esperar, você não perde o momento. Parece um detalhe, mas faz uma diferença MUITO grande nas suas interações com seres humanos. O smartphone pode esperar.

** Sim, você PRECISA configurar seu smartphone para que ele se bloqueie. Smartphones são “perdíveis”, “roubáveis”, “esquecíveis” e “espiáveis”. E eles contém boa parte da sua vida!!! Lembre-se que um telefone destravado oferece aos curiosos acesso a todos os seus emails. E ao Facebook. E às conversas privadas do Facebook e do Whatsapp. Não está convencid@ ainda? OK… Então lembre-se do Tinder! 😛

3. O smartwatch faz você economizar o que um relógio mede: tempo!

Com essa substituição de interações por microinterações, e com o seu filtro de bom-senso ativado, você pode economizar importantes segundos, ou até minutos a cada interação. Parece bobagem, mas lembre-se que isso acontece 150 vezes por dia! Se a interação média for de 20 segundos e metade das iterações puderem esperar, é quase meia hora por dia que você ganha! Conta rápida: se alguém “custa” R$ 30/hora, um smartwatch de R$ 750 se paga em menos de 2 meses!!!

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E o Moto 360 levou essa!

Fiz esse discurso diversas vezes nos Design Sprints. Sem um smartwatch no pulso. Percebi que tinha que testar isso na prática para ter mais credibilidade, então chegou a hora de escolher um modelo. A decisão não foi difícil. Eu sou um cara “compacto” (rs rs) e não curto “cebolões”. Os relógios quadrados, além de parecerem maiores, não se parecem com relógios. São “smartwatches” demais na aparência. Achei os redondos definitivamente mais elegantes (além de não enroscar na manga comprida), e isso facilitou as coisas: sobraram o LG G Watch R e o Moto 360. Em termos de especificações técnicas, eles se equivalem. O LG tem um sensor de pressão que o Moto 360 não tem. Ambos têm pedômetro e medidor de frequência cardíaca***. Ambos são bonitos. O charme do LG está no seu aro externo, que permite que a tela seja totalmente redonda. O charme do Motorola está em não ter esse aro, o que lhe custa um corte na parte inferior da tela (ela é “quase” redonda).

Disputa equilibradíssima, levei em conta o fato de ter passado dos 40 e com isso, precisar de óculos “para perto”. Apesar de ter os mesmos pixels do LG, a tela do Moto 360 é fisicamente maior (não tem aquele aro, lembra?), e isso ajuda o velhinho aqui a ler o relógio, afinal número de ppp (pontos por polegada) maior só é bom para quem está com a vista zerada 😉

O post já está grande demais para contar o ótimo atendimento pós-venda que recebi da Motorola (que soube reverter uma pisada na bola da loja online), mas retomamos esse papo num momento oportuno!

*** O medidor de frequência cardíaca é bom para ter uma referência, mas não recomendo para quem quer fazer um acompanhamento mais sério. Eu uso nos deslocamentos de bike (20 minutos em média) e o smartwatch faz umas 5 ou 6 amostragens nesse período (imagino que ficar medindo toda hora consumiria muita bateria). É legal para ter uma ideia se você está se condicionando, mas o relógio não avisa se na subida da Hélio Pelegrino seu coração passar de 160 bpm.

Meu primeiro dia na Google


Dia 2/6/2014 foi meu primeiro dia na Google. A empresa tem fama de ter um ambiente extremamente descontraído e muitas regalias, mas na verdade… bem, na verdade é tudo verdade!!!

ImageMesmo já tendo trabalhado em grandes empresas de tecnologia, nunca tinha visto uma estrutura e um clima tão… tão… tão Google!!

Não estou falando só do café da manhã no estilo “hotel 5 estrelas” servido diariamente, nem do almoço do mesmo nível – e grátis – para quem trabalha aqui. A Google provê todos os recursos que o funcionário precisa, e logo no primeiro dia fica claro que ter você trabalhando de forma eficiente é a coisa mais importante. Tudo reflete um clima de produtividade à base de criatividade e motivação – da decoração do escritório até o estilo das pessoas. Já cruzei até com funcionário andando descalço pelo escritório. A frase que li durante o processo seletivo: “não importa o que você veste, importa o que você é”, não é só para fazer média: é o dia-a-dia na Google.

Ok, a empresa é linda, bate palminha, fala “mamãe”, mas quero também compartilhar com vocês o que vim fazer aqui.
O cargo é “Google Business Groups Lead“, mas imagino que isso não explique muita coisa…

O que é um Google Business Group (GBG)?

A definição mais cuImagerta é: “GBGs são Comunidades de profissionais de negócios que se reúnem para compartilhar conhecimento sobre o uso de tecnologias Google para  o sucesso do negócio“.

Em outras palavras, meu desafio é identificar profissionais interessados nestas discussões, e oferecer apoio para que eles realizem encontros, eventos, desconferências, discussões e outras iniciativas – online e offline – sobre o uso de tecnologia Google em suas empresas.

Minha empolgação não poderia ser maior: há tempos eu acredito num modelo de 3 pilares para as interações sociais nas empresas: Comunicação Externa, Redes de Colaboração Interna e Comunidades. Não é segredo que este último pilar é meu “xodó”, e espero conseguir mostrar que tudo isso não é só teoria. Para isso, precisarei contar com a ajuda das fantásticas pessoas que compõem as Comunidades, sempre dispostos a compartilhar conhecimento através da interação humana. Se você tem este espírito e se encaixa no perfil de um membro ou líder de GBG, entre em contato comigo!

Em breve devo voltar com informações mais precisas sobre o trabalho aqui, e espero que as novidades sejam tão excitantes quanto estes primeiros dias na empresa!

DpH, uma métrica importante na Era IoT


Internet of ThingsAntes de mais nada, calma, calma… segurem suas pedras! Não, não virei um “abreviólogo” como muita gente pós-MBA faz… 🙂
O que continuo é provocativo, e esta é a razão dos 3LA (3 Letter Acronyms – rs rs) do título. Continuamos amigos? 🙂 🙂

Bem, o segundo acrônimo (IoT) já está virando famosinho: Internet of Things ou “Internet das Coisas“. Está na moda falar disso, mas o que realmente significa?
Significa que “o mundo está ficando inteligente”, e isso não tem nada a ver com a inteligência que costumava-se medir em QI ou com o conceito de “múltiplas inteligências” que surgiu depois.

Estamos falando de “equipamentos inteligentes”. O termo não poderia estar mais errado, porque equipamentos jamais serão inteligentes. O termo correto seria “equipamentos processados”, mas isso não venderia, nem os equipamentos nem a mídia que falaria deles, então o termo “inteligente” pegou. Não tem jeito, vivemos num mundo onde as coisas funcionam assim…

A que vieram os equipamentos ditos “inteligentes”?

Agora começamos uma discussão interessante! Depois do iPhone, as pessoas “comuns” começaram a se aproximar definitivamente da tecnologia. Enquanto na era PC os mais apaixonados por tecnologia a dominavam e mostravam a seus amigos e familiares, a adoção espontânea era relativamente dificil. As pessoas usavam PCs porque precisavam usá-los, mas os abandonavam assim que a necessidade cessasse. A capacidade de comunicação através da Internet ampliou algumas fronteiras. Mães com filhos no exterior passaram a se aproximar do PC para matar a saudade. Aí veio a tal “Era pós-PC” e colocou toda essa tecnologia na mão das pessoas (literalmente), em qualquer lugar (bem, ao menos que você esteja usando a <insira o nome de sua operadora brasileira aqui>). A barreira foi se quebrando. Smartphones são mais intuitivos que PCs, a interface é mais fácil (oras, é só usar o dedo), e uma geração inteira de “suporte técnico” nasceu. Não sabe? Chame o filho ou sobrinho que ele te ensina.

E daí? O que isso tem a ver com “equipamentos inteligentes”? Tem muito! Primeiro, porque para caber na mão e no bolso das pessoas, a tecnologia tem que “encolher” e baratear. Um desafio e tanto para engenheiros, que têm que fazer baterias pequenas durarem ao menos o dia todo, mas os caras são bons! (Rs rs – “puxada de sardinha” detected!) Além disso, a conectividade (leia-se Internet) virou commodity. Hoje é comum ver no metrô a maioria das pessoas conectadas através de seus smartphones. É muito mais chat e facebook do que telefonema (graças aos céus!!!).

Tecnologia minúscula, uso eficiente de energia e conectividade com a Internet compõem uma “sopa protéica” suficiente para dar “vida inteligente” aos equipamentos. Calma. É metáfora. Equipamentos não têm inteligência, que dirá vida, ok?
A questão é que dispositivos processados (agora sim) poderão ficar cada vez menores e mais baratos. Começou com relógios, pulseiras e óculos, mas essa onda vai tomar a maioria dos objetos que temos em casa e fora dela. Semáforos, câmeras de vigilância, carros, bolas de futebol, remédios, chaveiros… cada objeto é um candidato a carrecar um “SoC” (System on [a] Chip), ou seja, ter um processador e ser capaz de enviar dados para servidores na Internet (a famigerada “nuvem”).
Tenho certeza que se eu der um ou dois exemplos, você logo terá dezenas de ideias para contribuir para a tal Internet das Coisas (IoT). Em tempo de Copa (sic), as bolas podem receber chips minúsculos que indicariam se passaram pelo plano das traves (leia-se: se foi gol ou não), sua velocidade (informação bacana para as emissoras enriquecerem suas transmissões), quanto se deslocaram (para saber se o jogo está emocionante ou “parado”), tempo fora de campo (para calcular acreścimos), etc.
Outro exemplo: você nunca irá postar no facebook as fotos de seu cachorro perdido se na coleira dele um chip enviar a posição em que ele se encontra. Já se fala também em cápsulas que você pode ingerir para fazer exames ao passarem por dentro de seu corpo (nesse caso, aliás, a capacidade de transmissão dos dados por rádio evita um grande constrangimento, concorda?).

Que tal compartilhar as ideias que lhe vieram à mente nos comentários desse post? 🙂

DpH – “Devices per Head”

Essa “métrica” foi cunhada numa conversa com os amigos George Silva e Omar Toral. Nem sei se ela existe oficialmente, mas ela será de grande importância para a indústria de tecnologia.
Trabalho numa empresa que produz processadores (Intel), que até pouco tempo atrás, buscava o aumento do mercado através da adoção de sua tecnologia por mais pessoas. No Brasil, nos últimos anos, muita gente comprou o primeiro computador de sua vida (infelizmente, ainda temos muita gente que até hoje não teve condições de fazer isso). Só que como vimos, os equipamentos processados estão cada vez menores, e consequentemente mais baratos. Empresas não gostam de faturar menos, então quando o preço de algo cai, elas têm que vender mais. Uma alternativa seria estimular a reprodução humana para o aumento da população, mas Malthus já mostrou que essa não é uma boa ideia…

A alternativa? O aumento do DpH: “Devices per Head”, ou “Dispositivos por Pessoa”! Há cerca de 20 anos, a “missão” da Microsoft era colocar um PC em cada casa. Isso significa um DpH de mais ou menos 0,25 (1/4), considerando uma família com 4 pessoas. Com a mobilidade (notebooks), esse número subiu e começamos a ter mais do que um PC por residência. Os mais abastados logo chegaram no DpH de 1 (1 computador por membro da família). Logo esse número foi superado, porque temos um equipamento na empresa (ou da empresa) e outro em casa (ou pessoal), portanto o DpH pode chegar perto de 2, mas dificilmente seria maior do que isso na “Era PC”.

Eis que vem o iPhone e coloca um PC na sua mão. E depois dele, o iPad. Aliás, lembro até de muitos colegas zombando do iPad, dizendo que era “o iPhone de Itu”. Muitos deles hoje correm atrás do tempo dedicado a desmerecer o iPad, para migrarem suas aplicações para tablets. Sim, a Apple mudou o jogo. E na “Era pós-PC”, as pessoas começaram a ter um DpH maior do que 2 sim. iPhone, iPad, iPod, iMac, MacBook, Apple TV. Um cara que curte Apple tem tudo isso. Um cara só. Ou seja, só em casa, um DpH de 6! Um nirvana para uma empresa de tecnologia. Não é à toa que as ações da Apple subiram mais de 14.000% (140 vezes) da época do lançamento do iPod até seu auge, em 2013 (considerando o “split” de 2:1 em 2005).

Ações da Apple
Ações da Apple da época do lançamento do iPod a seu auge

Só que empresas não se satisfazem. E nem o mais fanático dos fãs iria comprar mais de 10 dispositivos da mesma marca (acho que o único caso em que isso é possível é no mundo mulheres x sapatos…).

A única forma de aumentar o DpH é através da IoT (a esse ponto já posso usar os 3LA ou ainda fica tosco?). Se cada dispositivo tiver um pequeno chip instalado, com capacidade de processamento e de comunicação, soluções impressionantes podem melhorar nossas vidas (ainda estou esperando a sua contribuição nos comentários aí embaixo), e as empresas de tecnologia continuarão faturando, ainda que bem menos em cada dispositivo, mas num número incrivelmente grande de dispositivos por pessoa.

Um dos fundadores da Intel ficou famoso e tem uma lei com seu nome (Lei de Moore), porque ele disse que a capacidade dos processadores (ou número de transístores) dobraria a cada 18 meses em média. Se eu fosse mais esperto, lançaria a “Lei de Palma”, dizendo que o DpH também dobrará a cada 5 anos em média. Fiz um gráfico com valores “muito estimados”, mas talvez leve a ideia adiante, levantando dados precisos e comentando mais sobre a evolução do DpH por aqui! 🙂Evolução do DpH (Lei de Palma)

O que vale lembrar é que, por mais que os dispositivos fiquem “inteligentes”, e por mais que o DpH torne-se enorme, o acrônimo da métrica também traz consigo uma grande verdade: “Devices per Head” indica que existem diversos dispositivos sendo utilizados por UMA “cabeça”.
Espero que você faça um ótimo uso de dezenas, centenas, milhares de dispositivos “inteligentes”, porque o único inteligente nessa história… É VOCÊ!

Computadores serão usados da mesma forma que louça?


Não gostaria de entrar no clichê das “resoluções de Ano Novo”, mas já estava passando da hora de reativar este blog… então vou aproveitar a deixa: lá vai o primeiro post de 2014!
(espero conseguir continuar compartilhando ideias por aqui durante o ano) 🙂

Computadores serão usados como louça?
Computadores serão usados como louça?

O título do post pode parecer estranho, mas as discussões sobre o futuro da computação continuam bastante frequentes. Além disso, o recente anúncio do Edison pela Intel no CES aumenta ainda mais a temperatura da conversa, impulsionando o conceito de “Internet das coisas” (disclaimer: atualmente trabalho para a Intel).

A onda dos tablets não é mais novidade, nem a constante queda nas vendas de PCs. Para “confundir” mais a cabeça do consumidor, novos “fatores de forma” (form factors) vêm surgindo: o “2 em 1” (ultrabook que vira tablet), os phablets ou fonepads (que têm tamanho entre tablets e smartphones e realizam ligações telefônicas) e smartphones com poder de processamento dignos de um desktop de alguns anos atrás, potencializados por equipamentos para integrá-los a telas grandes: WiDi adapters, Apple TV, Google TV, Chromecast.

Nesses momentos é comum que surjam opiniões fatalistas no melhor estilo “isso vai matar aquilo”. Surgem também defensores ferrenhos de determinados form factors ou produtos, “provando” que o produto “X” é o melhor de todos.

Felizmente, não existe um “melhor de todos”. Digo felizmente porque isso acabaria com a diversidade do merado. Se existisse realmente um “melhor de todos”, todo mundo compraria somente aquele modelo, os outros encalhariam e sairiam de linha – e somente o líder absoluto de opiniões existiria no mercado. Ruim, não?!

O que eu acredito é que ao invés de existir um “melhor de todos”, existe um “melhor para o que eu estou fazendo agora”. Daí a comparação com a louça: se você vai tomar uma sopa, que louça você utiliza? A “melhor de todas”? Ou a mais adequada para tomar sopa? Provavelmente você optará (sem precisar pensar muito) por um prato fundo. Se tiver que servir um bolo, provavelmente pegará um prato de sobremesa. Para apoiar uma xícara, nada “melhor” do que um pires, e para comer uma salada, um prato raso…

Esta deve ser a forma que utilizaremos os nossos computadores (sejam lá qual for o tamanho). Está na rua e precisa verificar seus emails? O smartphone parece a melhor pedida. Quer dar uma olhada nas últimas notícias na sala? Um tablet parece ideal. Digitar um post? Um 2:1 no modo “com teclado” pode ser a melhor opção. E os gamers profissionais ainda gostam do desktop com muitos monitores enormes para seus momentos de delírio com os mais avançados jogos.

Escolheremos o melhor equipamento de acordo com a situação, até porque a tendência é que eles estejam facilmente disponíveis. Esta escolha será feita de forma quase automática, como acontece quando precisamos “escolher” a louça certa – praticamente sem pensar, pegaremos o dispositivo mais adequado e começaremos a usar. Sem configurações, sem programações, sem perda de tempo: será pegar, usar e largar.

Novos dispositivos “vestíveis” devem se popularizar (o óculos Google Glass, o relógio Peeble, a pulseira Lifeband Touch, etc) e outros ainda devem surgir com o tema “Internet das coisas” decolando de vez. Provavelmente teremos muitos deles em casa. Porque não dá para acreditar que um único form factor seja o melhor sempre. Se alguém acreditar nisso, por favor me diga: qual a “melhor louça de todas” para ter exclusivamente em casa? Prato raso? Prato fundo? Pires? 🙂

Fique à vontade para dar sua opinião nos comentários!